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san “perro” de atacama


Depois de ter feito o tour do Salar de Talar, Piedras Rojas e as Lagunas, eu fiquei beeem cansada. No dia seguinte eu não quis agendar nenhum tour, resolvi tirar o day off pela cidade. Até pensei em pegar uma bike e fazer o Vale de La Muerte, que tinham me indicado. Mas conheci uns brasileiros no hostel, na noite anterior, que disseram que é muito deserto e que ir sozinha podia ser um problema. Porque se eu caísse de bike e me machucasse, ninguém me ouviria gritar. É, fiquei meio assustada. hehehe :P

Então, apesar da intimidade com a bike, pensei que ainda estava no começo da viagem e não queria correr riscos de botar algo a perder. Então fiquei quietinha, curando a ressaca da altitude. Tomei café da manhã com meus amigos pássaros, que são totalmente destemidos e é só deixar umas migalhas que eles chegam junto o tempo todo, e segui pra dar uma volta. As ruas de San Pedro são todas assim, de barro, as casas são simples, mas quando você menos espera dá de cara com o vulcão Licancabur compondo a paisagem. Além desse céu azul lindo, que quando o sol já está mais alto fica um clima quente pra sair de short e chinelo. Beeeem diferente do clima de quando começa a escurecer. Clima de deserto, né? De oito pra oitenta em algumas horas. Sugiro buscar alguma sorveteria artesanal local e experimentar os sabores exóticos. Esse daí é Ayrampo, a flor do cactus, e é uma delícia. Tem de ervas, de raiz, de um monte de coisa. E no calor seco que tava fazendo, um sorvetinho salva real. Gostei muito da Babalu Heladeria, foi o melhor que experimentei por lá. Eu tô até agora impressionada com o que o clima seco fez com meu cabelo hahaha :P Ele ficou assim, liso, escorrido, estranho, não sei explicar. Aí ainda tava “de boas”, quando cheguei na Bolívia eu tava parecendo o Zacarias de peruca, sério. Então aproveitei pra uma selfie (com pau de selfie sim!) no grafite que mandava cuidar de mim. Nhóim, como sou fofa. hahahaEntão fui  visitar as feirinhas de artesanato e fotografar os cachorros. São MUITOS cachorros em todos os lugares, o tempo todo. Nas agências, na farmácia, nos restaurantes, nos hostels, em todo lugar. Aí você entende porque lá é carinhosamente chamado de San Perro de Atacama hahaha :)

Por isso, fiquem com alguns registros dos perros do Atacama pra deixar esse dia mais lindíneo.Aí pra fechar o dia, resolvi que ia tomar uma cerveja pela primeira vez desde que estava no Atacama. No hostel mesmo, de boas, sossegada. Tomei DUAS (duas, apenas duas) long necks e estava bêbada. Sim, bêbada. Ahhh altitude, como você me deixa econômica! :PMas foi bom pra me ajudar a dormir cedo, já que aproveitei o rolê pela cidade pra agendar o tour do dia seguinte, que seria de novo de dia inteiro, então eu queria estar descansada. :)

Foi massa tirar um day off, sabe. Quando a gente viaja parece que tem que estar fazendo algo o tempo todo, né? Se não estiver, parece que está perdendo tempo. Mas, na real, tirar um tempo pra não fazer nada e “apenas” contemplar o ambiente, sentar numa praça pra escrever, fotografar ou qualquer coisa mais “leve” que não seja estar enfiado em tours turísticos ou visitando os locais mais badalados, é muito bem vindo.

Por isso, fica aqui minha sugestão pra quem visita o Atacama (ou qualquer outro lugar) com um pouco mais de tempo: tire um tempo pra fazer nada, é uma delícia. :)


salar de talar, piedras rojas, lagunas e a natureza mágica


Depois da chegada nos tours do Valle de La Luna e o astronômico, eu resolvi fazer um full-day tour que ia levar a gente a uma altitude maior: mais de 4.000m. É o tour onde passamos pela Laguna Chaxa, Salar de Talar, Piedras Rojas, Lagunas Miscanti e Miñiques e o povoado de Socaire. É um tour lindo, longo, cansativo e cheio de surpresas.

Quem vive na selva de pedra e tá acostumado a ver gente levar passarinho pra passear em gaiola se impressiona com os animais silvestres soltos, né? Pois é, eu me impressionei e me emocionei com cada um que eu tive a chance de ver. Os primeiros foram os flamingos na Laguna Chaxa, onde chegamos pra tomar o desayuno com muito pão duro e café solúvel hehehe. Foi a primeira vez que eu vi os flamingos, e fiquei encantada mesmo sendo tão poucos e tão tímidos hehehe :) Achei massa que além de ver enquanto eles andavam e comiam pela laguna, vi alguns voando de um lado para o outro, foi lindo. Tava um frio da porra! Muito vento e ainda eram antes das 8h da manhã, e quanto mais cedo, mais frio faz nesse lugar. Então era muito chá e muito café pra tentar aquecer um pouco, viu?

Por saber que iríamos subir bem nesse tour, já comecei tomando chá de coca pra evitar passar mal. Além de que é recomendável que se coma pouco e beba muita água, que ajuda na oxigenação do sangue. Caminhamos um pouco por entre essas lagunas, e é impressionante ver a formação do terreno. Se eu fosse imaginar o solo da lua, seria assim. Umas formações de sal e pedra meio pontudas, quase agressivas, misturado com as lagunas e uma vegetação desértica. É lindo, lindo. Seguimos caminho.Durante esse tour nós percorremos um total de 270km entre ida e volta, e nesse percurso nós rodeamos o tempo todo o volcán Miñiques e temos a chance de vê-lo de diferentes ângulos. É lindo como parecem vários vulcões em um só. Nossa guia Nadia, a mesma guia do dia anterior, é uma apaixonada pela natureza, pela história e pela magia local, e ela falou com um amor tão grande por este vulcão que é impossível não sentir sua presença real. <3

Aí na foto de cima dá pra ver as vicuñas, que são parentes selvagens das lhamas. Sempre em bando, com um macho para várias fêmeas, a gente aprendeu a identificar quem é quem, vimos filhotinhos, vimos elas nos olhando e correndo de nós. Elas se alimentam desses arbustos e fazem longas caminhadas pelas montanhas. Fofas. <3A caminho do Salar de Talar e das Piedras Rojas, paramos no Trópico de Capricórnio (meu ascendente que tô torcendo que assuma logo esse coração que é mais canceriano que geminiano, socorro!) e pudemos ver o Camino Del Inca, que é essa pequena estrada ladeada por pedras, onde os caminhantes atravessam looongos quilômetros entre o Chile e a Bolívia. É impressionante ver o caminho sumir de vista para os dois lados, e nós no meio. É uma energia impressionante. A primeira vista que temos do Salar de Talar é de longe, e essas suas montanhas parecem pintadas à mão! Suaves, macias, parece um contraponto com as duras montanhas e vulcões da Cordilheira dos Andes. As Piedras Rojas são rojas mesmo! A cor avermelhada delas é linda e o formato, esculpido pela água e pelo vento parecem ondas que acabaram de ser derramadas. O vento aí é muuuuito forte, tudo é muito frio. Inclusive as águas da Laguna Aguas Calientes é muito fria hahaha Essa água transparente parece tão convidativa pra um mergulho, né? Mas só de molhar a mão achei que fosse congelar inteira hahaha :P E meu amigo Tim, o mesmo do tour de ontem, com sua vibe sensorial, que me fez colocar a mão na água e sentir que é salgada. :)

Aí a gente estava a mais de 4.000m acima do nível do mar e foi a primeira vez que eu senti os efeitos da altitude. Ao contrário de várias outras pessoas que passam suuuuper mal, eu só estava levemente bêbada. Não podia levantar a cabeça rápido que tudo rodava. Tava meio tonta e me sentindo super cansada. A orientação é sempre andar devagar, e com essa tontura parecia que eu tava andando na lua, passos altos, lentos e loucos hahaha :P A respiração funda é mais pra acalmar o coração, porque o ar não entra nem a pau. É babado. 

As Lagunas Miscanti e Miñiques são mágicas. Além de parecerem uma pintura, têm uma história muito interessante. Elas ficam uma do lado da outra e antigamente elas eram uma lagoa só, enorme. Aí o vulcão Miñiques entrou em erupção e dividiu a lagoa em duas lagoas irmãs. Mas o mistério está nas diferenças entre as duas. Uma tem água doce e a outra água salgada, como pode? Uma é super rasa e a outra tem uma profundidade desconhecida. Uma tem pouquíssimos peixes, outra é rica em vida aquática. Diferentes tipos de pássaros frequentam cada uma delas, inclusive é por conta deles que não podemos nos aproximar das águas. E uma delas congela no inverno e a outra não.

As lagunas irmãs são tão diferentes e igualmente bonitas. Uma metáfora da altitude pra vida. <3Paramos para almoçar num lugar onde dava pra ouvir o rio passando, apesar de não dar pra ver. Entre pedras e uma vegetação rara, comemos nosso Rap10 com palmito, tomate, amendoim, milho e atum, além de mais café solúvel hehehe

Aí eu consegui me distanciar um pouco da turma e sentei de frente pra essa vista da foto aí de cima. Sentei, vi uns pequenos répteis e uns insetos estranhos, e consegui meditar um pouco. Muita natureza desse tour pra absorver, viu?Uma pausa na estrada para ver a lua nascer entre os vulcões <3 E pra observar um pouco do povoado de Socaire, que tem a agricultura como forma de sobrevivência. Imagina, né? Nesse solo, nesse clima, nessas condições, a vida vive e faz viver. Eita que eu tô é poética hahaha :PPor fim, todos já exaustos e dormindo o tempo inteiro na van, o que também é culpa da altitude, paramos no povoado de Socaire. Lá tem uma pequena igreja, uma pequena praça, uma pequena lojinha de artesanato e grandes cactus. Esses enormes, que de tão grandes são usados como madeira em algumas construções, como nessa porta.

Essa capelinha aí é super antiga, não me lembro de quando, mas de antes da invasão dos espanhóis. Eles mantiveram ela, colocaram uma cruz e construíram uma igreja atrás para agradar os católicos invasores. Hoje ela tá assim, acabadinha, mas é um símbolo do povoado.

E depois disso, voltamos para San Pedro. É um tour que dura aproximadamente 12 horas, passa por essa quantidade de lugar lindo, onde podemos ver diferentes bichos, viver diferentes experiências visuais e sensoriais, e onde nenhuma foto vai conseguir traduzir o que vi, vivi e senti por aí.

Voltei meio derrubada pro hostel, onde conheci dois uruguaios super gente boa que estavam voltando da Bolívia. Saímos pra jantar juntos, encontrei uma sopa pra aquecer meu coração e capotei de sono depois. Tava precisando. O segundo dia foi ainda mais incrível que o primeiro, e o Atacama foi ganhando meu amor verdadeiro a cada minuto que passava. <3


san pedro de atacama – valle de la luna e tour astronômico


Quando a gente chega naquele pequeno aeroporto de Calama, no meio do nada, já dá pra perceber: estamos no deserto. Cactos por todos os lados, aquele chão seco de terra, aquele ar diferente de respirar e cachorros por todos os lugares. Sim, inclusive dentro do aeroporto. A chegada é linda, cheguei de manhã bem cedinho e só não vi amanhecer pela janela do avião porque estava dormindo, naturalmente. hahaha :P Mas oh, foi pisar em Calama que eu já senti meu coração bater mais forte. Parece que a aventura tava prestes a começar.

Todo mundo que chega em Calama tá com o mesmo objetivo: pegar um transfer pra San Pedro de Atacama. Vários agentes vão te abordar na saída te oferecendo esses transfers, a dica é ir num dos guichês e escolher uma van dessas empresas oficiais. E outra dica é pechinchar. Sim, dentro do aeroporto nos guichês oficiais. Parece coisa de brasileiro, né? Pode até ser. Eu tava ligada que ia pagar na casa dos 12.000 pesos (+- R$70) pela passagem. Mas aí fiquei na frente de uns brasileiros na fila e ouvi quando um deles disse para a moça algo tipo “aaahh mas um amigo meu veio aqui semana passada e pagou 10.000 (+- R$60)”.  E a moça prontamente baixou o preço. Eu só fiz olhar pra ela e dizer “10.000, né?”, e pronto. Foi isso. :P

A estrada de Calama pra San Pedro é linda, e uma das coisas que mais me chamou atenção foram uns santuários que a galera constrói para pessoas que morreram em acidentes na estrada, sabe? Aqui no Brasil é comum ver umas cruzes, algumas capelinhas com flores e tal. Mas lá o lance parece profissional. São santuários gigantes, alguns a galera coloca o próprio carro e faz uma construção toda robusta em homenagem aos que fizeram a passagem por ali. É meio assustador. Eu tirei umas fotos mas está na leva do que perdi no celular. :( Mas, vida que segue. :)

O transfer deixa a gente na porta do hostel. Como San Pedro é uma cidade muito pequena e só tem basicamente hostels, agências de turismo, restaurantes e mercadinhos, todo mundo se conhece e sabe onde fica tudo. Dá o nome do hostel pro moço do transfer e pronto, desce na porta. Eu fiquei no Hostal Rural, que já tinha reservado pelo booking no Brasil.

O que eu percebi no Atacama é que os preços variam sempre entre “caro” e “estupidamente caro”. O meio termo por lá não existe muito. Esse hostel, por exemplo, que é bem rústico, os quartos compartilhados são pequenos e não tão organizados assim, e tem um café da manhã com o pão mais duro que já comi, café solúvel e geléia dessas de potinho de plástico, por uma diária de +-R$100. Isso pra você dormir num quarto compartilhado com banheiro privativo pra 6 pessoas. Eu boto fé que reservando por lá você consegue até mais barato, mas vi uma galera tendo que pular de hostel em hostel porque as vagas vão lotando e quem não tá com reserva prévia tem que sair. Então acredito que apesar do preço, vale pela garantia.

Como cheguei muito cedo e ainda não tava na hora do check in, deixei meu mochilão por lá e fui dar uma volta na cidade, ver o que tinha pra fazer por lá pra me aclimatar. San Pedro de Atacama fica 2.438m acima do nível do mar, e tem muita gente que sofre com a altitude. Eu tava só me sentindo um pouco mais cansada que o normal. Subia um lance de escada e tava respirando fundo. Fora isso, tava de boas.

No próprio hostel eles oferecem alguns tours, mas a dica é buscar nas agências da cidade e comparar os preços, que podem variar bastante. Outra dica é buscar as agências que ficam nas ruas transversais, porque tudo que fica na rua principal tende a ser mais caro. Entrei em algumas agências, peguei uns folders e a conversa é sempre a mesma: fecha todos os pacotes de todos os dias de todos os passeios que você vai ganhar um desconto maravilhoso e ficar preso com a gente durante toda sua estadia em San Pedro. Cuidado com isso, tá? Os tours são cansativos e às vezes sair emendando um no outro pode ser uma cilada.

Depois de umas rodadas sentei na Atacama Connection e comecei a conversar com a moça. Olhei pra ela e achei o sotaque espanhol meio diferente, depois dela já ter me explicado uns 3 tours diferentes. Aí perguntei de onde ela era, e foi batata: Brasil! Então começamos a falar português felizes da vida, e ela achando que eu era francesa ou espanhola, como a maioria das pessoas pensou durante a viagem. :P Claro que de brasileira pra brasileira os descontos foram maiores e eu agendei praticamente todos os meus tours com essa agência, mas não de uma vez.

Para o primeiro dia o tour de aclimatação é o Valle de La Luna, que não tem uma diferença de altitude em relação a cidade. O tour sai no meio da tarde e vai até o pôr do sol, e a gente percorre cerca de 50km numa van com nosso guia-motorista. No meu caso foi uma mulher, são poucas por lá que comandam os tours. Fui com meus sapatos de trekking porque me avisaram das caminhadas e oh, salvou. Tanto no Valle de La Luna quanto na Cordilheira de Sal a gente anda bastante, sobe uns morro de areia e precisa de muita água pra aguentar o tranco.Não só pelo clima seco, mas pela quantidade de sal que tem em todo lugar por lá, água é seeeempre necessário. Essa formação rochosa aí em cima é conhecida como Três Marias, e a história é que essa menor aí do lado esquerdo na verdade era maior, mas um turista europeu sem noção resolveu chegar junto pra tirar uma foto e derrubou um pedaço desta formação vulcânica milenar. Por isso, algumas áreas desses parques são isoladas e o acesso é restrito. Tudo isso branco é sal. Muito sal. Sal bagarai. Coloquei essa indicação aí da van na estradinha pra tentar dar um referencial de tamanho e amplitude desta vista. Gigante, né não? Enorme e isso é só um pedacinho. Ê mundão bão. <3

Sabe de onde vem todo esse sal? Da época que o nosso mundo estava formando os seus continentes. A Pangéia se separou, as placas continentais deram aquela flutuada marota e quando a placa Nazca se chocou com a placa Sul Americana, emergiu a Cordilheira dos Andes e tudo isso que rodeia a espinha dorsal da América Latina. E como saiu das profundezas do oceano, a gente encontra muito sal e tem alguns pesquisadores que encontraram até fósseis marinhos no alto da Cordilheira. Massa, né? :)

Durante esse tour a gente vai na Cordilheira de Sal, na Caverna de Sal, e eu tive a sorte de estar dividindo o rolê com Tim, um alemão que mora no Equador e é super gente boa. Ele é uma pessoa super sensorial, então estava o tempo todo sentindo a textura das diferentes areias, pedras, superfícies por onde a gente passava. Isso me despertou essa curiosidade e foi massa ir tocando nas coisas e tendo essa sensação diferente das texturas. As formações de sal são impressionantes! Algumas vezes parecem cristais. Sim, eu passei a mão no sal e botei na boca, com sujeira e tudo. Tô vacinada e tomo remédio de verme pra isso hahaha :P O céu azul e esse sol todo podem esconder umas surpresas, mas nesse dia estava quente mesmo. As caminhadas e subidas ajudaram também, eu estava suando! De regata e calça, e pingando. Mas eu tinha sido avisada para levar casaco que ia esfriar, ele tava na van me esperando. Depois da gente andar tudo e a nossa guia Nadia nos mostrar coisas lindas e nos sugerir agradecer a Pachamama por toda a experiência, fomos ver o pôr do sol. QUE PÔR DO SOL INCRÍVEL! <3

A vista lá de cima é estupenda, os relevos são super diferentes, dá pra ficar olhando por horas descobrindo formas, texturas, tudo. O queixo caiu e até o fim da viagem não levantou mais. Pena que nenhuma foto consegue mostrar, sério.É só o sol começar a baixar que o frio começa a bater, instantâneo. E aí venta muuuuito! Aquele vento de clima seco, frio cortante, é babado. É bom levar algo pra proteger o rosto e a garganta, além das orelhas. Eu tava com um negócio que comprei em Santiago e não sei como chama, mas é tipo uma gola que a pessoa pode fazer de gorro ou colocar também na cara. Bem quente e útil pra esses casos. :P Coloquei o casaco corta-vento carinhosamente emprestado pela amiga Flavinha que já tinha feito essa viagem e pronto. Consegui ver o pôr do sol feliz, apesar do frio.

O sol se põe de um lado e deixa a Cordilheira dos Andes toda laranja, o Lincancabur todo maravilhoso colorido, é um espetáculo que não consigo descrever. Sério. Quando o sol se recolheu, nós também nos recolhemos. Hora de voltar pra San Pedro morrendo de frio dentro da van. Chegando lá saí pra jantar com Tim, pois tínhamos agendado para a mesma noite o tour astronômico. Quando cheguei no Atacama a lua estava crescente e bem crescidinha já, o que não é legal pra observação astronômica. Nunca pensei que fosse ficar triste com o brilho da lua, viu? Hahaha :)

Algumas agências nem vendem o tour astronômico na lua cheia, por exemplo. Em noites sem lua é fácil ver a Via Láctea a olho nu, além das constelações e estrelas cadentes mil. O Atacama possui o maior  observatório astronômico do mundo, e atrai estudiosos de todos os lugares.

Jantei um delicioso sanduíche de creme de abacate com tomate e queijo, e fomos para a agência esperar sair a van para as estrelas. :) A gente se afasta até um telescópio que fica longe das luzes da cidade, pra melhorar a visibilidade. O frio é grande e eles distribuem uns cobertores, chá, chocolate quente e café, além de uns bolinhos e bolachas pra gente não se concentrar só no vento que tá levando na cara hahaha :P

O guia tem um laser point que é babaaaado! Ele consegue apontar para as estrelas e constelações, desenhando bem direitinho o que ele tá explicando. Aí dando uma olhada aqui no meu diário, pra escrever esse post, anotei que a primeira constelação que ele mostrou foi Sirius Black, que é o nome “original” de Gato Gil, meu gato mais velho. <3 Na sequência ele mostrou as constelações de Gêmeos e Leão, eu e Malu, minha irmã. <3 Acho que eu tava bem sentimental esse dia hahaha

Depois ele começa a apontar o telescópio para alguns planetas e estrelas, e a gente se reveza pra olhar. Eu vi Júpiter e 3 luas e várias outras coisas. Levei um choque no olho quando fui ver a lua, por conta da estática do deserto. Pense num susto! Aí quando ele aponta pra lua ele pega os nossos celulares e faz uma foto pelo telescópio, que é o nosso souvenir, já que não dá pra tirar fotos por lá porque é completamente escuro. Até tentei com a câmera, suando baixa velocidade, mas sem sucesso. É breu total.Cheguei no Atacama com o pé direito. Energia do sal, da terra, do sol, da lua, das estrelas. Eu sou mesmo abençoada. Gracias, Pachamama! <3


santiago – leftovers


Como disse desde o primeiro post da viagem, meus relatos aqui não são pra ser um roteiro, dia por dia. Apesar disso, tem um monte de dica entre os posts de Santiago que podem ser levados em conta pra quem vai fazer uma visita na cidade. 

Depois do Lollapalooza eu só tinha mais um dia em Santiago antes de embarcar para Calama, e foi um dia curto já que me dividi entre lavar roupa, arrumar mala e organizar a vida e dar uma última volta na cidade. Então vou reunir aqui algumas coisas que lembrei sobre meu tempo em Santiago.

Transfer de ida e volta pro Aeroporto

Assim que cheguei em Santiago fui num guichê de informações turísticas no aeroporto e perguntei qual era a melhor forma de ir pro Centro. Ela me disse que podia ser de taxi, que não era recomendado, ou que fosse de transfer, umas vans que ficam saindo de poucos em poucos minutos e deixam na porta do hotel, hostel ou apartamento. Foi minha opção. Paguei 10.000 pesos +- R$58), se não me engano, e a van me deixou na porta do prédio do Airbnb. Na volta, eu e Felipe pegaríamos os vôos no mesmo horário. Eu para Calama e ele de volta para Recife. E como era de madrugada, resolvemos dividir um Uber. Foi bem tranquilo também.

Taxi é treta

Só pra reforçar mesmo, que não é bom pegar taxi em Santiago. Eles entregam notas falsas, te cobram mais do que devem, te roubam trocando notas mais altas por mais baixas, entre outras picaretagens bem conhecidas por lá. Então, evitem!

Estações de metrô com arte em toda parte

As estações de Metrô de Santiago podem esconder lindas obras de arte. Então vale dar uma volta em um horário que não seja de pico, para conhecer um pouco, especialmente as maiores.

Palta, palta everywhere!

Eu acho que da primeira até a última refeição que fiz em Santiago, eu comi abacate. Engraçado, porque eu nunca fui de comer abacate no Brasil. Não gosto da vitamina, nunca tinha comprado um abacate, adoro guacamole mas nunca tinha feito e nem experimentado o abacate em outras comidas salgadas, até conhecer o Chile. E minha relação com essa fruta mudou completamente. Tudo bem que lá o abacate é o avocado, pequeno, da casca preta e muito mais suculento! O daqui é mei aguado, mas dá pro gasto. Então, fica a dica pra perder o preconceito e se jogar na palta!

Torta Tres Leches

Foi uma das coisas mais gostosas que comi por lá! Que sobremesa deliciosa. Essa é do Bar Radicales, o mesmo lugar onde almocei esse prato aí de cima. O lugar é massa, vale a visita. Tem cinema, sex shop, tabacaria, hostel, além de ser um bar com bebidas e comidas deliciosas. Valeu a dica, Marília!

Não confunda ají com ketchup

Lá em Santiago eles têm o delicioso costume de colocar ají (pimenta) em tudo. Eles fazem um molho delicioso de pimenta, e eu que adoro essa especiaria, me faço. Mas, claro, que vou experimentando, botando minha medida, conhecendo cada molho. Até que eu fui tomar café da manhã (CAFÉ DA MANHÃ, po!) num lugar chamado Dominó, que super indico.

Bom e barato, pedi um sanduíche de queijo e palta (sempre) e resolvi que ia experimentar colocar mostarda escura. Tinham 4 bisnagas na mesa. Uma amarela de mostarda, uma marrom de mostarda escura, uma vermelha e uma verde. Qual minha lógica? A vermelha é ketchup, claro. Então depois de experimentar a mostarda escura bem gostosa, fui experimentar o ketchup. ERA AJÍ! Minha gente, que sacanagem. Eles colocam o ají na bisnaga vermelha e o ketchup na verde. QUAL A LÓGICA? Chorei, claro. Então fiquem atentos, especialmente se forem sensíveis. :P

A comida de rua é massa

A primeira coisa que comi na noite que cheguei foi um hambúrguer de soja que é vendido em uns coolers no meio da rua. Se eu tivesse sozinha talvez não tivesse arriscado assim de primeira. Mas como estava com Gustavo e ele me indicou e era bem barato, tipo uns 800 pesos (R$+-4,70) eu experimentei e adorei. Você ainda escolhe o molho, é suculento e grande.

Uma amiga que morou lá disse que os sushis que vendem na rua são bons também, mas esses eu não experimentei. Também comi em barraquinhas na rua, comprei empanadas na porta do metrô, e não tive aperreio com a barriga em momento algum. Então vale a experiência de comer bem e barato, sem preconceito.

O clima é muito seco

Isso deve ser uma das coisas que mais devemos lembrar antes, durante e depois de passar por Santiago. O clima seco resseca a pele, a boca, a alma. Então mesmo que você ainda não esteja sentindo a boca ressecada ou coisa assim, é bom ficar usando protetor labial. Se não, em poucos dias, sua boca vai rachar. Também é bom não economizar no hidratante corporal, soro para o nariz e para os olhos e lembrar de beber muita água.

Os horários das coisas são estranhos pra mim

A cidade acorda mais tarde, as lojas abrem mais tarde, tem loja que abre no fim da tarde, tem vendedor de rua chegando na rua fim de tarde… E as coisas não parecem ter um padrão. Tipo, as lojas de uma rua abrem cada uma num horário, no mesmo centro comercial tem loja abrindo, loja fechando, é uma viagem. Então, se você quer visitar algum lugar específico, ou alguma loja, é bom confirmar o horário de funcionamento pra não se surpreender.

Bem, depois de 6 dias na capital chilena, foi a hora de embarcar para Calama, o aeroporto mais próximo de San Pedro de Atacama. Vai começar uma outra etapa da viagem, totalmente diferente. Trocar o quarto particular do Airbnb pelo compartilhado do hostel, a cidade grande pelo povoado, os prédios, metrô e asfalto pela energia do deserto. Spoiler: foi incrível!

E se tiverem dúvidas sobre a cidade, é só comentar aqui. Se eu souber, vai ser um prazer ajudar. :)

 



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