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santiago – as boas e as bads do segundo dia


No meu segundo dia em Santiago eu já tinha programação: ir na vinícola Concha y Toro. Vários amigos tinham feito esse passeio, e eu também tinha lido em alguns blogs, e todos diziam que valia a pena os 12.000 pesos (+-R$70) pagos. Aí fui lá conferir.

Peguei um metro na estação Baquedano sentido Las Mercedes, a última estação da linha verde. Chegando lá peguei um microônibus até a porta da vinícola, o acesso é super fácil. E agora eu vou abrir um parênteses para contar uma bad que rolou, que eu já relatei no meu Facebook pessoal, e vou compartilhar aqui também.

Eu já tinha sacado que Santiago é bem machista, já tinha ouvido gracinhas andando na rua e já tinha ouvido de outras mulheres histórias desse tipo de assédio verbal e de como os caras são ozzy. Mas, infelizmente, nada de novo pra quem é mulher numa cidade grande, sabe? É triste dizer isso, mas a gente “se acostuma”. Quando me perguntaram se aqui as pessoas são educadas, eu disse que no geral sim. Respeitam a faixa de pedestre, dão informação, dividem os espaços. Mas disse também que assediam as mulheres tanto quanto ou mais do que em Recife. Mas nesse dia aconteceu algo que nunca tinha rolado comigo.

Um cara sentou do meu lado nesse metro que peguei pra vinícula e quando vi, ele tava alisando a minha perna. Botando a mochila dele em cima da mão pra disfarçar, ele tava ALISANDO MINHA PERNA. Quando reparei, dei um grito. “ESTÁS LOCO?!”. Isso foi bem quando o trem se aproximava de uma estação, onde o tarado rapidamente levantou e desceu. As pessoas olharam, ficou um clima estranho e eu tava com um misto de sentimentos. Fiquei pensando mil coisas sobre isso de viajar sozinha.

O metro pegou a superfície e do lado de fora tinha uma manhã linda acontecendo, enquanto a gente se afastava do centro da cidade e ia mais pra periferia, e a paisagem mudando. Mas eu mal conseguia contemplar. Estava me sentindo envergonhada, suja, fragilizada, com medo, puta da vida. Foi uma sensação terrível.

Mesmo numa cidade tão cosmopolita, com tanta coisa que dá mais liberdade ao povo, com uma cabeça tão aberta e com tantos outros “mas” que posso encontrar, constatei na pele que o machismo não depende de classe, cor ou credo. É além e em muitos mais espaços que a gente imagina.

Pois bem, dito isso, vamos para a vinícola.

concha y toroconcha y toro 7concha y toro 8Eu já tinha reservado meu horário do Brasil mesmo, cheguei lá só pra fazer o pagamento. Você reserva no site e é bom fazer isso com antecedência especialmente se for em alta temporada. E também porque é mais fácil de você se organizar nos seus horários. Tem gente que chega pra reservar na hora e precisa esperar 1 ou 2 horas pra sair o tour no idioma que quer. Eles oferecem tour em inglês, espanhol e português, o que facilita muito o entendimento.

A visita começa com uma caminhada até essa casa maravilhosa, que era a casa de veraneio da família que fundou a Concha y Toro. O lugar lá é lindo. Enorme, cheio de árvores maravilhosas, um lago, flores, pássaros, é realmente muito bonito. Depois passamos pelo “Jardim de Variedades“, que é um lugar com todos os tipos de uva que existem no Chile. TODOS. Se é um tipo de uva que dá no Chile, tem lá.

Aí é quando o guia pega um cacho de uvas pra gente fazer esse tipo de foto turística ridícula típica haha E também quando a gente pode andar pelo jardim, escolher alguns tipos de uva e experimentar. É massa ir caminhando por lá, catando as uvinhas (elas são tão pequenininhas!), sentindo as diferenças no sabor, é bem interessante.

Depois vamos para a nossa primeira degustação, que é um vinho branco e quando a gente ganha a taça de presente. Tomamos todos os três vinhos da degustação nela e depois podemos levar pra casa, o que foi um desafio pra mim. Estava no começo da viagem, ainda tinha uns 20 dias e mais dois países pra visitar. Tinha certeza que ia quebrar na primeira oportunidade. Mas, contrariando todas as expectativas, trouxe ela inteira pra casa! \o/

concha y toro 6concha y toro 5concha y toro 4A parte do Casillero del Diablo é a mais esperada do tour. A gente já tinha visto os outros barris e durante toda a caminhada na parte interna a climatização é artificial, ou seja, ar condicionado topado. Leva o casaco que faz frio sim! E na parte do Casillero del Diablo, que é embaixo e toda de pedra e tijolos originais, o frio que faz é totalmente natural, o que começa a dar o clima “tenso” da visita.

A brincadeira toda é em torno do diabo, claro. Então chega uma hora que o guia sai, diz que só ficam os corajosos e todas as luzes se apagam. Começam projeções dentro do espaço, efeitos de som, de luz, e a história de como se originou o nome Casillero del Diablo é contada no idioma que escolhemos o tour. É massa. :) Então seguimos para a terceira e última degustação da visita e somos deixados dentro da loja, claro.

Os vinhos lá são realmente mais baratos que a média dos outros lugares. Conheci Diego, um carioca que tinha ido pra Santiago para a maratona que ia rolar no domingo e estava bem disposto a comprar os vinhos. Então ele me mostrou um app onde ele comparava os preços e alguns que custavam 300 reais e lá estava por menos de 100. Pra quem gosta de vinho bom e pode comprar, vale a pena reservar uma grana pra isso. Como eu ainda tinha muita estrada pela frente, pulei a parte dos souvenirs.concha y toro 2Depois do episódio triste do metrô, colei com Diego pra gente voltar juntos. Nós dois íamos pro centro. Eu tinha ficado de encontrar Gustavo pra almoçar, e terminamos indo comer os três juntos. Seguindo a indicação de Gustavo, que disse que a melhor comida peruana está no Chile, fomos comer no El Encuentro Peruano, que fica perto do Mercado

O lugar não é barato, é um preço aproximado do Mercado, mas posso dizer sem dúvidas que foi minha melhor experiência gastronômica no Chile.

el encuentro peruanoel encuentro peruano 2el encuentro peruano 3Gustavo pediu um arroz de frutos do mar, eu pedi esse ceviche misto (sin cilantro!) que é uma montanha de comida, e Diego pediu um arroz de camarão. Todo mundo comeu de todos e ninguém conseguiu dizer qual era o melhor. Todos eram simplesmente sensacionais! E claro que pedimos um pisco tradicional pra brindar e também estava incrível! E pisco é pau, você toma um e já consegue sentir o brilho.

Os pratos são muito bem servidos, saí de lá suuuper cheia! E eu já sabia o que queria fazer na sequência: visitar o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos. E tenho que dizer que foi uma péssima escolha pra quem estava de barriga cheia. Sério, não é brincadeira. É um museu com uma história muito difícil de digerir. museo de la memoria y los derechos humanosNão pode tirar fotos lá dentro, e do lado de fora não tem muita coisa. Mas tem a declaração de direitos humanos ao redor das paredes que é bem interessante, mas que foi mais uma das fotos que perdi no tilt do celular. De toda forma, fiz esse registro do lado de fora pra não passar em branco.

O museu é foda. Todo interativo, conta a história por trás (e por todos os lados, na real) da ditadura Pinochet. Tão recente, tão forte, tão triste, tão importante de todo mundo conhecer. Achei incrível a cidade ter um museu dedicado a esse tipo de memória, sabe. Eu tenho certeza que não consegui absorver muita coisa, justamente porque tinha comido muito, comecei a ficar enjoada, com um sono estranho, realmente não aproveitei como poderia e como deveria. Mas saí de lá com a certeza que foi um dos museus mais interessantes que já visitei.

Saí mexida, balançada e tudo que eu queria era respirar um pouco, caminhar, não queria pensar pra onde ir e nem o que fazer. Eu sabia que os outros museus que ficam no Parque Quinta Normal estariam fechados por conta da hora, mas foi pra lá mesmo que eu fui. É um parque do outro lado dessa avenida, na frente do Museo de la Memoria y los Derechos Humanos.

parque quinta normal 5parque quinta normal 4parque quinta normal 2parque quinta normalparque quinta normal 3parque quinta normal 6museo artequinEntão comecei a andar, pensar, agradecer, fotografar, e ver se esse movimento me ajudava a relaxar a mente, o corpo e o coração depois de tanta coisa que tinha acontecido nesse dia que estava tão curto (porém tão longo) até então. Resolvi relaxar com a hora, relaxar com o fato de não ir visitar nenhum lugar especificamente ali, eu só queria andar.

O Parque Quinta Normal é lindo, enorme e com mil coisas diferentes pra ver. Tem jardins temáticos, tem lago com pedalinho, tem uma basílica enorme do lado de fora, tem fontes, flores, palmeiras, quadras de esportes, esculturas e muitos museus. Lá ficam o Museo Ferroviario, o Museo Nacional de Historia Natural, o Museo de Ciencia y Tecnologia, o Museo Artequin e o Museo de Arte Contemporáneo. Depois que passou esse dia eu fiquei desejando voltar lá para visitar os museus abertos, mas não rolou. Tudo bem, tenho uma certeza dentro de mim que volto a Santiago ainda. :)

Saí de lá pra cumprir uma missão: voltar no Costanera Center (aquele prédio mais alto da América Latina), pra pegar minha pulseira do Lollapalooza. Vacilei no dia anterior e não levei minhas coisas impressas pra pegar, aí tive que voltar lá. A FILA ESTAVA CAÓTICA GIGANTE ENORME SOCORRO. Foi uma lenda até conseguir trocar, abastecer a pulseira e sair correndo dali.

Nesse dia, meu amigo Felipe, de Recife, estava em Santiago, depois de ter feito exatamente o caminho inverso ao que eu estava fazendo. Ele tinha acabado de voltar do Atacama depois de fazer o tour do Salar de Uyuni. Então marcamos de tomar uma cerveja à noite pra conversar e eu pegar as dicas que ele tinha pra me dar sobre meus próximos passos.

Fomos tomar uma cerveja na Calle Pio Nono, que tem um campus universitário por perto, ou seja, a certeza de opções baratas para comer e beber. Eu, que não estava conseguindo muito pensar em comida desde o ceviche do almoço, resolvi que ia comer algo barato na rua mesmo. Então parei numa barraquinha de cachorro quente e, como não como carne, fui ver o que tinha pra mim. É massa ver que nos lugares mais simples a galera se preocupa em colocar uma opção vegetariana.

Então o tradicional dogão de lá tava no cardápio como “completo” e o último do cardápio era um “quesopleto“, que nada mais é que um cachorro quente completo onde no lugar da salsicha tem queijo. Perfeito pra o que eu queria. Pão, queijo, palta (o creme de abacate que eles colocam em tudo) e pimenta. Comi em pé, assistindo uma apresentação de um batuque brasileiro feito por chilenos, e fiquei muito bem alimentada por 1000 pesos (+- R$5,80).

Sentamos num bar qualquer pra tomar Escudo Litrão e jogar conversa fora. Foi quando eu me senti super local em Santiago. Estávamos numa mesa na calçada e então passou um casal que tinha conhecido na minha primeira noite na cidade, e vieram me cumprimentar. Depois, passou Gustavo por acaso por lá. Me senti em Recife, que você sai encontrando as pessoas em qualquer lugar que você vai. :P

Bebemos muito, conversamos muito, ficou muito frio e voltamos pra casa de madrugada, andando, tranquilos. É massa essa sensação de segurança. Pode nem ser seguro assim, posso mesmo ter dado sorte. Mas depois dos momentos pesados que tinham rolado no meu dia, esse fim de noite salvou demais.

Brigada, Felipe! Tu foi demais. :)

Tava na hora de descansar que no outro dia começava o Lollapalooza. Posto sobre isso ainda essa semana. :)

E aí, tá gostando dos relatos sobre Santiago? Tem dúvidas? Quer mais informações? Comenta aqui! :D


a culpa nunca será nossa


Me culpei por não conseguir escrever nada sobre o assunto

Me culpei por mal conseguir falar sobre o assunto

Me culpei por mal discutir sobre isso com meu namorado, com meus amigos homens

Me culpei por ter postado comida ao invés de textão

Me culpei por ter apetite, até que passou

Agradeci por meu Facebook estar fora do ar, e me culpei por isso

Me culpei por rir de um seriado

Me culpei por ter vontade de transar

Me culpei por não ser da corrente feminista que acredita que somos todas irmãs

Me culpei por chorar repentinamente enquanto tentava trabalhar

Me culpei por conseguir trabalhar, até que não consegui mais

Me culpei por ter conseguido dormir sem pesadelos

Me culpei por ter desejado que ela não tivesse sobrevivido pra não ter que carregar esse peso pro resto da vida

Me culpei por querer que cada um dos 33 tivesse uma morte lenta e dolorosa

Me culpei por querer que esse episódio estivesse nos livros de história

Me culpei por pensar que precisa acontecer esse tipo de coisa pra algo poder mudar de verdade

Me culpei por gostar de homem

Me culpei por acreditar em homens que tentam ser melhores

Me culpei por pensar que eram monstros e era loucura, até entender que são homens sãos em sua consciência agindo por escolha

Me culpei por nunca ter sofrido um abuso sexual físico

Me culpei por não saber que tenho amigas que foram estupradas

Me culpei por não saber o que dizer pra elas quando soube

Me culpei por não achar que meu choro era legítimo

Me culpei por não sair respondendo comentários machistas nos posts sobre o assunto

Me culpei porque sou mulher e desde sempre aprendemos que a culpa é nossa. Da nossa roupa, das nossas escolhas, das nossas companhias, da nossa atitude, da nossa falta de atitude.

NÃO É NOSSA CULPA.

A culpa nunca é da vítima. NUNCA. A cultura do estupro está dentro das nossas casas, na nossa família, na nossa escola, na nossa educação. Ela está presente naquelas cantadas nas ruas, naquele compartilhamento de vídeo íntimo no whatsapp, naquela piada que você diz ser só uma piada, naquela frase que você solta sem perceber que está diminuindo a mulher, está nos portais de notícia que descredibilizam o assédio, está na sua fala quando você diz que estamos exagerando, está no seu silêncio quando vê um amigo passando dos limites e não faz nada, está na sua vergonha em dizer que isso está errado e sair de careta. A cultura do estupro está nas suas mãos.

Uma mulher é estuprada a cada 3 horas no Brasil! O Caso dos 30, como está sendo chamado, foi um dos 8 casos do dia. UM.

Espero, de coração, que este caso seja um DIVISOR DE ÁGUAS. Que algo realmente mude na sociedade, na cabeça das pessoas. Que mesmo com tanta coisa ruim rondando sobre isso, que ele traga união feminina, que leve a consciência feminista para os homens, para as famílias, para as escolas. Que não seja esquecido. Que continue incomodando. Que continue doendo. Porque, só assim, vamos lembrar que a mudança está nas nossas mãos.

VAMOS SER A MUDANÇA. Pela menina de 17 anos estuprada por 33 homens, e por todas as outras mulheres. Crianças, idosas, de todas as idades, cores, credos. PELAS MULHERES.

Por favor. Por amor.


vamos falar sobre o dia da mulher


Eu nunca levantei bandeira do feminismo. Isso porque eu acho que esse termo carrega tudo de bom e tudo de mau ao mesmo tempo. Eu não me identifico com vários atos tachados de feministas, com vários pensamentos de ícones feministas, entre outras coisas. Acho um rótulo pesado, mas que tem ganhado bastante espaço nos últimos tempos. Ainda bem. Porque mesmo que eu não goste muito do termo, tenho que admitir que ele vem abrindo o caminho para discussões de gênero que são tão, mas tão importantes na nossa sociedade.

Quem me acompanha no Facebook volta e meia pode ver alguns posts meus (posto textão mermo) com desabafos sobre os assédios que eu (e todas as mulheres do mundo, isso, MUNDO) sofrem diariamente nas ruas. Há um tempo eu decidi que preciso fazer a minha parte diante desse cenário, e venho respondendo aos homens com o objetivo de constranger mesmo. Ouvir seus “fiu-fius” calada estava a ponto de me dar uma úlcera, então resolvi que ia falar. E falo mesmo. E falo sempre. Andando, pedalando, no ônibus, onde for. Respondo dizendo que isso é assédio e que um dia ele pode ser preso por isso, que mulheres não gostam desse tipo de “elogio”, que isso agride e incomoda. E as reações são as mais diversas. Aqueles que fingem que não falaram nada, aqueles que dizem que eu tô doida por não gostar de ser chamada de linda, aqueles que agressivam dizendo que “é gostosa mesmo e tem que ouvir”, entre outros mil. Mas uma coisa eu tenho certeza: eles não esquecem.

Dia desses voltava de uma farra de taxi, já de manhã, e reparei que o taxista buzinava para as mulheres que passavam na rua e dava aquela boa e velha SECADA. E isso foi me incomodando muito até que eu perguntei “porque o senhor buzina para as mulheres na rua?”, e esse homem gaguejou tanto pra dizer que conhecia aquela mulher, que era amiga dele, mas que ela nunca veria ele e porque o vidro era muito escuro, mas que depois ele ia dizer que buzinou e…. Pronto. Estava constrangido, envergonhado. E quando eu desci do taxi ainda disse “Não buzine mais para as mulheres não, isso é feio e elas não gostam”, e mesmo com ele repetindo “mas era amiga minha” eu só respondi mais “então guarde essa mensagem pra você” e fui embora. Ele vai parar de fazer? Provavelmente não. Mas ele vai lembrar disso, eu tenho certeza. E quanto mais mulheres responderem a ele, constrangerem ele, ele vai diminuir. Ao menos, tenho essa fé.

E eu sei o quanto pode ser perigoso reagir a um assédio. Mas sei também que é perigoso ouvir calada, porque isso dá cada vez mais poder a esse machismo violento. É de um assédio verbal que nascem outras formas de agressão, então perigoso mesmo é ficar calado. Não por você, mas por todas as mulheres. É assim que eu penso e é daí que eu tiro forças para falar, responder, agir.

De um tempo pra cá notícias, campanhas e projetos ao redor do mundo estão pipocando sobre o assédio verbal. O mais famoso deles aqui no Brasil, que vai virar um documentário depois de ser patrocinado pelo Catarse, é o Chega de Fiu-Fiu, que tem um material maravilhoso sobre o tema. Lá tratam de vários outros tipos de agressão, inclusive a virtual que também é sofrida por muitas mulheres, inclusive as que defendem ideias feministas. Teve até uma matéria sobre isso aqui.

Esse outro vídeo foi feito por uma ONG mostra como pode ser insuportável ser uma mulher nas ruas de Nova Iorque.

E ainda tem essa artista maravilhosa, Tatyana Fazlalizadeh, que colocou nas ruas a resposta das mulheres aos assédios dos homens, no projeto Stop Telling Women do Smile. Porque arte é sempre uma arma maravilhosa contra a violência.bk

Enfim, campanhas e projetos não faltam. O que eu queria mesmo era deixar a minha humilde mensagem e experiência. De uma ínfima parte do que representa a luta feminina (e não feminista) diária. Vamos responder. Vamos educar. Vamos envergonhar. Vamos gritar, se precisar. Mas não vamos ouvir caladas as agressões que sofremos todos os dias. Porque é de grão em grão que a gente chega lá.

Ah, e finalizo aqui o post com esse vídeo maravilhoso da ativista Maynara, do projeto Empodere Duas Mulheres, que faz um resgate do que é o Dia Internacional da Mulher. Que não é um dia para se comemorar, é um dia para se discutir e se questionar o papel da mulher na sociedade. Vamos lembrar de como esse dia nasceu e que ele não pode ser engolido por flores, chocolates e anúncios de marcas que querem transformar uma data tão importante na história, num dia a mais do calendário comercial.

E pro seu Dia da Mulher eu não desejo parabéns. Desejo sorte e força, porque é disso que precisamos.



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