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sim, é uma filha


Desculpem os papais e mamães que tem seus rebentos, mas pra mim cachorro é igual a filho. Quando Chica veio pra cá filhote, um pedaço redondo de pelo preto, nossa vida mudou. Eu e Paolo nos revezávamos para limpar xixi e coco, igual aos pais. Acordamos de noite com ela chorando, sofremos para educar, levamos ao médico, gastamos o dinheiro que fosse preciso para ela ter conforto e saúde, igual aos pais. Mimamos ela demais, igual a alguns pais, e abrimos mão de viagens e outras coisas para ficar com ela, como muitos pais.

Eu chamo Chica de filha. Ela corre pra mim quando quer segurança ou manha, igual a uma filha. Ela me pede colo enquanto eu estou trabalhando e quer dormir agarrada em mim, igual a uma filha. Ela precisa de atenção, de carinho e de dedicação, igual a uma filha. Chica sente quando estamos tristes e faz de tudo para nos alegrar, como todo filho.

Eu não quero escrever aqui algo sobre a relação dos donos com os seus cachorros, e sim um pouco da minha relação com a minha filha. Ontem eu e Paolo fomos ao show de uns amigos nosso, encontrar outros amigos que há muito tempo não víamos. Tinha tudo pra ser uma noite feliz, instigada, animada, mas enquanto todos estavam se divertindo, eu tentava balançar o corpo ao som da música mas a minha cabeça estava em casa. Estava em Chica. Como muitos pais fazem. E tudo que eu quis naquele momento foi poder ligar pra casa e falar com ela, para perguntar como ela estava.

Chica está doente, com a famosa doença do carrapato. Eu imagino que quando você leu isso você pensou: puta que pariu, que merda. E foi assim que eu vi as pessoas reagindo ao falar que ela estava doente. Muita gente já teve experiências ruins com essa doença, muitos pais perderam os seus filhos pelo carrapto, e eu já chorei muito por isso.

Me culpei como toda mãe, me perguntei onde eu errei como toda mãe. Fiquei com peso na consciência de sair e deixar Chica em casa, mesmo sabendo que a minha presença não iria melhorar muito o seu quadro médico. Hoje ela entrou para o antibiótico e para o remédio de fígado, suas plaquetas estão muito baixas e ela está muito fraca. E eu só estou escrevendo isso porque eu sou mãe, e estou chorando pedindo forças para que ela passe por isso sem nenhuma sequela.

Eu sei que os posts de sexta-feira deveriam ser felizes, para começar o fim de semana alegre, mas eu me culpo por qualquer alegria que eu venha a sentir. Porque eu sou mãe e minha filha está doente. Essa é a minha última sexta-feira de férias, o meu último fim de semana de férias, e tudo que eu quero é ficar em casa cuidando de Chica. Não quero sair, não quero viajar, não quero beber nem me divertir com os amigos. Eu só quero que minha filha fique boa. Só isso.

Também aproveito para agradecer a veterinária Alessandra Corrêa, que nos atendeu com o maior carinho e atenção. Explicou detalhada e pacientemente todas as possibilidades, todos os cuidados, todos os remédios. Tirou sangue para o exame que Chica nem sentiu, e tratou nós três, eu, Paolo e Chica, como todo médico deveria cuidar de toda família. Eu não tenho palavras para agradecer, Alessandra foi um anjo. Que mesmo trazendo uma notícia ruim, vai fazer com que, daqui a pouco tempo, seja uma notícia ótima de que ela está recuperada.

Desculpem o desabafo, mas como eu sempre disse, esse blog é a minha terapia. Eu já escrevi sobre minha mãe, meu pai, meu irmão, minha irmã e meu marido. Eu só precisava escrever sobre a minha filha, que eu não amo menos do que qualquer outro membro da família.

Fica boa filha, por favor.



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