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o dia que eu achei que meu coração ia parar


Ontem eu estava sozinha em casa. Voltei mais cedo do happy hour da agência, que estava comemorando a chegada de um novo cliente, porque ainda tinha outras coisas de trabalho para terminar. Paolo na pelada com os amigos, não ouviu o celular tocar quando eu liguei desesperada.

Comecei a ter uma taquicardia muito forte. Eu, asmática de criança e ansiosa de nascença, conheço bem uma boa taquicardia. E essa era das fortes. Tentei respirar fundo, respirar leve, mas nada estava adiantando. Com a notícia que eu recebi semana passada, de que sou fortemente alérgica a muito mais coisas do que eu esperava, achei que estava tendo um choque anafilático ou coisa do tipo.

Na mesma hora senti a garganta fechar e comecei a tremer muito. Muito mesmo. Tanto que eu não sei como consegui pegar o carro e sair de casa dirigindo até o hospital. Instinto de sobrevivência, talvez. Larguei o carro em qualquer lugar do estacionamento e entrei na emergência perdida, pelo lado errado, entrando e saindo de corredores até achar a recepção.

Minha boca tremia tanto que eu mal conseguia falar. Só consegui pedir “por favor, eu estou passando mal, me ajude”, e a moça pegou meu documento e me encaminhou para um cardiologista. Eu me debatia na cama de tanto tremer, parecia que estava tendo uma convulsão. É terrível não ter controle dos seus músculos, enquanto eles teimam em se debater.

Eu conseguia sentir as terminações nervosas em todo o meu corpo. Pareciam pequenos pontos que ardiam a cada tremida do meu músculo. E a água derramava enquanto eu tentava molhar a minha garganta seca. Me colocaram no soro e me deram um comprimido para pressão, que estava um pouco alta.

Os espasmos aumentaram e eles resolveram me dar o bom e velho rivotril, pra ver se eu me acalmava. E os tremiliques foram diminuindo até que estava difícil manter o olho aberto. E enquanto eu estava ali, sozinha, numa cama de hospital, eu pensei na minha vida inteira. Como naqueles filmes que quando você vê a luz, um filme da sua vida passa na sua cabeça.

Eu não vi a luz e espero que não tenha chegado nem preto dela, mas a sensação foi tão ruim que eu comecei a repensar uma série de conceitos. Se eu estava me preocupando com o que realmente importava. Com eu estava distribuindo os pesos das minhas angústias.

Eu, que sempre fui uma cadela alfa, coloquei o rabinho entre as pernas e me entreguei ao estresse. Exatamente isso. O médico disse que eu tive uma descarga nervosa, ou um xilique, como diria a querida Nenê de A Grande Família. E eu fiquei pensando que eu dou importância demais a certas coisas e a certas pessoas.

Tenho cereza que esse hábito vai ser muito difícil de mudar. Muito mesmo. Porque eu sou assim, nervosa, agoniada, angustiada ansiosa. Mas eu não quero passar por isso de novo. Não quero sentir meu coração querer sair do peito sem ser por uma paixão. Não quero me tremer sem ser de frio ou de prazer. Não quero chorar sem que o motivo realmente mereça minhas lágrimas. Não quero valorizar as pessoas mais do que a mim mesma. Preciso pensar mais no meu coração, e não só nas pessoas que eu deixei morar dentro dele.

Desejo um dia calmo e cheio de hamornia para todos. Porque é o que eu desejo para mim mesma também.



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