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macarons: a tentativa entre irmãos


Desde que eu fiz aqui os biscoitos de amêndoas ao perfume de limão que Fabinho me diz que quer fazer os tais macarons. Aquele docinho francês que é tão delicado quanto lindo e gostoso. Então, quando ele estava pra chegar aqui em casa, fui comprar as amêndoas porque ele iria fazer a primeira tentativa aqui, comigo. E assim foi. E foi ótimo :)

Algumas coisas para esclarecer sobre essa receita:

1. Ficaram feinhos mas são deliciosos;

2. Os macarons entraram, junto com sushi e nhoque, para a lista de comidas que eu prefiro pagar pra comer do que tentar fazer :P

3. Eu não tinha ideia de como macaron é puro açúcar :O

4. Nossa receita foi levemente improvisada, então não levem ela como guia ao pé da letra.

Esclarecimentos feitos, vamos ao que interessa. Para a massa você vai precisar de 350g de açúcar de confeiteiro (como não tinha, eu bati açúcar refinado no mixer. Não sei se tem o mesmo efeito, mas funcionou), 215g de farinha de amêndoas (comprei inteiras sem casca, bati no liquidificador, e em seguida no mixer pra ela ficar mais fina) , 165g de claras (aproximadamente 3) e 40g de açúcar. Se você quiser fazer colorrido, também pega lá o corante da cor que você preferir.

Aí vai começar a novelinha. Primeiro eu peneirei toda a farinha de amêndoas, depois juntei com o açúcar “de confeiteiro” e peneirei de novo. Aí você vai pegar a batedeira e bater as claras em neve com os 40g de açúcar comum, até virar um suspiro firme. Se for fazer colorido, essa é a hora de colocar o corante. Então nesse suspiro você vai, delicadamente, colocando a mistura peneirada. Deixe a mistura descansar um pouco, coisa de uns 15 minutos.

Então foi onde começaram os maiores improvisos: o ideial era pegar uma assadeira, forrar com papel manteiga ou silplat (aquelas folhas de silicone usadas pra não grudar), mas como a gente não tinha nem um nem outro, tentamos uma assadeira untada. Fon. Deu merda. Não tentem isso, a manteiga derreteu e contaminou os macarons que nunca assaram. Então foi a vez da gente tentar a minha mini assadeira de teflon. Deu certo, mas de tão pequena ela só cabia 6 bolinhas, ou seja, 3 macarons por fornada. Foi uma lenda até terminar… Mais precisamente, Fabinho ficou de meia-noite até 4h da manhã fazendo. Ah, o ideal também é fazer as bolinhas com saco de confeiteiro, mas como eu também não tenho fui fazendo na colherzinha mesmo. Dica: faça bolinhas pequenas, coisa de 2cm, e deixe um bom espaço entre elas, coisa de 4cm.

Então, com o forno pré-aquecido a 200°, você vai colocar a assadeira dos macarons dentro de outra assadeira, pra ficar um fundo duplo. Então vai deixar por 10 minutos, tirar a assadeira de baixo e deixar por mais 5 minutos. Acreditem, isso faz toda a diferença. Então é deixar eles esfriarem um pouco antes de tirar da forma. Foi aí que os nossos racharam e ficaram assim feinhos. Então eu provei eles e fiquei triste, porque eles estavam grudentinhos e com gosto de puro açúcar… Recheamos com ganache de chocolate (chocolate em barra derretido com creme de leite) e pronto. Eu já tinha ido dormir quando acabaram as fornadas, mas Fabinho recheou todos com o maior cuidado, já que eles estavam meio quebradiços, e deixou dormir num prato coberto com papel filme.

Aí quando eu acordei, meio sem esperanças porque não tinha conseguido deixar o macaron com eu gostaria, eu resolvo experimentar de novo. E voilá! Estava uma delícia! Sem estar grudento nem nada, uma noite de sono transformou aquela coisa grudentinha e com gosto de açúcar puro em um digno macaron! Sério gente, ficou delícia demais. O ganache ficou no ponto certo, e tudo terminou bem. Feinho, mas muito bom!

E é assim que termina a saga para realizar o sonho de Fabinho de fazer macarons. Com um final feliz :D Só espero que as próximas tentativas dele (porque eu não pretendo tentar de novo :P) sejam além de gostosas, lindas e dignas de fotos.

E hoje Fabinho foi embora… Vai recomeçar sua vida em Santos, mas antes vai passar um mês estudando em Vancouver. Meu coração tá apertadinho de saudade. Minha garganta deu aquele nó ao deixá-lo no aeroporto. Mas já temos data para nos ver de novo, em junho no meu aniversário. Eu sei que tá longe, mas ter essa certeza já me deixa mais tranquila. Volta logo, Fabinho.

<3


meus irmãos que não são gêmeos


Eu sou filha de pais que nunca casaram, e que se separaram antes mesmo de eu nascer. Fui filha única, e sempre morei com minha mãe. Meu pai morou em Recife até os meus 6 anos, se mudando depois para São Paulo. Sempre fomos eu e minha mãe, que sempre trabalhou o dia inteiro e muitas vezes chegava em casa e me encontrava dormindo. Talvez por isso, por essa pequena solidão infantil, que eu sempre pedi um irmãozinho ao rezar santo anjo do senhor antes de dormir. Todos os meus amigos na rua e no colégio tinham irmãos, pais casados e família grande. E eu era a filha única, meio mimada, meio chata, meio protegida. E todo dia eu rezava e pedia um irmãozinho.

Eis que um certo dia, quando eu tinha 8 anos, fiquei sabendo que Deus ouvira minhas preces em dobro, e que eu ganharia um irmão de cada lado. Uma irmã por parte de mãe, e um irmão por parte de pai. Então dois meses depois de completar 9 anos, eu ganhei minha irmã. Malu, minha morena linda, recifense, leonina e que eu acompanhei os primeiros passos, e todos os outros que vieram em seguida. Então, exatamente um mês e um dia depois, eu ganho o meu irmão. Fabinho, branquinho do cabelo tão loiro que era quase cinza, mineiro, virginiano e que eu acompanhei um pouco de longe, mas nunca distante. E não parou por aí, porque junto com Fabinho veio sua mãe, a Angélica, que por sua vez já tinha o Leo, que tem a minha idade e que também virou meu irmão.

E a partir daí eu passei a minha vida inteira explicando que eu tinha dois irmãos da mesma idade que não eram gêmeos, e outro da minha idade que não era gêmeo meu. E pra complicar ainda mais, eu fazia questão de dizer que Malu é exatamente um mês e um dia mais velha que Fábio, e que eu sou exatamente um mês e um dia mais velha que Leo. Deu pra entender? Pode ser difícil de explicar, mas o amor e o carinho que eu sinto por eles parece que já nasceu comigo.

Fabinho, que morou esses dois últimos anos em Buenos Aires, resolveu começar a sua volta para o Brasil por Recife. E está me dando a honra da sua visita por uma semana na minha casa. E toda vez que ele vem é isso, nos juntamos nós três, eu e meus dois irmãos que não são gêmeos, e só nos desgrudamos na hora do embarque de volta. E só de pensar que existe esse embarque de volta me dá uma saudade… Porque eu e Fabinho sempre vivemos com essas despedidas, mas o aperto no peito parece não acabar nunca.

E Leo, agora só falta você aparcer por aqui ;)



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