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sobre “para sempre”


Ontem, na academia, eu ouvi uma conversa entre um homem que queria se tatuar e outro nitidamente contra a ideia. E o argumento dele foi exatamente esse “Não se marque não, véi. Nada nessa vida é pra sempre, nem a tua filha.”. Eu fiquei tão chocada com o comentário que postei isso no Facebook. Foi quando Milena comentou “Essas pessoas que não sabem conviver com o eterno.. <3”, e isso me deixou pensando sobre esse “para sempre” das coisas.

Quando a gente é mais novo, tudo parece uma eternidade. A espera pela hora do programa preferido, a demora na casa da tia chata, a viagem de carro, o dia de começo das férias. Depois, as coisas começam a acontecer rápido e a gente quer que elas durem pra sempre. O primeiro beijo, o primeiro namorado. Então vem a primeira fossa e a gente acha que também vai durar pra sempre, ainda mais pra sempre do que esperar sua mãe chegar em casa quando ela dizia “Quando eu chegar a gente conversa”.

E, sem perceber, vamos acumulando eternidades na nossa vida. Pequenos momentos de pra sempre que as vezes passam rápido, as vezes demoram, as vezes ainda estão acontecendo. Porque chega um momento na nossa vida que a gente realiza que tudo é pra sempre. Geralmente é o mesmo momento que a gente aprende que nada é eterno, sabe? Pois é. Pode parecer meio confuso, mas é, pra mim, a realidade.

A única coisa que dura pra sempre nessa vida é o momento. As pessoas que passam na nossa vida são eternas, mesmo quando se vão, quando se afastam, quando mudam. Os sabores são eternos, os cheiros também. As viagens que fazemos, as ressacas que tivemos, os sustos, os medos, os sonhos. Tudo é tão pra sempre que eu queria ter uma memória melhor pra guardar mais na cabeça do que no coração certas cosias e pessoas que passaram na minha história.

E pensando no comentário de Milena, realmente tem gente que não sabe conviver com a ideia do eterno. Mesmo que cada passo que a gente dê, que cada palavra que diga, que cada gesto que faça seja eterno, a ideia de fazer algo que dure pra sempre ainda incomoda. Tem coisa que seja mais eterna do que as palavras? A gente lembra de quando ouvimos eu te amo pela primeira vez, lembra daquela poesia, daquela música e daquele fora que levamos numa discussão. Lembramos que as vezes falamos só pra machucar, mas que terminamos marcando mais do que se batêssemos na cara. As palavras são muito mais eternas do que qualquer tatuagem, são a cicatriz mais profunda que se pode carregar.

E sim, é difícil conceber que somos feitos de pequenas eternidades. Que somos eternos pra outras pessoas e que transformamos qualquer bom dia num pra sempre na nossa vida. Mas quem disse que viver é fácil? Então, se eu pudesse voltar lá e olhar no olho daquele moço que proferiu essa frase sobre nada ser pra sempre, eu diria: “moço, se você não faz nada pra ser eterno na vida, então você não está vivendo.”.

Então vamos viver sem medo do pra sempre. Vamos viver é com medo de que tudo seja passageiro e desapareça. Porque eu quero que tudo que passe, passe pra sempre como um filme em mim.



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