home sobre mim sobre o blog mídia kit

Todos os posts sobre gastronomia

santiago – leftovers


Como disse desde o primeiro post da viagem, meus relatos aqui não são pra ser um roteiro, dia por dia. Apesar disso, tem um monte de dica entre os posts de Santiago que podem ser levados em conta pra quem vai fazer uma visita na cidade. 

Depois do Lollapalooza eu só tinha mais um dia em Santiago antes de embarcar para Calama, e foi um dia curto já que me dividi entre lavar roupa, arrumar mala e organizar a vida e dar uma última volta na cidade. Então vou reunir aqui algumas coisas que lembrei sobre meu tempo em Santiago.

Transfer de ida e volta pro Aeroporto

Assim que cheguei em Santiago fui num guichê de informações turísticas no aeroporto e perguntei qual era a melhor forma de ir pro Centro. Ela me disse que podia ser de taxi, que não era recomendado, ou que fosse de transfer, umas vans que ficam saindo de poucos em poucos minutos e deixam na porta do hotel, hostel ou apartamento. Foi minha opção. Paguei 10.000 pesos +- R$58), se não me engano, e a van me deixou na porta do prédio do Airbnb. Na volta, eu e Felipe pegaríamos os vôos no mesmo horário. Eu para Calama e ele de volta para Recife. E como era de madrugada, resolvemos dividir um Uber. Foi bem tranquilo também.

Taxi é treta

Só pra reforçar mesmo, que não é bom pegar taxi em Santiago. Eles entregam notas falsas, te cobram mais do que devem, te roubam trocando notas mais altas por mais baixas, entre outras picaretagens bem conhecidas por lá. Então, evitem!

Estações de metrô com arte em toda parte

As estações de Metrô de Santiago podem esconder lindas obras de arte. Então vale dar uma volta em um horário que não seja de pico, para conhecer um pouco, especialmente as maiores.

Palta, palta everywhere!

Eu acho que da primeira até a última refeição que fiz em Santiago, eu comi abacate. Engraçado, porque eu nunca fui de comer abacate no Brasil. Não gosto da vitamina, nunca tinha comprado um abacate, adoro guacamole mas nunca tinha feito e nem experimentado o abacate em outras comidas salgadas, até conhecer o Chile. E minha relação com essa fruta mudou completamente. Tudo bem que lá o abacate é o avocado, pequeno, da casca preta e muito mais suculento! O daqui é mei aguado, mas dá pro gasto. Então, fica a dica pra perder o preconceito e se jogar na palta!

Torta Tres Leches

Foi uma das coisas mais gostosas que comi por lá! Que sobremesa deliciosa. Essa é do Bar Radicales, o mesmo lugar onde almocei esse prato aí de cima. O lugar é massa, vale a visita. Tem cinema, sex shop, tabacaria, hostel, além de ser um bar com bebidas e comidas deliciosas. Valeu a dica, Marília!

Não confunda ají com ketchup

Lá em Santiago eles têm o delicioso costume de colocar ají (pimenta) em tudo. Eles fazem um molho delicioso de pimenta, e eu que adoro essa especiaria, me faço. Mas, claro, que vou experimentando, botando minha medida, conhecendo cada molho. Até que eu fui tomar café da manhã (CAFÉ DA MANHÃ, po!) num lugar chamado Dominó, que super indico.

Bom e barato, pedi um sanduíche de queijo e palta (sempre) e resolvi que ia experimentar colocar mostarda escura. Tinham 4 bisnagas na mesa. Uma amarela de mostarda, uma marrom de mostarda escura, uma vermelha e uma verde. Qual minha lógica? A vermelha é ketchup, claro. Então depois de experimentar a mostarda escura bem gostosa, fui experimentar o ketchup. ERA AJÍ! Minha gente, que sacanagem. Eles colocam o ají na bisnaga vermelha e o ketchup na verde. QUAL A LÓGICA? Chorei, claro. Então fiquem atentos, especialmente se forem sensíveis. :P

A comida de rua é massa

A primeira coisa que comi na noite que cheguei foi um hambúrguer de soja que é vendido em uns coolers no meio da rua. Se eu tivesse sozinha talvez não tivesse arriscado assim de primeira. Mas como estava com Gustavo e ele me indicou e era bem barato, tipo uns 800 pesos (R$+-4,70) eu experimentei e adorei. Você ainda escolhe o molho, é suculento e grande.

Uma amiga que morou lá disse que os sushis que vendem na rua são bons também, mas esses eu não experimentei. Também comi em barraquinhas na rua, comprei empanadas na porta do metrô, e não tive aperreio com a barriga em momento algum. Então vale a experiência de comer bem e barato, sem preconceito.

O clima é muito seco

Isso deve ser uma das coisas que mais devemos lembrar antes, durante e depois de passar por Santiago. O clima seco resseca a pele, a boca, a alma. Então mesmo que você ainda não esteja sentindo a boca ressecada ou coisa assim, é bom ficar usando protetor labial. Se não, em poucos dias, sua boca vai rachar. Também é bom não economizar no hidratante corporal, soro para o nariz e para os olhos e lembrar de beber muita água.

Os horários das coisas são estranhos pra mim

A cidade acorda mais tarde, as lojas abrem mais tarde, tem loja que abre no fim da tarde, tem vendedor de rua chegando na rua fim de tarde… E as coisas não parecem ter um padrão. Tipo, as lojas de uma rua abrem cada uma num horário, no mesmo centro comercial tem loja abrindo, loja fechando, é uma viagem. Então, se você quer visitar algum lugar específico, ou alguma loja, é bom confirmar o horário de funcionamento pra não se surpreender.

Bem, depois de 6 dias na capital chilena, foi a hora de embarcar para Calama, o aeroporto mais próximo de San Pedro de Atacama. Vai começar uma outra etapa da viagem, totalmente diferente. Trocar o quarto particular do Airbnb pelo compartilhado do hostel, a cidade grande pelo povoado, os prédios, metrô e asfalto pela energia do deserto. Spoiler: foi incrível!

E se tiverem dúvidas sobre a cidade, é só comentar aqui. Se eu souber, vai ser um prazer ajudar. :)

 


lollapalooza chile 2017 e o álcool em santiago


Vou começar esse post logo com um mimimi. Perdi altas fotos, especialmente dos dias do Lollapalooza, com o tilt que deu no meu iPhone. É triste ir lendo o diário, montando o post, e vendo que não tem fotos legais pra ilustrar o que eu vi, vivi e venci por lá. Mas, pra não dizer que não falei das flores, vou contar um pouco de como foram os dois dias do Lollapalooza Chile 2017. :)

Primeiro, o Lolla foi praticamente a desculpa pra essa viagem. Na real, eu já programava ela fazia mais de um ano, era pra ter rolado do ano passado porém, por mil motivos, não rolou. Então, ainda no ano passado, quando saiu programação do festival eu pensei: É AGORA OU NUNCA. Comprei o ingresso para os dois dias antes de pensar em qualquer outra coisa, de ver passagem, hospedagem, roteiro, pra onde ia, nada. Quando meu celular apitou sinalizando que a compra no exterior foi aprovada eu não sabia se comemorava ou se chorava, porque ONDE EU ESTAVA COM A CABEÇA?

Mas, ainda bem que eu fiz isso. :) Hoje, quando eu paro pra contar alguma coisa da viagem, o Lolla é uma das últimas coisas que eu lembro, sabia? Porque teve taaaanta coisa incrível que quando eu paro pra pensar eu digo: e ainda teve o Lollapalooza! Foi a porta de entrada pra essa minha experiência, e eu sou bem grata por isso. Eu nunca tinha ido pra festival grande assim, e quando pensava em ir não cogitava ir sozinha, nem em outro país, nem em um que não se pode beber. E foi tudo como o inesperado, ainda bem. :) No Lollapalooza do Chile não vende bebida alcóolica, só pra quem paga quase o dobro do preço do ingresso pra ficar no “lounge”, ter acesso a umas fichas de cerveja e wisky, umas facilidades de banheiro e lugar pra sentar. Eu não e$tava di$posta a isso, então fiquei de boa na ~geral~ do festival.

Aqui eu quero fazer um parênteses para a minha relação com o álcool. Eu bebo muito. Não só em quantidade, mas em frequência. Sou o tipo de pessoa que tem dificuldades de sair na noite se não for pra compartilhar uns brindes, essas coisas. Que tem aquele sentimento de “hoje eu PRECISO beber”, às vezes pra comemorar, às vezes porque to na bad. Isso é um nível de dependência? Claro que é.

Mas quando eu falei algo sobre o Lollapalooza Chile no meu Facebook, me impressionou a quantidade de gente que gritava que lá não podia beber, que era foda porque não tinha álcool, que nunca mais ia pra um festival desse que não pode beber, que era melhor não ir… Minha gente, fiquei impressionada. Juro.

Porque em momento algum o fato de não beber lá dentro me incomodou a ponto de pensar em desistir. Eu estava indo disposta a ter uma experiência tão maior do que ficar bebendo por lá, sabe? Que isso virou um detalhe pra mim. Queria beber? Queria. Preferia que tivesse álcool? Preferia. Senti falta? Senti. Entrei com bebida escondida no primeiro dia? Entrei. Mas no segundo dia nem fiz questão. Foi fácil de sentir e de me lembrar que eu estava lá por outros motivos e por outras experiências.

Em Santiago não se pode beber na rua, eles são bem rigorosos com isso. Alguns estabelecimentos só podem vender bebida alcóolica durante o dia, outros durante a noite, outros tem licença para o dia todo. Alguns só podem vender bebida alcóolica se você comer algo do cardápio, porque a licença de bar é diferente da de restaurante. Ao mesmo tempo que lá a maconha é descriminalizada, é natural ver as pessoas fumarem nos parques, na rua, produtos feitos à base de maconha sendo vendidos em qualquer lugar, e cada pessoa tem direito a plantar até 3 pés de maconha em casa“Desde pequeno você é induzido a fumar
Induzido a beber, ouvindo a TV falar
Diga não às drogas, use camisinha e pare de brigar
Mas beba muito álcool até sua barriga inchar”

Esse trecho da música “A culpa é de quem?” de Planet Hemp nunca fez tanto sentido pra mim. Aqui no Brasil nossa política de drogas é um lixo, e realmente somos o tempo inteiro estimulados ao álcool. Inclusive, esquecemos que ele é uma droga, uma das piores (se não a pior) das que temos acesso. E que acesso! Não só facilitado, mas induzido. Aqui não tem regra. Qualquer pessoa, de qualquer idade, pode beber em qualquer lugar a qualquer hora.

Então o fato da “restrição” do álcool no festival e na rua de Santiago, junto com a reação das pessoas a esse fato, me levou a pensar muito sobre isso. E oh, Santiago ganhou mais um ponto comigo. Álcool é droga, seríssima, e precisa de uma atenção maior da sociedade. Mas aqui no Brasil o buraco (aquele, por onde entra e sai um monte de dinheiro) é bem mais embaixo…

Mas bem, voltando ao Lollapalooza… :)

No primeiro dia eu tinha dado um rolê mais cedo pelo centro e ido na La Chascona, que é uma das casas de Pablo Neruda. Super vale a pena ir para conhecer mais sobre a história do poeta, sobre a participação dele na história do Chile e dar um rolê na casa que é linda.Saindo de lá ainda dei uma volta no Barrio Lastarria, que é um bairro lindo, cultural, artístico, caro, maravilhoso. Tem um monte de opção de comida vegana, orgânica, feira na rua, festival gastronômico, cinema, teatro. É indo, vale dar uma volta. Pena que não tem nenhuma foto dele que se salvou no meu celular. :( Mas vale tanto andar por lá que terminei perdendo a hora de ir pro Lolla. Lá em Santiago, nessa época de começo de outono, ainda escurece mais tarde, então eu jurava que era cedo até receber uma foto de Felipe já por lá. Foi quando corri pra casa pra tomar um banho, tacar uns glitter na cara (CLARO) e sair.

Fui de metrô, super de boa. Entrei com uma garrafinha de 200ml de wisky presa na perna com a meia. Eu tava de macacão pantalona, aí não dava pra ver e a revista é bem superficial. Mas tava ridículo eu andando meio mancando. Bebi rápido pra não ficar segurando aquilo na função, deu um brilho e pronto. Me fez ver que não valia a pena o esforço. :PO Parque O’Higgins, onde aconteceu o Lollapalooza, é lindo! Demais! Fui andando pelas tantas atrações que tinham por lá, debaixo do sol de rachar às 16h da tarde, reconhecendo o território. Tinha fila pra tudo, até pra tirar foto no letreiro com a marca do Lolla. Eu me neguei hahaha Só peguei fila pra banheiro porque né, é necessidade básica :P

Vi alguns brasileiros passando por lá, mas eu tava afim de interagir com os gringos hahaha. Troquei ideia com um monte de gente. Engraçado como no festival as pessoas parecem mais dispostas a interagir por qualquer assunto. É quase um elevador gigante. Fala do calor, do frio, do sol, aí quando vê tá falando do show, da música que é de um filme, fala de cinema, arte, trânsito e depois vai cada um pra um canto. Foi massa viver isso, e acredito que só passei por isso porque estava sozinha e bem disponível a trocar esse tipo de experiência.

No primeiro dia o que eu mais fui pra ver era Cage The Elephant, Rancid e Metallica. Algumas bandas que eu também queria ver, tipo Bomba Estéreo, Villa Cariño, Newen Afrobeat, The XX e outras, eram em horários ruins, chocavam umas com as outras ou o deslocamento era muito grande entre uma e outra. Aí terminei não vendo tanta coisa assim. Mas o que vi foi memorável.

Eu estava usando uma pochete + uma doleira. No show de Rancid <3 eu estava lá na frente, bem disposta a entrar em toda roda punk que abrisse. E COMO ABRIA! E todo meu sangue adolescente correu, pulou e meteu porrada nas minhas veias durante o show todo. Foi incrível! Até que no meio da roda de Time Bomb, eu percebi que minha pochete tinha arrebentado! Mas ela ainda estava presa a mim POR UM FIO. Literalmente por um único fio. Aí entrei na nóia de que ia perder minhas coisas, amarrei a pochete, coloquei por dentro do macacão e recuei um pouco.

Quando o show de Rancid terminou, uma avalanche de gente começou a entrar pra tomar seu lugar pra ver Metallica. Enquanto The XX tocava no outro palco, eu tentava remar contra a maré pra ficar mais distante um pouco e conseguir voltar pra casa com minha pochete ainda. Resolvi que o show de Metallica seria mais de contemplação. Estava me preparando psicologicamente. Nessa espera conheci Miguel, um chileno super gente boa que me salvou com água e companhia, já que sair dali pra comprar algo pra molhar a garganta seria humanamente impossível.

Depois de ter passado o dia todo pingando de conversa em conversa, e curtindo muitos momentos sozinha, foi massa ter uma companhia pra trocar ideia. Ficamos conversando que só, e eu jogando todo meu portunhol em campo. Pense num exercício. Chegou uma hora que eu já tava cansada de pensar em espanhol, juro. Deu caibra no juízo! Hahaha :)

O show de Metallica… Porra… Impossível descrever. Não sei nem por onde começar. Foi uma coisa incrível. Que energia maravilhosa. Como eles são fantásticos. Como eles contagiam. Como eles são felizes no palco. Como é bonito tudo. O palco gigante parece que fica pequeno pra eles, assim como o parque gigante parece que ficou pequeno pra gente. Não teve muito essa de ficar distante pra contemplar. Quando eles começaram todos éramos um só, pulando, gritando, cantando, se emocionando. Foi demais! Memorável. Inesquecível.

Quando terminou o show, eu e Miguel fomos caminhando por três estações de metrô, porque estavam muito lotadas as mais próximas do parque, e conversando sobre como tinha sido um momento incrível. O Lolla termina cedo, fui pra casa descansar e na saída da estação Baquedano pra ir pra casa, descobri um restaurante com chopp Heineken que fica aberto até 5h da manhã. Queria mais o que? Umas saideiras pra dormir melhor (olha o vício aí) e dormir pensando “amanhã tem mais”.

Acordei no domingo com uma gritaria, música eletrônica, zuada da porra. A tal Maratón de Santiago tava rolando e me acordou mais cedo do que eu planejava. Mas já que tinha levantado, vamo pra rua, né? Eu tava querendo ir numa feirinha de artesanato, e pensei: domingo é dia disso, né? Então fui pro Cerro Santa Lucia, que tem uma feira de artesanato indígena lá e uma feira de artesanato na frente. Mas tudo isso fecha no domingo ¬¬ Tudo bem, não foi viagem perdida. Fui dar uma volta no Cerro Santa Lucia que é lindo! Pena que perdi as fotos que tirei de lá, e só se salvou essa que postei no Facebook a tempo. :( O lugar é muito bonito e é massa sair andando, subindo por uns lugares, descendo por outros, descobrindo essas vistas maravilhosas, os diferentes jardins. Conheci um schanuzer chamado Pisco <3 Ele é bem menor que o Cerro San Cristóbal, mas é uma delícia! Mas atenção: as pedras escorregam. Levei uma queda que fiquei com um braço roxo, pra combinar com as outras ronxas que arrumei nas rodas de Rancid :P E aqui mais uma vista panorâmica da cidade, lá de cima do Cerro. Saindo de lá fui encontrar com Gustavo e com Felipe pra almoçar, fomos no Galindo, que já tinha ouvido falar muito bem. Lá é um desses lugares que só serve bebida se você pedir comida, então pedi um chopp da casa com uns pastéis pra esperar os meninos. Quando chegaram eu pedi uma La Trappe Dubbel que estava pelo equivalente a 17 reais lá, quando aqui por baixo ela custa na casa dos 30. Deliciosa e forte, foi o que fiquei bebendo enquanto comia uma deliciosa Paila Marina. Mais gostosa e mais barata que a do mercado (mas cara ainda assim), lembrei de pedir ~sin cilantro~ e fui feliz demais enquanto os meninos detonavam duas bistecas gigantescas.Bem alimentada e já com umas cervejas fortes no juízo, fui pro Lollapalooza, dessa vez sem nenhuma bebida escondida, porém com o mesmo brilho de sempre hehe :PEngraçado como a gente tem dias e dias, né? No sábado eu tava toda comunicativa, trocando ideia com qualquer pessoa em qualquer idioma, praticamente haha :P Mas no domingo eu tava numa vibe mais introspectiva, afim de ficar quieta e observar. E foi isso que eu fiz. Fiquei um tempo sentada na grama, ouvindo Jimmy Eat World de longe e olhando as pessoas bebendo as cervejas, vinhos e vodkas que tinham levado escondido, crianças brincando, casais se agarrando. Tinha até um moço que me chamou a atenção, ele também estava sozinho e puxou um livro, relativamente grande, e começou a ler. Então eu percebi que a vibe introspec não era só minha, e desejei ter um livro comigo naquele momento.

Resolvi dar uma andada, bem desligada dos horários dos shows, fui até o outro palco maior. Estava começando Duran Duran <3 Entre bonecos gigantes com trajes típicos chilenos, tinha uma LLAMA GIGANTE. Sim, uma LLAMA BONECO GIGANTE.O show de Duran Duran foi maravilhoso. Feliz, colorido, animado. Arrisco a dizer que foi o melhor show do dia. Two Door Cinema Club foi massa também, e eu tava bem animada pra ver Mad Professor. Mas por uma falha de informação da galera do evento, terminei trancada do lado de fora de um espaço que estava com uma fila quilométrica formada pelo núcleo babypalooza pra entrar pra ver o show de algum DJ famoso que eu não faço a menor ideia de quem seja.

Fiquei tristinha e sentei na grama de novo pra ver The Weeknd de longe, enquanto esperava o que eu mais queria ver: The Strokes. Arrumei um lugar lá na frente e fiquei na expectativa. Uma expectativa que durou bastante, porque a banda atrasou bastante. Todo mundo já tava gritando, reclamando, aplaudindo, vaiando, e nada deles entrarem no palco. Quando entraram, com aquela animação de 4 postes, tocaram a primeira música inteira sem sair som do vocal.

A platéia toda gritando “No te escuchan! No te escuchan!” dando dedada, sacudindo os braços, dizendo que não, e nada da técnica parar. Então quando terminaram a música deram uma super pausa pra tentar corrigir, quando voltou o vocal a galera comemorou horrores e eles perguntaram se a gente queria a primeira música de novo, elogiaram o fato da gente ter se comunicado com eles avisando da falha no som (oi?) e pronto, foi o único momento de interação da banda com o público. Depois disso, tocaram super morgados, com pausas enormes entre as músicas, sem instiga nenhuma. Oh, que saudades de Metallica <3 Até o show de The Weeknd, que eu acho super morgado e vi sentada de longe, me pareceu mais animado que Strokes.

A sorte é que eu realmente gosto muito das músicas, elas me transportam para lugares e tempos maravilhosos, e a galera ao redor estava numa instiga massa. Então não foi de todo ruim, sabe? Mas foi uma decepção pra fechar o Lolla com chave de bronze. Sozinha e praticamente calada do começo ao fim, fiz o caminho de volta que tinha feito com Miguel na noite anterior e fui pro mesmo bar da noite anterior. Felipe foi me encontrar e ficamos bebendo e conversando besteira até de madrugada, morrendo de frio.

O Lollapalooza Chile foi uma experiência maravilhosa. Pelos shows, pelas pessoas, pelas conversas, pelo silêncio, por tudo que pude ver, sentir, conhecer. Me encantei, de verdade. E fiquei querendo ir para mais festivais, apesar de às vezes sentir um “não tenho mais idade pra isso”, eu olho para esses dias com saudade e a certeza de que me ajudaram a seguir bem a viagem sozinha, sabe? Por isso, agradeço. :) 


santiago – as boas e as bads do segundo dia


No meu segundo dia em Santiago eu já tinha programação: ir na vinícola Concha y Toro. Vários amigos tinham feito esse passeio, e eu também tinha lido em alguns blogs, e todos diziam que valia a pena os 12.000 pesos (+-R$70) pagos. Aí fui lá conferir.

Peguei um metro na estação Baquedano sentido Las Mercedes, a última estação da linha verde. Chegando lá peguei um microônibus até a porta da vinícola, o acesso é super fácil. E agora eu vou abrir um parênteses para contar uma bad que rolou, que eu já relatei no meu Facebook pessoal, e vou compartilhar aqui também.

Eu já tinha sacado que Santiago é bem machista, já tinha ouvido gracinhas andando na rua e já tinha ouvido de outras mulheres histórias desse tipo de assédio verbal e de como os caras são ozzy. Mas, infelizmente, nada de novo pra quem é mulher numa cidade grande, sabe? É triste dizer isso, mas a gente “se acostuma”. Quando me perguntaram se aqui as pessoas são educadas, eu disse que no geral sim. Respeitam a faixa de pedestre, dão informação, dividem os espaços. Mas disse também que assediam as mulheres tanto quanto ou mais do que em Recife. Mas nesse dia aconteceu algo que nunca tinha rolado comigo.

Um cara sentou do meu lado nesse metro que peguei pra vinícula e quando vi, ele tava alisando a minha perna. Botando a mochila dele em cima da mão pra disfarçar, ele tava ALISANDO MINHA PERNA. Quando reparei, dei um grito. “ESTÁS LOCO?!”. Isso foi bem quando o trem se aproximava de uma estação, onde o tarado rapidamente levantou e desceu. As pessoas olharam, ficou um clima estranho e eu tava com um misto de sentimentos. Fiquei pensando mil coisas sobre isso de viajar sozinha.

O metro pegou a superfície e do lado de fora tinha uma manhã linda acontecendo, enquanto a gente se afastava do centro da cidade e ia mais pra periferia, e a paisagem mudando. Mas eu mal conseguia contemplar. Estava me sentindo envergonhada, suja, fragilizada, com medo, puta da vida. Foi uma sensação terrível.

Mesmo numa cidade tão cosmopolita, com tanta coisa que dá mais liberdade ao povo, com uma cabeça tão aberta e com tantos outros “mas” que posso encontrar, constatei na pele que o machismo não depende de classe, cor ou credo. É além e em muitos mais espaços que a gente imagina.

Pois bem, dito isso, vamos para a vinícola.

concha y toroconcha y toro 7concha y toro 8Eu já tinha reservado meu horário do Brasil mesmo, cheguei lá só pra fazer o pagamento. Você reserva no site e é bom fazer isso com antecedência especialmente se for em alta temporada. E também porque é mais fácil de você se organizar nos seus horários. Tem gente que chega pra reservar na hora e precisa esperar 1 ou 2 horas pra sair o tour no idioma que quer. Eles oferecem tour em inglês, espanhol e português, o que facilita muito o entendimento.

A visita começa com uma caminhada até essa casa maravilhosa, que era a casa de veraneio da família que fundou a Concha y Toro. O lugar lá é lindo. Enorme, cheio de árvores maravilhosas, um lago, flores, pássaros, é realmente muito bonito. Depois passamos pelo “Jardim de Variedades“, que é um lugar com todos os tipos de uva que existem no Chile. TODOS. Se é um tipo de uva que dá no Chile, tem lá.

Aí é quando o guia pega um cacho de uvas pra gente fazer esse tipo de foto turística ridícula típica haha E também quando a gente pode andar pelo jardim, escolher alguns tipos de uva e experimentar. É massa ir caminhando por lá, catando as uvinhas (elas são tão pequenininhas!), sentindo as diferenças no sabor, é bem interessante.

Depois vamos para a nossa primeira degustação, que é um vinho branco e quando a gente ganha a taça de presente. Tomamos todos os três vinhos da degustação nela e depois podemos levar pra casa, o que foi um desafio pra mim. Estava no começo da viagem, ainda tinha uns 20 dias e mais dois países pra visitar. Tinha certeza que ia quebrar na primeira oportunidade. Mas, contrariando todas as expectativas, trouxe ela inteira pra casa! \o/

concha y toro 6concha y toro 5concha y toro 4A parte do Casillero del Diablo é a mais esperada do tour. A gente já tinha visto os outros barris e durante toda a caminhada na parte interna a climatização é artificial, ou seja, ar condicionado topado. Leva o casaco que faz frio sim! E na parte do Casillero del Diablo, que é embaixo e toda de pedra e tijolos originais, o frio que faz é totalmente natural, o que começa a dar o clima “tenso” da visita.

A brincadeira toda é em torno do diabo, claro. Então chega uma hora que o guia sai, diz que só ficam os corajosos e todas as luzes se apagam. Começam projeções dentro do espaço, efeitos de som, de luz, e a história de como se originou o nome Casillero del Diablo é contada no idioma que escolhemos o tour. É massa. :) Então seguimos para a terceira e última degustação da visita e somos deixados dentro da loja, claro.

Os vinhos lá são realmente mais baratos que a média dos outros lugares. Conheci Diego, um carioca que tinha ido pra Santiago para a maratona que ia rolar no domingo e estava bem disposto a comprar os vinhos. Então ele me mostrou um app onde ele comparava os preços e alguns que custavam 300 reais e lá estava por menos de 100. Pra quem gosta de vinho bom e pode comprar, vale a pena reservar uma grana pra isso. Como eu ainda tinha muita estrada pela frente, pulei a parte dos souvenirs.concha y toro 2Depois do episódio triste do metrô, colei com Diego pra gente voltar juntos. Nós dois íamos pro centro. Eu tinha ficado de encontrar Gustavo pra almoçar, e terminamos indo comer os três juntos. Seguindo a indicação de Gustavo, que disse que a melhor comida peruana está no Chile, fomos comer no El Encuentro Peruano, que fica perto do Mercado

O lugar não é barato, é um preço aproximado do Mercado, mas posso dizer sem dúvidas que foi minha melhor experiência gastronômica no Chile.

el encuentro peruanoel encuentro peruano 2el encuentro peruano 3Gustavo pediu um arroz de frutos do mar, eu pedi esse ceviche misto (sin cilantro!) que é uma montanha de comida, e Diego pediu um arroz de camarão. Todo mundo comeu de todos e ninguém conseguiu dizer qual era o melhor. Todos eram simplesmente sensacionais! E claro que pedimos um pisco tradicional pra brindar e também estava incrível! E pisco é pau, você toma um e já consegue sentir o brilho.

Os pratos são muito bem servidos, saí de lá suuuper cheia! E eu já sabia o que queria fazer na sequência: visitar o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos. E tenho que dizer que foi uma péssima escolha pra quem estava de barriga cheia. Sério, não é brincadeira. É um museu com uma história muito difícil de digerir. museo de la memoria y los derechos humanosNão pode tirar fotos lá dentro, e do lado de fora não tem muita coisa. Mas tem a declaração de direitos humanos ao redor das paredes que é bem interessante, mas que foi mais uma das fotos que perdi no tilt do celular. De toda forma, fiz esse registro do lado de fora pra não passar em branco.

O museu é foda. Todo interativo, conta a história por trás (e por todos os lados, na real) da ditadura Pinochet. Tão recente, tão forte, tão triste, tão importante de todo mundo conhecer. Achei incrível a cidade ter um museu dedicado a esse tipo de memória, sabe. Eu tenho certeza que não consegui absorver muita coisa, justamente porque tinha comido muito, comecei a ficar enjoada, com um sono estranho, realmente não aproveitei como poderia e como deveria. Mas saí de lá com a certeza que foi um dos museus mais interessantes que já visitei.

Saí mexida, balançada e tudo que eu queria era respirar um pouco, caminhar, não queria pensar pra onde ir e nem o que fazer. Eu sabia que os outros museus que ficam no Parque Quinta Normal estariam fechados por conta da hora, mas foi pra lá mesmo que eu fui. É um parque do outro lado dessa avenida, na frente do Museo de la Memoria y los Derechos Humanos.

parque quinta normal 5parque quinta normal 4parque quinta normal 2parque quinta normalparque quinta normal 3parque quinta normal 6museo artequinEntão comecei a andar, pensar, agradecer, fotografar, e ver se esse movimento me ajudava a relaxar a mente, o corpo e o coração depois de tanta coisa que tinha acontecido nesse dia que estava tão curto (porém tão longo) até então. Resolvi relaxar com a hora, relaxar com o fato de não ir visitar nenhum lugar especificamente ali, eu só queria andar.

O Parque Quinta Normal é lindo, enorme e com mil coisas diferentes pra ver. Tem jardins temáticos, tem lago com pedalinho, tem uma basílica enorme do lado de fora, tem fontes, flores, palmeiras, quadras de esportes, esculturas e muitos museus. Lá ficam o Museo Ferroviario, o Museo Nacional de Historia Natural, o Museo de Ciencia y Tecnologia, o Museo Artequin e o Museo de Arte Contemporáneo. Depois que passou esse dia eu fiquei desejando voltar lá para visitar os museus abertos, mas não rolou. Tudo bem, tenho uma certeza dentro de mim que volto a Santiago ainda. :)

Saí de lá pra cumprir uma missão: voltar no Costanera Center (aquele prédio mais alto da América Latina), pra pegar minha pulseira do Lollapalooza. Vacilei no dia anterior e não levei minhas coisas impressas pra pegar, aí tive que voltar lá. A FILA ESTAVA CAÓTICA GIGANTE ENORME SOCORRO. Foi uma lenda até conseguir trocar, abastecer a pulseira e sair correndo dali.

Nesse dia, meu amigo Felipe, de Recife, estava em Santiago, depois de ter feito exatamente o caminho inverso ao que eu estava fazendo. Ele tinha acabado de voltar do Atacama depois de fazer o tour do Salar de Uyuni. Então marcamos de tomar uma cerveja à noite pra conversar e eu pegar as dicas que ele tinha pra me dar sobre meus próximos passos.

Fomos tomar uma cerveja na Calle Pio Nono, que tem um campus universitário por perto, ou seja, a certeza de opções baratas para comer e beber. Eu, que não estava conseguindo muito pensar em comida desde o ceviche do almoço, resolvi que ia comer algo barato na rua mesmo. Então parei numa barraquinha de cachorro quente e, como não como carne, fui ver o que tinha pra mim. É massa ver que nos lugares mais simples a galera se preocupa em colocar uma opção vegetariana.

Então o tradicional dogão de lá tava no cardápio como “completo” e o último do cardápio era um “quesopleto“, que nada mais é que um cachorro quente completo onde no lugar da salsicha tem queijo. Perfeito pra o que eu queria. Pão, queijo, palta (o creme de abacate que eles colocam em tudo) e pimenta. Comi em pé, assistindo uma apresentação de um batuque brasileiro feito por chilenos, e fiquei muito bem alimentada por 1000 pesos (+- R$5,80).

Sentamos num bar qualquer pra tomar Escudo Litrão e jogar conversa fora. Foi quando eu me senti super local em Santiago. Estávamos numa mesa na calçada e então passou um casal que tinha conhecido na minha primeira noite na cidade, e vieram me cumprimentar. Depois, passou Gustavo por acaso por lá. Me senti em Recife, que você sai encontrando as pessoas em qualquer lugar que você vai. :P

Bebemos muito, conversamos muito, ficou muito frio e voltamos pra casa de madrugada, andando, tranquilos. É massa essa sensação de segurança. Pode nem ser seguro assim, posso mesmo ter dado sorte. Mas depois dos momentos pesados que tinham rolado no meu dia, esse fim de noite salvou demais.

Brigada, Felipe! Tu foi demais. :)

Tava na hora de descansar que no outro dia começava o Lollapalooza. Posto sobre isso ainda essa semana. :)

E aí, tá gostando dos relatos sobre Santiago? Tem dúvidas? Quer mais informações? Comenta aqui! :D


xerém (canjiquinha) com galinha guisada


canjiquinha com galinha guisada 2 canjiquinha com galinha guisada canjiquinha com galinha guisada 3Alguns chamam de confort food, eu chamo de comida que cura bads hahaha :P Mamãe fazia galinha guisada com xerém pra mim quando eu tava triste, e era a marmita mais feliz da vida. <3 Aí no fim de semana que passei em Penedo, comi canjiquinha com linguiça e me deu uma saudade imensa do xerém de mamãe. E mesmo que eu não esteja em nenhuma bad (ainda bem haha), eu fiz feira e comprei tudo que precisava pra cozinhar xerém pela primeira vez na vida.

Eu já gostava de fazer galinha guisada. Gostava tanto, que enjoei da minha ahahaha :P Aí fazia muito tempo que eu não ia esquentar o bucho no fogão pra fazer esse prato. Mas hoje foi aquela vontade que não tinha pra onde. Então deixei minha galinha cozinhando e fui pesquisar como cozinhar a canjiquinha. Descobri que tem várias formas de fazer, algumas pessoas deixam de molho, outras fazem na pressão, outras cozinham junto com as carnes, outras separado. Aí resolvi fazer a minha receita e, para a alegria da nação e da noite de chuva, ficou uma delícia. Então achei por bem compartilhar com vocês.

Para a galinha guisada, primeiro preparei 4 sobrecoxas sem pele, lavando bem, tirando o excesso de gordura na faca e depois escaldando com água quente. Então escorri e temperei com 1 limão espremidosal marinho e lemon peper, aí deixei descansar nessa mistura enquanto fazia os outros preparativos. Em uma panela grande coloquei um fio de azeiteuma cebola cortada em rodelasmeio pimentão vermelho cortado em pedaços grandes alho picado, então por cima desses ingredientes coloquei as sobrecoxas e cobri com uma lata de tomate pelado cortado em pedaços e completei com a medida de uma lata e meia de água. Reforcei o tempero com cominho, pimenta do reino, açafrão da terra páprica picante. Fechei a panela e deixei cozinhando em fogo baixo.

Enquanto isso, lavei mais ou menos 200g de xerém e deixei de molho em água temperada com um pouco do caldo do frango já fervido e sal marinho. Deixei o frango fervendo em fogo baixo e o xerém de molho por uns 40 minutos, então adicionei uma cenoura cortada em rodelas, escorri o xerém e misturei ao frango. Coloquei mais água pra cobrir toda a mistura e deixei ferver um pouco com a panela fechada. Depois de um tempo comecei a mexer pra não grudar no fundo, adicionando água quando precisava. O ponto é quando a canjiquinha tiver ainda durinha, quase al dente, porque ela vai continuar cozinhando quando desligar o fogo.

Aí é preparar a cumbuca (eu <3 comer em cumbuca), colocar a mistura e por cima espalhar uma salsa picadinha. É aquela comida com sustança e amor, sabe? Que vai encher o bucho e aquecer o coração, e mesmo que a gente esteja totalmente de boa, vamos ficar mais felizes. Garanto. <3



© 2017 - ideias de fim de semana