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texto | ideias de fim de semana
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eu não preciso de você

Toda dependência é ruim. E precisar é uma palavra que carrega esse peso pra mim. Depender de algo ou de alguém é um pesadelo, sejamos justos. Nossa primeira fase na vida é totalmente dependente. Ou temos alguém pra ajudar, ou morremos. Precisamos da nossa mãe ou de alguém que faça esse papel. E cada conquista ao longo da vida é sempre rumo à independência. Pelo menos pra mim é assim. Desde pequena vendi as pulseiras de crochê que eu fazia pra poder comprar os chicletes sem pedir pro meu pai. Não queria precisar dele. Adolescente vendi os biscoitos de aveia que eu fazia pra poder pagar minhas farras sem pedir pra minha mãe. Não queria precisar dela. E assim vamos caminhando para o portão do “eu não preciso de você”.

Aí nos apaixonamos e sofremos aquele amor arrebatador, somos capazes de mudar o rumo das nossas vidas pra viver essa paixão, somos capazes de mover montanhas. Fazemos e deixamos de fazer tudo pensando no outro. Se brigamos o mundo cai, nada mais presta até se fazer as pazes. E então constatamos: eu preciso de fulano pra ser feliz. E quem nunca passou por isso? Seja no fervor da adolescência ou mesmo amadurecendo enquanto adulto, ou até mais velho, quem sabe? Mas o importante é passar por isso. Passar do verbo não passa mais. Passar de ir adiante e deixar isso pra trás. Não necessariamente o relacionamento, não é isso. Acredito que relacionamentos, especialmente os mais longos, tendem a ser vários namoros dentro de um só. As pessoas mudam, o relacionamento também. Então o que eu digo é que não podemos precisar de ninguém pra ser feliz.

Quando precisamos, dependemos. E quando dependemos, não temos opção. E não ter opção faz a gente viver aquilo de forma forçada, obrigada, e tem coisa pior do que você se sentir forçado a fazer algo por não ter outras alternativas? Mas isso não pode acontecer no amor. Ou melhor, quem sou eu pra dizer o que pode ou o que não pode acontecer no amor, né? Mas eu tenho a ousadia de dizer que se você quer ser feliz de verdade, não pode deixar o seu coração ser contagiado pelo vírus do “eu preciso”. Pra ser feliz com alguém é necessário, antes de tudo, ser feliz sozinho. Desculpa, poetinha. Mas é possível, e só é possível, ser feliz sozinho. Porque só assim vamos vislumbrar o outro com nosso coração inteiro.

Isso. Inteiro. Ninguém precisa de metade da laranja, gente. Ninguém pode ser metade. Só se é feliz quando se é inteiro, em busca de outro inteiro para, então, ser feliz a dois. Não virar um só, que coisa insuportável. Somos felizes nós dois, eu e você, lado a lado. E sempre com a opção de soltar as mãos e continuar sozinho. Só me importa caminhar ao lado de alguém que caminhe bem sem mim, porque sei bem que meus passos traçam qualquer caminho sozinhos, por mais tortuoso que seja. Se não for assim, tem um puxando o outro sem nem perceber. E, felizmente, a fase de precisar de ajuda pra andar já ficou pra trás faz tempo.

Posso dizer isso também de outras relações, vale pra todas. Meu relacionamento com a minha mãe, por exemplo, melhorou muito desde que eu saí da casa dela e cortei o cordão umbilical da dependência do mesmo teto. Passei a sentir saudade, a querer mais a presença dela, a querer estar mais em casa com ela, e valorizar mais esse tempo que estamos juntas. Porque eu não preciso. Eu quero. E quero, cada dia mais, estar mais junto dela.

Isso vale para o trabalho. Quando estamos trabalhando apenas porque precisamos daquele dinheiro no final do mês, ou porque devemos uma satisfação, ou porque não temos coragem de soltar as amarras e alçar nossos vôos solo, não rendemos do mesmo jeito. São aquelas pessoas que quando são questionadas “e se ganhar na mega sena?” a primeira coisa que responde é “não venho trabalhar mais”. Porque não tem paixão, não tem vontade. Tem só dependência.

E, claro, que isso vale para os relacionamentos à dois. Não precisar do outro é o primeiro passo para a felicidade. E quando, naquele balanço da relação que volta e meia nos pegamos fazendo, o “preciso” vier demais a mente, está na hora de repensar.

Não quero ninguém precisando de mim. Não quero precisar de ninguém. Quero estar por querer, por vontade, por desejo, por tesão. Quero estar por ser inteira, por querer inteiro, por acreditar que nunca seremos um. Seremos sempre dois unidos pelo amor e pela vontade.

Eu não preciso de você. E isso quer dizer que eu te amo.

sobre desapego

Falar de desapego é muito mais fácil do que praticar. Até me arriscaria a dizer que isso é uma coisa bem de brasileiro. Acho que muito por conta dos momentos econômicos que vivemos no nosso país, somos doutrinados a nos apegar a muita coisa. Parcelamos o sonho da casa própria em 30 anos, compramos carro, guardamos dinheiro na poupança. Mas, muito além do apego ao que é material, nos vemos apegados a uma série de coisas na vida.

Muitas vezes nos apegamos mais a rotina do que ao prazer de fazer as coisas, e quando vemos estamos no automático. É aquela história de que as coisas acontecem onde a sua zona de conforto acaba. E o que é a zona de conforto se não uma piscina cheia de apego, numa temperatura quentinha onde a gente fica seguro dentro? Seguro não quer dizer feliz. Seguro não quer dizer satisfeito. Seguro quer dizer, entre outras coisas, apegado. Firme e forte.

E a segurança é o porto do apego, e o apego está a um passo da cegueira. Porque quem está apegado demais não arrisca, não experimenta, não tenta, não erra e aprende com o erro. E isso é em todas as áreas da nossa vida. Nos apegamos aos empregos que nos pagam no dia 30 mas que nos mantém o restante do mês nos questionando se é isso que queremos da vida. Nos apegamos a um bairro ou a uma cidade porque sabemos onde comprar o pão ou tomar uma cerveja, porque nos sentimos seguros. Nos apegamos a relacionamentos que não nos dão mais frio na barriga, mas que aquecem o travesseiro de vez em quando. Nos apegamos, nos acostumamos, nos anulamos.

O apego é o conforto que incomoda. Ou que deveria incomodar.

E praticar o desapego é bom demais, até a sua pele fica melhor. :) Mesmo que sejam em pequenas doses, em pequenos atos, em pequenas coisas. Dar uma revirada no guarda-roupa, nas gavetas, nos arquivos do computador. Dar uma repensada nos relacionamentos, nas amizades. Ver onde quer chegar daqui a 5 anos e o que fazer pra alcançar. Rever seu plano de carreira, de viagens, de investimentos.

Rever, repensar, retraçar. Esse é o primeiro passo pra sair da zona de conforto e desapegar da segurança. Eu tenho feito muito isso e colocado muita coisa na balança, e uma das coisas que eu fiz foi cortar o cabelo. Sempre tão grande, batendo na cintura. Final do ano passado já dei uma boa cortada, mas agora foi de vez, pra marcar mesmo um novo momento. Porque pequenas coisas surtem grandes efeitos. E se a gente pode desapegar do que vemos no espelho todos os dias, o resto é fichinha.desapega

Boa sorte pra gente. :)

vamos falar sobre o dia da mulher

Eu nunca levantei bandeira do feminismo. Isso porque eu acho que esse termo carrega tudo de bom e tudo de mau ao mesmo tempo. Eu não me identifico com vários atos tachados de feministas, com vários pensamentos de ícones feministas, entre outras coisas. Acho um rótulo pesado, mas que tem ganhado bastante espaço nos últimos tempos. Ainda bem. Porque mesmo que eu não goste muito do termo, tenho que admitir que ele vem abrindo o caminho para discussões de gênero que são tão, mas tão importantes na nossa sociedade.

Quem me acompanha no Facebook volta e meia pode ver alguns posts meus (posto textão mermo) com desabafos sobre os assédios que eu (e todas as mulheres do mundo, isso, MUNDO) sofrem diariamente nas ruas. Há um tempo eu decidi que preciso fazer a minha parte diante desse cenário, e venho respondendo aos homens com o objetivo de constranger mesmo. Ouvir seus “fiu-fius” calada estava a ponto de me dar uma úlcera, então resolvi que ia falar. E falo mesmo. E falo sempre. Andando, pedalando, no ônibus, onde for. Respondo dizendo que isso é assédio e que um dia ele pode ser preso por isso, que mulheres não gostam desse tipo de “elogio”, que isso agride e incomoda. E as reações são as mais diversas. Aqueles que fingem que não falaram nada, aqueles que dizem que eu tô doida por não gostar de ser chamada de linda, aqueles que agressivam dizendo que “é gostosa mesmo e tem que ouvir”, entre outros mil. Mas uma coisa eu tenho certeza: eles não esquecem.

Dia desses voltava de uma farra de taxi, já de manhã, e reparei que o taxista buzinava para as mulheres que passavam na rua e dava aquela boa e velha SECADA. E isso foi me incomodando muito até que eu perguntei “porque o senhor buzina para as mulheres na rua?”, e esse homem gaguejou tanto pra dizer que conhecia aquela mulher, que era amiga dele, mas que ela nunca veria ele e porque o vidro era muito escuro, mas que depois ele ia dizer que buzinou e…. Pronto. Estava constrangido, envergonhado. E quando eu desci do taxi ainda disse “Não buzine mais para as mulheres não, isso é feio e elas não gostam”, e mesmo com ele repetindo “mas era amiga minha” eu só respondi mais “então guarde essa mensagem pra você” e fui embora. Ele vai parar de fazer? Provavelmente não. Mas ele vai lembrar disso, eu tenho certeza. E quanto mais mulheres responderem a ele, constrangerem ele, ele vai diminuir. Ao menos, tenho essa fé.

E eu sei o quanto pode ser perigoso reagir a um assédio. Mas sei também que é perigoso ouvir calada, porque isso dá cada vez mais poder a esse machismo violento. É de um assédio verbal que nascem outras formas de agressão, então perigoso mesmo é ficar calado. Não por você, mas por todas as mulheres. É assim que eu penso e é daí que eu tiro forças para falar, responder, agir.

De um tempo pra cá notícias, campanhas e projetos ao redor do mundo estão pipocando sobre o assédio verbal. O mais famoso deles aqui no Brasil, que vai virar um documentário depois de ser patrocinado pelo Catarse, é o Chega de Fiu-Fiu, que tem um material maravilhoso sobre o tema. Lá tratam de vários outros tipos de agressão, inclusive a virtual que também é sofrida por muitas mulheres, inclusive as que defendem ideias feministas. Teve até uma matéria sobre isso aqui.

Esse outro vídeo foi feito por uma ONG mostra como pode ser insuportável ser uma mulher nas ruas de Nova Iorque.

E ainda tem essa artista maravilhosa, Tatyana Fazlalizadeh, que colocou nas ruas a resposta das mulheres aos assédios dos homens, no projeto Stop Telling Women do Smile. Porque arte é sempre uma arma maravilhosa contra a violência.bk

Enfim, campanhas e projetos não faltam. O que eu queria mesmo era deixar a minha humilde mensagem e experiência. De uma ínfima parte do que representa a luta feminina (e não feminista) diária. Vamos responder. Vamos educar. Vamos envergonhar. Vamos gritar, se precisar. Mas não vamos ouvir caladas as agressões que sofremos todos os dias. Porque é de grão em grão que a gente chega lá.

Ah, e finalizo aqui o post com esse vídeo maravilhoso da ativista Maynara, do projeto Empodere Duas Mulheres, que faz um resgate do que é o Dia Internacional da Mulher. Que não é um dia para se comemorar, é um dia para se discutir e se questionar o papel da mulher na sociedade. Vamos lembrar de como esse dia nasceu e que ele não pode ser engolido por flores, chocolates e anúncios de marcas que querem transformar uma data tão importante na história, num dia a mais do calendário comercial.

E pro seu Dia da Mulher eu não desejo parabéns. Desejo sorte e força, porque é disso que precisamos.

food trucks, gourmetização e mimimi

food truckMuito já se falou, se reclamou, se julgou, se criticou e se curtiu sobre a tal ~onda gourmet~ que, assim como a tal rede mundial de computadores, parece que chegou para ficar. Mas é que volta e meia a onda quebra mais forte e dá vontade de também dar meu pitaco sobre o assunto. Mas é só uma pequena porção da minha opinião, que eu tô servindo aqui com notas de bergamota acompanhada de um pouco de pimenta, claro.

Primeiro que eu não entendo porque as pessoas reclamam da tal ~gourmetização~ das coisas. Pra mim, essa tal onda nada mais é do que a gastronomia ganhando mais espaço, sem tirar o bom e velho pão com ovo do cardápio. Eu sou do tipo que gosta de comer. Como muito e gosto de comer bem. Gosto de experimentar, conhecer misturas e tentar um ingrediente novo de vez em quando. Descobrir sabores é um prazer sem igual, eu acho. Isso pra mim é o trunfo da boa comida, misturar as coisas e fazer com que elas dêem certo. E se isso incluir a reinvenção de um prato tradicional, conhecido, qual é o problema? Se for pra somar, colega, chega mais.

Eu, por exemplo, sou apaixonada por cachorro quente, é meu junk food preferido de todos os tempos do mundo mundial. Sou dessas que sai de casa só pra comer aquele cachorro quente de rua, que causa medo nos estômagos mais sensíveis, sabe? Pronto.

“Aí chega um tal de food truck arrumadinho, bota um pão de beterraba com gergelim, um gorgonzola ou cream cheese, troca minha batata palha por crocante de parmesão, espalha lá uns pedaços de bacon ou até o tal chucrute e serve com queijo muçarela maçaricado, numa caixinha de papelão organizada  cobrando a bagatela de quase 20 reais. “

Agora vem a pergunta: porque isso ofendeu algumas pessoas?

O cachorro quente da barraquina continua lá, com seus 2 conto e sabor inigualável de perigo. Mas se você acha ruim que ele seja reinventado com novas formas, ingredientes e temperos que podem deixar ele mega power delicioso, me desculpe, mas eu não consigo digerir o seu conservadorismo gastronômico. E se o problema for o preço, só posso dizer que ninguém é obrigado a pagar caro por comida. Paga quem quer e quem pode. Sempre teve feijoada de 5 reais e de 50.

Eu mesma sou uma entusiasta da gourmetização. Dos sabores, das formas, de tudo. Quero mais é pizza no palito e brownie no copo bombando por aí, porque quem gosta de comer não pode gostar de rotina, se não fica tudo muito feijão com arroz. Vamos abrir as portas, e a boca, para essa “revolução”. Se for pra ficar bom, que venha. Porque o tal do cachorro quente gourmet é uma delícia. Paletas mexicanas são uma delícia. Café com seiquelá gourmet é uma delícia. Pra mim, claro, porque gosto é que nem… Bem, vc sabem.

“E aí que não bastasse essa galera chegar colocando dijon no meu ovo mexido, ainda aparecem querendo chamar carrinho de comida de ~food truck~ pra garantir que é hype e gourmet até no nome.”

Eu não sei se só eu achei que as pessoas se revoltaram sobre isso, ou talvez eu não tenha entendido a piada. Mas é que pra mim é tão sem sentido isso. A gente tem bistô, cantina, café bar, taberna e os coitados dos food trucks tão recebendo uma carga só porque estão na crista dessa onda gourmet. Tem coisa mais massa que um carro que leve comida boa pra onde quiser ir? Eu acho sensacional. O comer fora ganhou outro sentido. E eu acho, inclusive, que os food trucks são a desmistificação da alta gastronomia, porque mostram que comida boa não precisa estar enfurnada em grandes restaurantes de grife, e podem sim estar andando por aí, parando em qualquer esquina. Então quem vem me dizer que isso é elitizar a comida de rua, eu acho justamente o contrário.

Aí reclamam do gourmet, aí reclamam que é food truck, aí reclamam que é caro, aí reclamam que é isso, que é aquilo. Oh gente, esse mimimi todo tá meio sem sal, tá não? Tem certeza que essa cara feia aí não é fome? :P No fim das contas eu vou torcer mesmo é que essa onda passe, e os peixes fiquem. E que ~food trucks~ sejam vistos por aí como qualquer barraca de água de coco, que as comidas ~gourmet~ estejam mais na mesa do que no instagram e que o preconceito seja digerido e, bem, depois vocês sabem o que ele vira.

Ah, e lembrando que essa é só minha humilde opinião. E que assim como o sorvete italiano e avelã com pipoca de caramelo, ninguém é obrigado a engolir. Mas se você quiser dividir comigo o seu sabor e me dizer o que faz essa conversa ficar mais gostosa, a mesa tá aberta. Vamos trocar essa ideia? :)

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