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a culpa nunca será nossa


Me culpei por não conseguir escrever nada sobre o assunto

Me culpei por mal conseguir falar sobre o assunto

Me culpei por mal discutir sobre isso com meu namorado, com meus amigos homens

Me culpei por ter postado comida ao invés de textão

Me culpei por ter apetite, até que passou

Agradeci por meu Facebook estar fora do ar, e me culpei por isso

Me culpei por rir de um seriado

Me culpei por ter vontade de transar

Me culpei por não ser da corrente feminista que acredita que somos todas irmãs

Me culpei por chorar repentinamente enquanto tentava trabalhar

Me culpei por conseguir trabalhar, até que não consegui mais

Me culpei por ter conseguido dormir sem pesadelos

Me culpei por ter desejado que ela não tivesse sobrevivido pra não ter que carregar esse peso pro resto da vida

Me culpei por querer que cada um dos 33 tivesse uma morte lenta e dolorosa

Me culpei por querer que esse episódio estivesse nos livros de história

Me culpei por pensar que precisa acontecer esse tipo de coisa pra algo poder mudar de verdade

Me culpei por gostar de homem

Me culpei por acreditar em homens que tentam ser melhores

Me culpei por pensar que eram monstros e era loucura, até entender que são homens sãos em sua consciência agindo por escolha

Me culpei por nunca ter sofrido um abuso sexual físico

Me culpei por não saber que tenho amigas que foram estupradas

Me culpei por não saber o que dizer pra elas quando soube

Me culpei por não achar que meu choro era legítimo

Me culpei por não sair respondendo comentários machistas nos posts sobre o assunto

Me culpei porque sou mulher e desde sempre aprendemos que a culpa é nossa. Da nossa roupa, das nossas escolhas, das nossas companhias, da nossa atitude, da nossa falta de atitude.

NÃO É NOSSA CULPA.

A culpa nunca é da vítima. NUNCA. A cultura do estupro está dentro das nossas casas, na nossa família, na nossa escola, na nossa educação. Ela está presente naquelas cantadas nas ruas, naquele compartilhamento de vídeo íntimo no whatsapp, naquela piada que você diz ser só uma piada, naquela frase que você solta sem perceber que está diminuindo a mulher, está nos portais de notícia que descredibilizam o assédio, está na sua fala quando você diz que estamos exagerando, está no seu silêncio quando vê um amigo passando dos limites e não faz nada, está na sua vergonha em dizer que isso está errado e sair de careta. A cultura do estupro está nas suas mãos.

Uma mulher é estuprada a cada 3 horas no Brasil! O Caso dos 30, como está sendo chamado, foi um dos 8 casos do dia. UM.

Espero, de coração, que este caso seja um DIVISOR DE ÁGUAS. Que algo realmente mude na sociedade, na cabeça das pessoas. Que mesmo com tanta coisa ruim rondando sobre isso, que ele traga união feminina, que leve a consciência feminista para os homens, para as famílias, para as escolas. Que não seja esquecido. Que continue incomodando. Que continue doendo. Porque, só assim, vamos lembrar que a mudança está nas nossas mãos.

VAMOS SER A MUDANÇA. Pela menina de 17 anos estuprada por 33 homens, e por todas as outras mulheres. Crianças, idosas, de todas as idades, cores, credos. PELAS MULHERES.

Por favor. Por amor.


a liberdade que oprime


a667836799f6054ad7f5f5058562b6b6Arte: Shiko (Derby Blue)

Qual é o problema de mostrar os peitos? Se os homens podem as mulheres também podem. As mulheres devem mostrar. E porque você não mostra também? Não vai mostrar?! Mas se for mãe tem que mostrar. Tem que amamentar em todo lugar. Quer cobrir com uma fralda? Não pode, tá errado. Claro que o parto vai ser na água, humanizado. O seu relacionamento é aberto, né? Monogamia é uma hipocrisia, todo mundo trai. Selinho não é gaia, e se for amigo também não é, né? Toda mulher fica com outras mulheres, que besteira. Vai dizer que você não tem vontade de um menáge. Voltar da festa antes de terminar? Nem amanheceu ainda. Você nem parece tão bêbada. Fuma maconha mas nunca cheirou pó? Que mentira. Todo mundo fuma. Todo mundo cheira. E daí que é dia de semana? Trabalhar é um saco. Você é escravo do seu chefe. Viciado em trabalho. Só pensa em dinheiro. É de direta. Cadê sua camisa da CBF? Não perde a hora do panelaço. E a dancinha do impeachment? Tudo coxinha. É de esquerda. Tem que ocupar a rua. Cadê o cartaz? Não vi seu textão ainda. Qual é o protesto do dia? Tudo mortadela. Protege os animais? Que mentira, nem compartilhou aquela foto. Sem coração. Não vai resgatar aquele gatinho? Não vai doar pro cachorrinho? Diz que gosta de bicho mas não é vegetariano. Diz que é vegetariano mas as come peixe. Devia andar de bicicleta, seu carro é a culpa do caos. Não sabe da última? Desconectado do mundo. Só vive na internet. Desconectado do mundo. Que mundo? Que mundo é esse.

O mundo onde a liberdade pode oprimir. Sabe quando éramos do crianças e sempre tinha aquele que te chamava de otário porque você não queria tomar uma cerveja? Porque não queria experimentar cigarro? Porque nunca tinha mentido pros seus pais? Porque não queria sair escondido? Mas todo mundo faz. O peso do “todo mundo faz” é enorme. Vivemos uma era de empoderamento linda, majestosa. Mas, como tudo nessa vida, tem o seu reflexo negativo. Um mundo onde as pessoas estão com seu direito de escolha cada vez mais livre, é justamente onde o julgamento vem diante dessa liberdade.

É difícil de explicar o que sinto sobre isso, eu acho. Mas gozando dessa liberdade de escolha em todos os níveis, julgamos e somos julgados o tempo inteiro por quem não faz as mesmas escolhas que a gente. Sinto inclusive uma disputa de quem faz mais, quem faz melhor. Isso não é liberdade. As motivações estão nebulosas, sabe? Algumas vezes não fazemos as coisas pelo nosso propósito, e sim para mostrar que estamos fazendo. Para contar pontos no placar do ativismo daquela causa que resolvemos seguir e ser os melhores nisso. E então começamos a perceber que o julgamento começa no nosso espelho, e transborda por todas as nossas relações.

Vamos aproveitar o tempo de liberdade para sermos, então, livres. Julgar menos os outros. Julgar menos a nós mesmos. Seguir ativistas pelas nossas causas e por aquilo que acreditamos. Seguir defendendo nossos ideais. Seguir respeitando aqueles que não são como nós, e que nem por isso são menos que nós.

Importante, para não haver qualquer mal entendido: machismo, misoginia, homofobia, racismo e todo tipo de preconceito ou violência não é liberdade e não merece ser respeitado. Merece sim ser julgado e exterminado da sociedade.


não meça suas palavras, parça


albert solóvievUm dia, numa discussão, me disseram que eu tinha que medir minhas palavras. Logo eu, que só tenho minhas palavras como arma e como escudo? Fiquei pensando sobre isso. Nós sabemos o quanto as palavras podem machucar, como podem confortar, como podem nos salvar também. Será que é certo medir as palavras?

Se medimos muito que dizer terminamos perdendo a hora do que deve ser dito. Perdemos o sentimento do que queremos falar. É como se a gente precisasse escrever um script e ensaiar antes de dizer. Vamos deixar isso para as novelas. Não podemos sair por aí medindo nossos passos, se não nunca vamos andar por onde não conhecemos. Assim, também não podemos sair por aí medindo nossas palavras e deixando de falar com o coração.

“Ah, mas falar por impulso pode ser muito perigoso”. Claro que pode. E o que é interessante nessa vida que não é perigoso? Devemos correr o risco de dizer o que pensamos na hora que pensamos. Correr o risco de falar nossos sentimentos. Correr o risco de falar uma merda, porque não? Temos que ter maturidade para falar sem medir nossas palavras, mas lembrar que somos responsáveis por cada letra do que dizemos.

“Palavra dita é flecha lançada”. Não sei quem disse isso, mas faz todo o sentido. Não podemos engolir as palavras ditas e as vezes corremos o risco de não acertar a maçã que queremos com essa flecha. E precisamos ser responsáveis em pedir desculpas.

Não é irresponsabilidade falar o que pensa e o que sente. Irresponsável é pensar tanto antes de dizer e terminar por engolir os sentimentos. Isso faz um mal danado. Por dentro e por fora. Então já que eu não concordo com a célebre frase do Pequeno Príncipe, vou tomar a liberdade de parafrasear. Tu és eternamente responsável pelas palavras que proclamas. Porque o que cativas não é um tiro da sua arma, mas as palavras sim.

Não meça suas palavras, parça. Mas seja responsável por elas.

Ilustração de Albert Solóviev.


tempo de recriar


Flora Negri(Foto: Flora Negri)

Eu acho que nunca passei tanto tempo sem postar por aqui.. Mais de um mês de um silêncio que tava me incomodando aqui dentro. Toda vez que sinto que não tenho tempo, ou quando tenho me falta inspiração, eu sinto que tem algo desalinhado na minha vida. Aqui é minha terapia, meu escape, meu respiro. E ficar ausente disso faz com que eu me sinta ausente de uma parte muito boa, leve e importante da minha vida.

Mas quando isso acontece não quer dizer que as cosias estão apenas caóticas, confusas e conflitantes. Isso também, mas não só isso. É um pouco de freio de arrumação misturado com novos momentos, novos trabalhos, novos acontecimentos. Na vida cada escolha é uma renúncia, né? Então a cada vez que miramos nosso barco numa direção estamos perdendo de ir por outra, e isso tudo nos dá oportunidades de um lado e tira do outro. Mas que blá blá blá chato, né?

Na verdade eu só queria mesmo era compartilhar que o clima de fim de ano está chegando na sua melhor faceta: renovação, recriação. Coisas boas estão acontecendo, a energia está circulando e bons frutos serão colhidos. Dei aula num curso maravilhoso no Instituto Candela e descobri que quero fazer mais disso na minha vida, vi que quando crio abuso de cozinhar termino engordando horrores sem nem perceber, fiz uma linda tatuagem nova e agora tenho um braço todo por Nando Zevê, resgatei uma gata que foi adotada por mim e por Victor, programei viagens, passei mais tempo sem ver minha mãe e sem ir à praia do que eu gostaria, iniciei minha divulgação profissional como freelancer de conteúdo e estratégia digital numa fanpage, já que muita gente não sabe com o que eu trabalho e como podemos fazer boas parcerias. Enfim, muita coisa aconteceu e está acontecendo, tudo já amaciando pra que o ano que vem seja massa.

Tenho sentido que é tempo de recriar, de renovar as energias, de refazer planos e projetos. Tenho sentido uma força danada pra isso, não só para mim mas para as pessoas ao meu redor. Novas portas se abrindo e eu torcendo pra gente seguir fazendo as escolhas certas. Que seja um tempo bom e que os frutos sejam doces. :)



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