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texto | ideias de fim de semana
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Tag Archives: texto

não meça suas palavras, parça

albert solóvievUm dia, numa discussão, me disseram que eu tinha que medir minhas palavras. Logo eu, que só tenho minhas palavras como arma e como escudo? Fiquei pensando sobre isso. Nós sabemos o quanto as palavras podem machucar, como podem confortar, como podem nos salvar também. Será que é certo medir as palavras?

Se medimos muito que dizer terminamos perdendo a hora do que deve ser dito. Perdemos o sentimento do que queremos falar. É como se a gente precisasse escrever um script e ensaiar antes de dizer. Vamos deixar isso para as novelas. Não podemos sair por aí medindo nossos passos, se não nunca vamos andar por onde não conhecemos. Assim, também não podemos sair por aí medindo nossas palavras e deixando de falar com o coração.

“Ah, mas falar por impulso pode ser muito perigoso”. Claro que pode. E o que é interessante nessa vida que não é perigoso? Devemos correr o risco de dizer o que pensamos na hora que pensamos. Correr o risco de falar nossos sentimentos. Correr o risco de falar uma merda, porque não? Temos que ter maturidade para falar sem medir nossas palavras, mas lembrar que somos responsáveis por cada letra do que dizemos.

“Palavra dita é flecha lançada”. Não sei quem disse isso, mas faz todo o sentido. Não podemos engolir as palavras ditas e as vezes corremos o risco de não acertar a maçã que queremos com essa flecha. E precisamos ser responsáveis em pedir desculpas.

Não é irresponsabilidade falar o que pensa e o que sente. Irresponsável é pensar tanto antes de dizer e terminar por engolir os sentimentos. Isso faz um mal danado. Por dentro e por fora. Então já que eu não concordo com a célebre frase do Pequeno Príncipe, vou tomar a liberdade de parafrasear. Tu és eternamente responsável pelas palavras que proclamas. Porque o que cativas não é um tiro da sua arma, mas as palavras sim.

Não meça suas palavras, parça. Mas seja responsável por elas.

Ilustração de Albert Solóviev.

tempo de recriar

Flora Negri(Foto: Flora Negri)

Eu acho que nunca passei tanto tempo sem postar por aqui.. Mais de um mês de um silêncio que tava me incomodando aqui dentro. Toda vez que sinto que não tenho tempo, ou quando tenho me falta inspiração, eu sinto que tem algo desalinhado na minha vida. Aqui é minha terapia, meu escape, meu respiro. E ficar ausente disso faz com que eu me sinta ausente de uma parte muito boa, leve e importante da minha vida.

Mas quando isso acontece não quer dizer que as cosias estão apenas caóticas, confusas e conflitantes. Isso também, mas não só isso. É um pouco de freio de arrumação misturado com novos momentos, novos trabalhos, novos acontecimentos. Na vida cada escolha é uma renúncia, né? Então a cada vez que miramos nosso barco numa direção estamos perdendo de ir por outra, e isso tudo nos dá oportunidades de um lado e tira do outro. Mas que blá blá blá chato, né?

Na verdade eu só queria mesmo era compartilhar que o clima de fim de ano está chegando na sua melhor faceta: renovação, recriação. Coisas boas estão acontecendo, a energia está circulando e bons frutos serão colhidos. Dei aula num curso maravilhoso no Instituto Candela e descobri que quero fazer mais disso na minha vida, vi que quando crio abuso de cozinhar termino engordando horrores sem nem perceber, fiz uma linda tatuagem nova e agora tenho um braço todo por Nando Zevê, resgatei uma gata que foi adotada por mim e por Victor, programei viagens, passei mais tempo sem ver minha mãe e sem ir à praia do que eu gostaria, iniciei minha divulgação profissional como freelancer de conteúdo e estratégia digital numa fanpage, já que muita gente não sabe com o que eu trabalho e como podemos fazer boas parcerias. Enfim, muita coisa aconteceu e está acontecendo, tudo já amaciando pra que o ano que vem seja massa.

Tenho sentido que é tempo de recriar, de renovar as energias, de refazer planos e projetos. Tenho sentido uma força danada pra isso, não só para mim mas para as pessoas ao meu redor. Novas portas se abrindo e eu torcendo pra gente seguir fazendo as escolhas certas. Que seja um tempo bom e que os frutos sejam doces. :)

o paradoxo de apressar o relógio pra querer tempo

Que o tempo é o mestre das coisas, isso pra mim já está claro. Só ele cura, só ele amansa, só ele constrói, só ele destrói. Mas desde que mudei meu estilo de vida para trabalhar em casa que eu tenho me perguntando porque vivemos querendo apressar o relógio. Agora que eu trabalho por conta própria, pra mim a sexta-feira não é mais super valorizada, e nem o final do mês. Mas será que é só pelo trabalho que queremos tanto apressar as coisas?

Eu acho que nunca tinha visto tanta gente pedindo o fim de agosto e o começo de setembro como esse ano, como se isso fosse a cura para tantos problemas. Tudo bem que tem todo um misticismo em torno de agosto, mas será que é só isso? Ou nós não estamos conseguindo viver os nossos dias e vivemos fazendo planos para um amanhã que nunca chega? Olhando de cima, acho que ainda estamos vivendo numa fase de “vou guardar tudo pra ser feliz nas minhas férias”, e assim vivemos apenas a felicidade um mês no ano? Ou dois dias na semana em detrimento de cinco? Isso tem me deixado maluca.

Porque ao mesmo tempo que comemoramos que finalmente acabou agosto e chegou setembro, estamos planejando nosso ano novo e nosso carnaval, e quando vê estamos em 2020. E não é exagero, falta pouco. Bem pouco. E nesse ritmo de sempre querer que o amanhã chegue mais rápido, vamos vivendo cada vez menos e planejamento cada vez mais coisas que nós ainda não sabemos se vamos viver.

Esses dias tive um pesadelo terrível, pior do que os que eu tenho normalmente. Sim, eu sofro de pesadelos e tenho vários dos piores tipos. Mas esse foi péssimo. Eu dormia, acordava, dormia e entrava nele de novo. E acordei com os olhos grudados de quem chorou a noite toda, sabe? Pronto. E nesse pesadelo, sem detalhes, eu perdia a minha irmã e a minha cachorra. E tudo que eu pensava era que tinha passado pouco tempo com a minha irmã, que a gente se falava pouco, se curtia pouco, que eu não dava a atenção devida a Chica mesmo estando em casa, e que devia ter levado mais ela pra passear na praça ou correr na praia. E isso me deixou nervosa e até meio paranóica.

Porque ao mesmo tempo que queremos que o mês termine, queremos viver cada dia como se fosse o último. E queremos realizar tantas coisas, fazer tantas viagens, conhecer tantos lugares, comer tantas comidas gostosas, sair com aqueles amigos que sempre marcamos. É o paradoxo do tempo. Nós conseguimos deixar ele ainda mais relativo, porque ao mesmo tempo que queremos apressar a sexta-feira, queremos ter tido mais tempo com os amigos. Ao mesmo tempo que queremos o final do mês logo, queremos tirar da agenda aquela ida a um bar legal. Mas estamos sempre esperando aquele dia… Aquele, sabe?

Esse desabafo todo é porque chegou a sexta-feira, e vamos ver um monte de gente comemorando que hoje tem. E quando chegar a segunda-feira vamos ver pessoas tristes, pedindo que a semana passe rápido. Não essa, que é feriado, né? Mas em todas as outras segundas-feiras “normais”. Aí quando vê, acabou setembro. E o que você fez que fez a diferença na sua vida? O que você fez pra ser feliz? O que fez que te fez bem ou que fez bem para outra pessoa?

Vamos desacelerar, gente. Vamos parar de supervalorizar os finais de semana, o final do mês, as férias que nunca chegam. Vamos fazer dos nossos dias momentos mais com mais prazer, pra querer que cada um dure pra sempre. E se quando você lê isso você pensa que não tem tempo pra ser feliz porque está trabalhando demais ou ocupado demais, repense seu estilo de vida. Porque cada dia te oferece uma chance de ser inesquecível, e se você estiver pensando no amanhã pode não enxergar.

Bom dia, todos os dias.

 

o paradoxo dos relacionamentos

spring-awakeningQue manter relacionamentos saudáveis não é fácil, acho que todo mundo sabe. E eu falo de qualquer tipo de relacionamento, namoro, casamento, família, amigos, trabalho, tudo. Porque todo relacionamento é uma via de mão dupla, da qual você só tem controle sobre um dos lados. E é preciso ter cuidado e atenção o tempo inteiro durante o caminho nessa estrada.

Pra mim, a base de qualquer relacionamento se resume numa frase: não faça com o outro o que você não gostaria que fizessem com você. Parece simples, né? Mas nem sempre nos fazemos as perguntas certas na hora de tomar decisões, nem sempre nos colocamos no lugar do outro . E terminamos machucando o outro lado sem querer, e fazendo coisas que nos machucariam sem fossem feitas com a gente.

E outra coisa que é super importante nos relacionamentos, também se resume numa frase: não espere do outro o que você faz por ele. Claro, afinal, somos todos pessoas diferentes, que nos comportamos diferentes e temos diferentes formas de fazer as coisas. E não é só porque você faz tudo acreditando estar fazendo o melhor para o outro, que ele vai fazer o mesmo por você. E quantas vezes a gente se decepciona por criar uma expectativa baseada no que nós mesmos fazemos e queremos né?

Mas se a gente reparar, o paradoxo dos relacionamentos está justamente na junção dessas duas frases. Você faz com o outro o que gostaria que ele fizesse com você, mas não pode esperar que ele faça por você o que você fez por ele. Complexo, né? Eu acho. E é por isso que é tão difícil manter os relacionamentos sempre bem, felizes e satisfeitos. Porque algo nesse paradoxo foi feita pra dar errado. Aí nos desentendemos com nossos amigos, nossos pais, nossos namorados, nossos chefes, e sempre terminamos caindo no buraco da vitimização. “Porque ele fez isso comigo?!”. Mas já parou pra pensar o quão egoísta e egocêntrico é esse pensamento? As pessoas tomam decisões e fazem escolhas nas suas vidas pensando nelas, pensando no momento. O que faz você pensar que isso foi feito “por você” ou “para você”?

E quando nós conseguimos ter a consciência de todo esse cenário, passamos a entender melhor nós mesmos, os outros e os relacionamentos que se formam. Entendemos que não podemos responsabilizar o outro pelas expectativas que criamos e que não devemos nos colocar no umbigo do mundo e achar que as coisas são feitas pra que a gente sinta ou perceba algo. Parece simples, mas volta e meia esquecemos de algum desses pontos e metemos os pés pelas mãos. Então fica aqui essa reflexão. Vamos pensar mais sobre como agimos dentro dos nossos tantos relacionamentos cotidianos. É um exercício constante e diário. E não vamos desistir de tentar ser cada vez melhores, mesmo que os outros lados não nos acompanhem. Vamos agir com todo o coração, sempre. :)

Ilustração da alemã Catrin Welz-Stein

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