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texto | ideias de fim de semana
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Tag Archives: texto

o amor confunde

A gente confunde amor com saudade.

Saudade é ausência.

Amor é vontade da presença.

 

A gente confunde amor com tesão.

Tesão é ir pra cama junto.

Amor é querer acordar junto na cama.

 

A gente confunde amor com vontade.

Vontade é pra agora.

Amor é pra amanhã. E depois.

 

A gente confunde amor com presença.

Presença é estar junto.

Amor é se fazer presente em qualquer distância.

 

A gente confunde amor com paixão.

Paixão é pedaço.

Amor é inteiro.

 

A gente confunde amor com compromisso.

Compromisso é obrigação.

Amor é voluntário.

 

A gente confunde amor com relacionamento.

Relacionamento é pra fora.

Amor é pra dentro.

 

A gente confunde amor com dor.

Dor passa.

Amor transforma.

 

A gente confunde amor com poesia.

Poesia rima.

Amor ri.

 

A gente confunde o amor com nós.

Nós somos.

Amor soma.

 

O amor confunde a gente.

A gente confunde o amor.

a leveza e a tríade do relacionamento

leveza 2 leveza leveza 3 leveza 4A maior bagagem que a gente tem que carregar na vida é a leveza. Irônico, né? De ponto em ponto carregamos algo mais para ser mais leve. Porque ser leve não é ser vazio, é ser preenchido de plenitude. E só se consegue a leveza plena quando temos dentro de nós o amor.  O amor é esse bicho que as vezes pesa no peito, as vezes nos faz flutuar. Mas é só através do amor que conseguimos ser inteiros, preenchidos e leves.

Quando falamos de amor, pensamos muitas vezes nos relacionamentos. Mas o amor é muito mais do que o relacionamento entre as pessoas. E os relacionamentos são muito mais do que o amor. Estive pensando nas bagagens que eu carrego da vida, nos pontos que colhi, e percebi que o amor faz parte de uma tríade do relacionamento. Na minha cabeça eu descobri isso, e percebi que o relacionamento tem três pilares: o amor, o tesão e a felicidade.

Se pararmos para pensar, todos os três podem existir entre as pessoas de forma independente. Mas para que um relacionamento seja pleno, os três precisam existir juntos e alinhados. Pode tesão sem felicidade, amor sem tesão, mas o que é mais difícil de aceitar é o amor sem a felicidade. Aceitar que o amor não basta pra ser feliz é uma elevação de espírito. Deveria bastar, na verdade. De tão intenso, forte e completo, o amor deveria bastar. Chega a ser injusto.

Mas o amor não basta. O tesão não basta. A felicidade não basta. A leveza só se encontra num relacionamento quando esses três caminham juntos. Só existe força diante disso. Só existe amanhã diante disso. E quando a gente achar que sorrir é ser feliz, vamos lembrar que “só” feliz não basta.

Essas fotos foram tiradas por Ivan Alecrim, do Instituto Candela. E quando eu olho pra elas me inspiro em falar de leveza e plenitude. Porque nós precisamos nos encarar de frente, nos ver, nos observar, para só então nos encontrar. E as vezes não tem espelho que faça isso pela gente. Muito obrigada pelas imagens, Ivan. Aqui eu enxergo um pouco de mim e lembro que preciso ser plena e carregar a leveza sempre. Obrigada. Mesmo.

leveza 6

eu não sei lidar com a morte

Na verdade, eu acho que ninguém sabe lidar com a morte. Não interessa se ela vem de surpresa ou se já é esperada. Não interessa se você está num dia bom, se é uma sexta-feira de sol ou uma segunda chuvosa. Não interessa se você é rico, feio, crente ou gente boa. A morte é uma coisa que iguala a todos. Todos os que vão e também os que ficam.  Que transforma todos os dias numa quarta-feira cinza. Faz todos caírem em prantos, ficarem tristes, desabarem.

Eu não sei lidar com a morte.

Minha ficha não cai, eu demoro a entender, a acreditar. Minha força toda eu dou para as pessoas, acho que é minha maneira de ficar forte. É segurando, amparando. Não importa o tamanho da minha dor, ela sempre fica menor quando eu cuido da dor dos outros. E essa dor é um buraco aberto, que só vai cicatrizando quando a gente vai preenchendo com um pouco de nós mesmos. Nada preenche esse vazio, a não ser a gente. Com nossas lembranças, nossa saudade, nossas lágrimas. Elas precisam cair e rolar, e muitas, muitas vão rolar pra sempre. Porque é uma forma de reconhecer que se faz falta é porque foi importante e foi bom. As lágrimas são um sinal de que tudo valeu a pena, são o troféu da falta.

Eu não sei lidar com a morte.

Acho que por isso que quando ela aparece, eu coloco meu foco na vida. É impressionante o poder de transformação que a morte tem na nossa vida. Ela transforma as pessoas que ficam, transforma as memórias, as histórias. Ela aproxima pessoas distantes, ela faz com que a gente resolva problemas, ela esquece assuntos inacabados. Ela nos mostra quando era só orgulho, quando era uma besteira, quando não valia a pena. Ela dá um tapa na cara que abre o nosso olho para o que realmente importa, e é quando nos damos conta que desperdiçamos tanta energia a toa. A vida tem dessas coisas, o triste é que as vezes só nesses momentos que nós nos damos conta disso. E da importância de viver leve, viver bem, viver feliz e cercado de quem a gente ama.

Eu não sei lidar com a morte.

Porque ela é autoritária e não dá direito de resposta. Ela é aquela que fala e bate a porta na nossa cara, indo embora. Ela é aquela que sempre tem a voz mais alta e o ponto final. Nunca gostei disso. Gosto de questionar, querer entender, tentar remediar, mudar. Mas com ela não tem negociação, não tem “mas, porque?”, não tem. Com ela não tem nem espaço pra dizer que foi injusto, de praguejar e pedir a revisão, a tréplica, recorrer. Ela nos puxa pra um buraco tão fundo que nem opção ela nos dá, nós só podemos ir pra cima e melhorar. Depois que ela aparece não adianta nem querer ficar mais triste do que se está, ela é o máximo da tristeza, da dor. Ela é tão mandona que só nos oferece a chance de melhorar e ficar bem, não tem outra opção. Então diante disso nos resta abaixar a cabeça e aceitar. Aceitar que o tempo vai passar. Aceitar que vamos melhorar. Aceitar que vamos sorrir. Aceitar que vamos viver.

Eu não sei lidar com a morte.

Porque ela faz nossos sorrisos parecerem injustos. Nossa felicidade ser errada. Ela faz com que a gente queira que o mundo pare para a nossa dor, para a nossa tristeza. Ela faz com que tudo pareça errado demais ou cedo demais pra continuar seguindo em frente. Mas injustos somos nós, que somos egoístas em querer colocar em quem vai o fardo dessa dor. Não, quem vai não merece essa culpa de ver que as coisas pararam. Quem vai quer que a gente siga, que a gente sorria, que a vida ande. E ela anda, e o tempo passa, e a dor diminui. Não é errado cair na gargalhada, fazer uma piada, fazer uma festa. Não é errado transformar a dor em saudade e boas lembranças. Não é errado, muito pelo contrário, é a única coisa que temos certeza de que está certo. Porque eu posso não saber lidar com a morte, mas ela me ajuda a saber lidar melhor com a vida

Vamos viver, amar e ser felizes intensamente. Gastar nossas energias com o que, e com quem, vale a pena. E vamos deixar o tempo passar, porque só ele pode nos empurrar para os próximos passos.

sobre “para sempre”

Ontem, na academia, eu ouvi uma conversa entre um homem que queria se tatuar e outro nitidamente contra a ideia. E o argumento dele foi exatamente esse “Não se marque não, véi. Nada nessa vida é pra sempre, nem a tua filha.”. Eu fiquei tão chocada com o comentário que postei isso no Facebook. Foi quando Milena comentou “Essas pessoas que não sabem conviver com o eterno.. <3”, e isso me deixou pensando sobre esse “para sempre” das coisas.

Quando a gente é mais novo, tudo parece uma eternidade. A espera pela hora do programa preferido, a demora na casa da tia chata, a viagem de carro, o dia de começo das férias. Depois, as coisas começam a acontecer rápido e a gente quer que elas durem pra sempre. O primeiro beijo, o primeiro namorado. Então vem a primeira fossa e a gente acha que também vai durar pra sempre, ainda mais pra sempre do que esperar sua mãe chegar em casa quando ela dizia “Quando eu chegar a gente conversa”.

E, sem perceber, vamos acumulando eternidades na nossa vida. Pequenos momentos de pra sempre que as vezes passam rápido, as vezes demoram, as vezes ainda estão acontecendo. Porque chega um momento na nossa vida que a gente realiza que tudo é pra sempre. Geralmente é o mesmo momento que a gente aprende que nada é eterno, sabe? Pois é. Pode parecer meio confuso, mas é, pra mim, a realidade.

A única coisa que dura pra sempre nessa vida é o momento. As pessoas que passam na nossa vida são eternas, mesmo quando se vão, quando se afastam, quando mudam. Os sabores são eternos, os cheiros também. As viagens que fazemos, as ressacas que tivemos, os sustos, os medos, os sonhos. Tudo é tão pra sempre que eu queria ter uma memória melhor pra guardar mais na cabeça do que no coração certas cosias e pessoas que passaram na minha história.

E pensando no comentário de Milena, realmente tem gente que não sabe conviver com a ideia do eterno. Mesmo que cada passo que a gente dê, que cada palavra que diga, que cada gesto que faça seja eterno, a ideia de fazer algo que dure pra sempre ainda incomoda. Tem coisa que seja mais eterna do que as palavras? A gente lembra de quando ouvimos eu te amo pela primeira vez, lembra daquela poesia, daquela música e daquele fora que levamos numa discussão. Lembramos que as vezes falamos só pra machucar, mas que terminamos marcando mais do que se batêssemos na cara. As palavras são muito mais eternas do que qualquer tatuagem, são a cicatriz mais profunda que se pode carregar.

E sim, é difícil conceber que somos feitos de pequenas eternidades. Que somos eternos pra outras pessoas e que transformamos qualquer bom dia num pra sempre na nossa vida. Mas quem disse que viver é fácil? Então, se eu pudesse voltar lá e olhar no olho daquele moço que proferiu essa frase sobre nada ser pra sempre, eu diria: “moço, se você não faz nada pra ser eterno na vida, então você não está vivendo.”.

Então vamos viver sem medo do pra sempre. Vamos viver é com medo de que tudo seja passageiro e desapareça. Porque eu quero que tudo que passe, passe pra sempre como um filme em mim.

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