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quebra-cabeças, livros de colorir e o resgate lúdico como terapia


Quando teve esse boom dos livros de colorir, fiquei pensando o quão maravilhoso eu achei isso. Claro que sempre vai ter quem critique, quem não goste ou simplesmente que não se identifica. Mas eu achei tão maravilhosa a atitude de se desestressar colorindo, como a gente fazia pra se distrair na infância. Pra quem não sabe, vou contar um pouco da história do blog. O Ideias de Fim de Semana surgiu quando eu trabalhava em agência de publicidade e não tinha tempo pra nada. Passava a semana inteira correndo e sem horário pra chegar em casa, recebendo meu salário para ter ideias super legais e criativas para os clientes. E essa era a minha vida. Mas me vi com uma necessidade impressionante de fazer algo pra mim, por mim, e dedicar um tempo as minhas próprias ideias. E por isso é Ideias de Fim de Semana, porque eram aquelas que eu trabalhava pra mim, fora do expediente de trabalho. E essas ideias começaram, em sua maioria, com projetinhos simples de faça você mesmo, que me deixavam colocar a mão na massa. E eu, que sempre gostei de manualidades, comecei a tratar isso como uma terapia. Sim, esse blog sempre foi uma terapia pra mim. E desde recortar, colar, montar, pintar, decorar, cozinhar e escrever, tudo era um pouco do meu mundo de fazer eu mesma pra mim mesma. Tudo me ajudava a relaxar. E o que é isso tudo se não um imenso resgate ao lúdico de que nos vemos precisando tanto?

A minha geração, que nasceu em meados dos anos 80, viveu e ainda vive um momento de grandes revoluções. As mudanças estão cada vez mais rápidas, as tecnologias avançam cada vez mais rápido, o consumo muda, a internet muda, as relações mudam, as formas de contato mudam, os trabalhos mudam, tudo muda. E isso vai levando a gente numa maré turbulenta e que nem sempre conseguimos levantar a cabeça pra ver para que lado está o horizonte e nos orientar. E acho que os livros de colorir, os quebra-cabeças e tudo isso está diretamente ligado a essa nossa necessidade de relaxar “voltando” ou “parando” um pouco no tempo.

Claro que cada um sabe a sua forma de se encontrar e esvaziar a cabeça. Alguns nem chegariam perto dessas manualidades todas. Mas eu sou uma dessas pessoas que mete a mão na massa pra descansar a cabeça. Seja com uma furadeira apontada pra parede, seja pintando um livro. Quando me vejo fazendo algo de mim pra mim, já sinto que estou resgatando um pouco do meu tempo e isso vai acalmando meu coração.

Há alguns dias atrás eu estive em São Paulo e comprei uma cabeça de alce de madeira, de montar. E claro que eu comprei porque achei era maravilhosa e porque já queria faz tempo uma ~taxidermia fake~ na minha decoração. Mas quando comprei, percebi que eu estava mesmo era ansiosa pra montar a cabeça. E confesso que fiquei até um pouco triste quando vi que era tão fácil e foi tão rápido. Porque abrir a caixa, separar todas as peças, montar, ver a peça tomando forma, isso tudo é uma terapia pra mim.

Então se eu pudesse deixar uma simples mensagem aqui, seria pra cada um encontrar a sua terapia. Aquilo que se faz para dar uma pausa dessa ~louca vida louca~ e se dedicar a você. À sua cabeça. Ao seu coração. Valorizar o seu tempo pra você. Criar coisas pra você. Entregar só a você os seus resultados. E perguntar a você mesmo se ficou bom, se alcançou suas expectativas. E se desafiar a fazer melhor. E mais vezes. A minha terapia é essa aqui. É escrever, é cozinhar, é brincar com minha decoração, com minhas plantas, com meus quebra-cabeças e livros de colorir. E eu desejo muito que cada um consiga encontrar a sua forma de se tratar. Porque se dedicar a você mesmo por um tempo pode ser o remédio pra várias doenças. Acredite.

Bom dia. :)


um doce e uma ajuda


Esse fim de semana foi super difícil… No sábado ficamos sabendo que meu primo estava hospitalizado em estado gravíssimo depois de uma hemorragia interna e uma parada cardíaca, em decorrência de complicações de uma cirurgia bariátrica que ele fez há 2 anos atrás. Foi e está sendo um susto muito grande. No âmbito da medicina, tudo que poderia ser feito, se fez. Ele precisou de transfusão de sangue, e é por isso que eu vim pedir uma ajuda.

Na hora que esse post entrar no ar eu devo estar doando sangue para ele, e qualquer um pode fazer isso. Doar sangue já é um ato de solidariedade que deve ser praticado sempre e, nesse caso, a solidariedade tem nome. Você pode doar qualquer tipo de sangue no HEMOPE, em Recife, em nome de Yvison Oliviera Barbosa Cavalcanti, que está na UTI no Hospital da Unimed. Se não puder doar, pode dar uma força divulgando e fazendo pensamentos positivos, que também vai ajudar muito.

E como, infelizmente, não havia mais nada que eu pudesse fazer por ele, resolvi pegar o domingo para uma terapia que eu gosto: cozinhar. Ontem eu estava precisando ocupar a mente e fazer pensamentos positivos, e nada melhor para garantir isso do que cozinhar. Então nasceu essa trouxinha de doce de leite e biscoito.

Eu inventei esse doce que, para quem foi feito como terapia, ficou bem gostoso.

Primeiro eu preparei o recheio, partindo biscoito maizena em pedaços pequenos. Fiz isso em cima de um escorredor e depois tirei o excesso de “pó” do biscoito, deixando só os pedaços mesmo. Não sei porque eu cismei que esse pó ia deixar a mistura muito doce e dura, mas eu não sei se faz o menor sentido… Então eu misturei o biscoito ao doce de leite cremoso, e estava pronto o recheio.

A massa é de panqueca doce, que eu fiz pegando a receita tradicional (1 ovo, 1 xícara de farinha de trigo, 1 xícara de leite, 1 colher de chá de fermento) e adicionei duas colheres de sopa não muito cheias de açúcar, uma colher de sopa de chocolate em pó e uma colher de chá de essência de baunilha. Bati tudo no liquidificador e deixei descansar na geladeira por um tempinho.

Depois é só untar uma frigideira antiaderente com um pouco de manteiga sem sal e preparar as panquecas, cuidando para que não fiquem duras, virando assim que as bordas começarem a soltar. Para rechear é bom deixar a massa esfriar, então é só colocar um pouco de recheio, fechar no meio e juntar as pontas. Usei um palito de petisco para fechar e pronto. Até que ficou bonitinho, né?

E doce como a esperança deve ser.



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