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basta de mulher guerreira


Hoje é Dia Internacional da Mulher. E daí?

Eu não tenho nada contra nem a favor a esse dia. Adoro quando ganho flores e chocolates e, felizmente, não é só nesse dia que eu ganho. Mas, aqui pra nós, eu não perco muito tempo pensando nas conotações políticas e sociais de ter um dia da mulher. Eu simplesmente passo por ele, agradeço e… Próximo, por favor?

Mas é inevitável ver a sequência de homenagens feitas nesse dia. E quando eu vejo, a maioria fala das mulheres guerreiras, fortes, lutadoras. Que a delicadeza é um dom mas que guarda a garra e a força que só a mulher tem.

E eu estou cansada disso de mulher guerreira. Sim, sou forte. Fui criada por uma mulher forte, batalhadora, guerreira. Herdei a coragem e a dureza de seguir sozinha, de seguir em frente, de ser independente. Mas tem dias que eu só quero ser mulher. Na conotação mais machista possível.

Quero ser delicada, quero ser indefesa. Quero ter quem me segure, quem me apóie, quem me guie. Tem dias que eu não quero isso de independência. Quero ajuda. Quero precisar. Quero simplesmente ser isso que chamam de sexo frágil.

Quero ser mulherzinha. Pedir ajuda pra fazer coisas de homem. Ter um homem pra pedir ajuda. Não ter que tomar decisões. Não precisar de iniciativa. Não me interessa se acham sexista isso de mulherzinha e coisas de homem. Acho hipócrita quem diz que isso não existe.

Tanto existe que não importa o quão guerreira, forte, independente e foda uma mulher seja, ela sempre vai precisar de apoio quando for chorar. Porque o que é a mulher, se não apenas um ser humano que se permite ter e viver os dois lados da moeda. O forte e o frágil. Tenho pena de quem levanta a bandeira só de um deles e guarda o outro no seu baú de frustrações.

Nesse dia de homenagear as fortes, eu só quero ser a frágil.

Feliz dia, mulheres.


13 comentários sobre o assunto

Mas, infelizmente é sendo Guerreira que a gente vence na vida, amiga.
Ser frágil é lindo, é legal, é inevitável. Como não ser frágil, sendo mãe, sendo profissional, sendo mulher. Como não ser frágil vivendo, neh? Essa vida cheia de altos bem altos e baixos bem baixos.
Não existe nem certo nem errado. O dia é nosso é vamos curtir as homenagens.
Feliz dia da mulher <3 te amo.

Lucila Monteiro

Eu só quero ser igual. Nem melhor nem pior. Não quero ser discriminada por nenhuma condição ou escolha que eu fizer. Não quero ouvir que se estou nervosa deve ser tpm, se tenho mau humor é pq devo ser mal amada. E esta é uma batalha que ainda não foi vencida. Por isso preciso continuar lutando.

vanisa

Gente!o que é isso pra que tanta discussão sobre uma data se fosse assim não poderíamos comemorar natal nem ano novo tbm não tem isso homem tbm é frágil tbm é mal amado essa data apenas quer lembrar da luta que as mulheres enfrentaram 130 mulheres foram mortas queimadas trancadas numa fábrica pq queriam que seu trabalho reconhecido e melhor remunerado etc…e tal não precisa desse diluvio por uma data!

Kattiuscia

Anna, entendo perfeitamente o que dizes, chegamos onde estamos sendo guerreiras, mas uma hora essa luta cansa e toda mulher passará por isso um dia, chegará nesse ponto que falas, de querer ser apenas mulher, frágil, dependente e com um colo protetor para chamar de seu. Viva então a dualidade da mulher, e agradeço por estar neste momento, o momento em que o equilíbrio entre a guerreira e a princesa se encontram para viver a plenitude em uma só pessoa! Super beijo!

Simoni

Matou a pau. Os homens também se sentem assim.

Ana

por isso que eu te amo <3

Juliana

Ufa! Até que enfim alguém colocou esse dia em seu devido lugar, sem mimimi, sem rosashock. Ainda temos muitos dragões para matar e muitos colos para pedir, antes de poder estourar rojões nesse dia.

lili

Anna,
Fragilidade não tem relação com gênero, tem relação com a vida, com a batalha cotidiana. Não importa se homem, ou mulher, todos sentimos a fragilidade e a vontade de carinho, de abrigo, de apoio, de amor.
A luta política (travada hoje e todos os dias) é por superar essas dicotomias, homem=forte, mulher=frágil, que limitam o exercício de uma vida plena por ambos.
Gosto muito da proposta do seu blog e espero que a partir das reflexões colocadas nos comentários você possa pensar a luta política pelo reconhecimento da força, da garra feminina não como a exclusão do seu lado sensível, mas como uma luta pela possibilidade de expressão de todas as sensibilidades e forças.
beijo,
Rita

Rita

ANNA, adoro seu blog e por te achar sempre democrática, me sinto à vontade para também discordar um pouco de vc..
Acho que o passado de luta( e sofrimento) das mulheres, dos negros e afins merece ter um dia para ser lembrado, reconhecido e valorizado.. Isso não nos torna menos, nem mais..

KARINA

Ameiiiiiiiiiii….muito bom poder assumir as nossas fragilidades!Eu diria que a força é inerente e a fragilidade e delicadeza,necessárias!bj

Fabiane

Adorei! Com certeza um dos melhores textos que li sobre o dia da mulher! Bj

Ana Paula Franzoti

Amore venho acompanhado seu blog a um tempo.
Eu gostei do seu desabafo, mas gostaria ponderar algumas coisas, no sentido de contribuir.
Sou do movimento feminista e também fui criada por uma mulher forte e guerreira. Entendo o que vc colocou, mas quando nós falamos de mulher guerreira, geralmente não a colocamos como apenas uma mulher dura, forte, mas sim uma mulher que vai poder falar de seus sentimentos, expor sem ser tolhida. Ela tem o direito de amar e ser amada e ter alguém para segurar na mão e apoiá-la, mas que isso não a faça prisioneira dela mesma ou dos outros. Que ela possa contar com o companheiro (isso é reivindicação do movimento), mas que ele não a trate como um ser incapacitado. O próprio dia da mulher surgiu de reivindicações que passavam pelos sentimentos das mulheres. Como o direito de trabalhar menos para poder ficar perto de seus filhotes, que eram tratados como pequenos escravos da indústria têxtil.
Eu adoro seu blog e pelo o que acompanho penso que vc é uma pessoa super massa. Por isso resolvi dar minha opinião, o dia da mulher não só um dia de flores e nem de gritos de reivindicações, mas também de falar dos sentimentos, dos nossos sentimentos de como somos vistas pela sociedade e de como gostaríamos de amar sem ser rotuladas.

Anna Luisa

Adorei!!! É sempre assim que me sinto vendo todas essas homenagens cheias de hipocrisia!!
“Chega de ser guerreira”

Maira

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