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entrei no mundinho da bicicleta


michoneEu não sou cicloativista. Eu não sou contra carros. Eu não levanto partidos. Eu tenho carro, e vou continuar tendo. Dito isso, começo uma declaração livre de qualquer bandeira, beleza? É apenas um relato de uma pessoa que, mesmo sabendo o que ia encontrar num trânsito “compartilhado”, se chocou.

Não é de hoje que as atitudes dos seres humanos impressionam com sua desumanidade, né? Mas eu nem vou entrar nos méritos dos grandes casos. O que mais me choca no dia a dia é a falta de educação, de gentileza, de bom senso. Eu morava há quase 20km do meu trabalho e pegava entre 1 e 2 horas por dia de trânsito, todos os dias. E eu sei os efeitos que isso causa nas pessoas. Nervosismo, cansaço, estresse. E quem sofre geralmente são as pessoas ao seu redor. Outros motoristas, motociclistas, ciclistas, pedestres. O trânsito é um show de horrores todos os dias.

Hoje foi o primeiro dia que eu vim trabalhar de bicicleta. Eu estou morando agora a pouco mais de 3km do trabalho e o percurso é relativamente tranquilo. Eu não passei a vir de bike pro trabalho pelos movimentos de tirar um carro da rua nem nada disso. Desculpa decepcionar. Minha decisão de pedalar como meio de transporte é mais egoísta do que isso. Eu não quero demorar 30, 40, 50 minutos dentro do carro no trânsito pra percorrer 3km. Simples assim. E eu me aproveito desses movimentos pró-ciclísticos que estão acontecendo e entro numa onda onde pessoas estão querendo mais espaço nas ruas, mais ciclivias, ciclofaixas, mais respeito.

Mas tenho que dizer que ainda falta MUITO. Na verdade, quando eu fui pra parte prática da coisa, de colocar o capacetinho, a mochilinha e jogar a bike na rua, eu achei que nada tinha sido feito. Realmente. As pessoas não respeitam e pior, elas querem agredir as pessoas das bicicletas. Gratuitamente. Talvez esses movimentos muito calorosos dos ciclistas esteja até atrapalhando, sabe. Acho que isso está incomodando as pessoas. E eu mesma me sinto incomodada com tanta rebelião. Eu tenho carro, não vou deixar de ter e eu não sou uma pessoa ruim por conta disso. Parece que agora quem tem carro é do mal. E não é isso. Mas parece que pra defender um lado as pessoas precisam denegrir outro, e eu acho que é nisso que os cicloativistas estão errando. E talvez seja isso que esteja incomodando.

Uma situação pequena e simples que aconteceu no trânsito hoje foi o que me motivou a escrever esse texto. Eu estava no cantinho da rua, num trecho sem ciclovaixa. Foi na subida da ponte que, meu deus, como cansa. Não bastasse minha inexperiência, medo e insegurança de estar sozinha de bicicleta por ali, encontrei uma pessoa de má fé. Uma feladaputa mesmo. O trânsito estava completamente parado. Eu estava em pé em cima da bike. Os carros andavam de centímetro em centímetro. E eu acompanhando no meu cantinho. Mas a cada centímetro que o trânsito se movimentava, a mulher do carro da frente olhava no retrovisor e se aproximava mais do meio fio. E cada vez mais. Sério, eu vi a hora dela raspar o pneu na muretinha na ponte. E tudo porque? Porque ela viu que tinha um ciclista esperando a chance de passar ao lado dela, ultrapassar um pedaço do trânsito e seguir o seu caminho.

Na boa, o que leva a pessoa a fazer isso? A ser assim? O que essas pessoas pensam? É muita maldade no coração do ser humano, viu. Então acho que antes da gente pensar nas pessoas como pedestres, ciclistas, motoristas ou motociclistas. A gente tem que lembrar que pessoas são pessoas. Seres humanos. Alguns bons, outros ruins. Não é porque tá no carro que é ruim, porque tá na bike que é legal. Existem pessoas boas e runis de todos os lados. E a gente tem que lidar com elas o tempo todo. Seja na família, no trabalho, na sala de aula ou no trânsito.

Então eu só queria deixar uma mensagem pra começar a semana. Vamos ser pessoas melhores, gente. Em pequenos atos. Em pequenas coisas. Seja lá qual for o meio de transporte que você use. Vamos ser mais gentis, mais felizes, mais humildes. Porque se tem uma coisa certa nessa vida, é que gentileza gera gentileza. E eu quero seguir gerando esse sentimento o quanto eu puder.

Bom dia e boa semana, gente.


13 comentários sobre o assunto

Sei bem como é isso.

Pedalo pelos mesmos motivos que você desde agosto do ano passado e já presenciei várias cenas assim. No mínimo 2 vezes por semana, pra falar a verdade

O meu jeito de responder à essas coisas é fazendo assim:
ao ultrapassar o carro (coisa que vai acontecer em, no máximo, 15 metros), viro pra trás e dou um tchauzinho com um sorriso. De vez em quando rola um thumbs up também.

Talvez deixe o cara ainda mais puto.
Mas pelo menos não respondo com mais violência e ignorância.

Leo Ferreira

Pois, infelizmente vez ou outra também passo por isso, de bike ou de motocicleta… Coincidência ou não a maioria das vezes são mulheres, 2 vezes ainda cheguei a “bater boca” com duas, não sei qualé a deles… Mas uma coisa é fato, ruindade.

Beijokas!

Mercia ( MeL )

Eu também moro a alguns poucos quilômetros do trabalho, acabei de comprar a minha bicicleta e pensei por alguns instantes em vir trabalhar com ela e deixar de passar 1h para chegar no trabalho (Não tenho carro, dependo do bom e velho ônibus! =/ ). E é por esses e por outros motivos que tenho medo de sair nesse transito louco e sofrer algum acidente.

Catarina Moro

Fico triste com situações como a sua e cada dia tenho menos vontade de dirigir, pq eu posso ser educada, mas a maioria não é.
Homens e mulheres, às vezes, viram monstros atrás de um volante, por se acharem mais merecedores que o resto de chegar em casa logo.

Jackie Zaninetti

Eu tenho uma biz, moro em cidade “pequena” no interior de SP, uso minha moto para trabalhar, pegar umas coisinhas no mercado, fazer minhas coisas de dia normal,
Me ajuda demais, é econômico, rápido e etc…
Como estou pagando meu ap, é o que dá para ter hoje!!!
Mas olha, sempre sofro com a falta de respeito dos motoristas de carro, que acha que vc tem menos direito de andar na rua do que eles que tem carro!!!
Oi? Sou menos pq tenho moto???
As pessoas precisam aprender a respeitar as outras e só!

Beijos

Paula Carolina

Anna acompanho seu site a tempos e gosto muito. Uso a bike como meio de transporte pro trabalho desde de novembro e adorei saber que você está fazendo o mesmo. Primeiramente gostaria de dizer q não sou uma “ciclochata” rsrs mas antes de entrar no mundo da bike li muita coisa, me informei, peguei dicas e até hj acompanho vários blog, sites e faces ligados ao assunto, ( aconselho isso a todos os iniciantes, talvez até solicitar um bike anjo). E acho que essa “demonização” dos motoristas é mais coisa da mídia do que dos próprios ciclistas, estive esse fds num bate papo com o pessoal do bike anjo e mais outros muitos ciclistas e uma das pautas foi o medo de cada um q lá estava e a grande maioria disse q era o medo de motorista stressado e/ou mal educado, e não de motoristas em geral. E algumas conclusões foram de que precisamos de mais amor, educação (que caem bem em qualquer pessoa) e conscientização, pois muitos motoristas e ciclistas não sabem se comportar, lidar uns cons os outros, no trânsito. E que sim existem grandes fdp q tiram fina da gente, ciclista, motoristas, etc só pra chegar mais rápido ao semáforo que está fechado ou a trazeira do carro da frente, até pq num pode nada e nem ninguém entrar ou estar na frente do Sr. Volante, já passei por várias dessas e dou um sorriso acompanhado de um joinha ao motorista .

Marina Vilela

Relaxa, bonita, acontece todos os dias. (sério)
Um carro já passou por mim num engarrafamento comemorando e rindo que havia finalmente passado uma bicicleta – ri e achei ótimo, ‘aê, amigo, vá na paz!’ eu disse – mas nesta mesma rua escutei um motociclista dizer-me “O que tu pensa que tu é?!” e aceleraram, foram-se embora como se nada ou ninguém mais houvesse ou ouvissem e vissem. Rosa e Silva, um trecho onde a ciclofaixa foi estupidamente apagada porque foi argumentado que as bicicletas tiraram o espaço dos carros, que os ciclistas trafegam perigosamente, que nem é de meu percurso diário.

Não acompanho seu blog, na verdade o pouco que li algumas vezes só me deu breve pensamento que é de futilidade e modismos. Continue assim, por favor.
Eu, como mulher, e ciclista, peço um minutinho e lhe digo (alerto?); que hoje sou vista por alguns amigos como cicloativista, não porque defendo que deveriam ter menos carros e mais bicicletas. Mas posso até ser ‘cicloativista’ a cada momento que eu paro minha bicicleta em frente a um carro para permitir que uma família atravesse a rua, e que eu suporto as buzinas agressivas em minhas costas por alguns segundos. Por entender que sou uma, que o motorista atrás de mim é um, únicos, enquanto existe um senhor, uma filha, uma criança ou uma mãe precisando dar alguns passos enquanto só pensamos em nossos atrasos.

Mayra

com o tempo vc pega as manhas… ou não :D

Tom Bike

texto massa, ana. concordo plenamente. beijao e boa semana pra tu.

guga

Entendo exatamente o que você diz, concordo. E já que o texto faltou exemplificar pessoas ruins, apressadinhas e maleducadas sobre duas rodas, devo dizer que tenho que ter cuidado redobrado com minha filha na calçada da minha rua. Lá é altíssimo o risco dela ser atropelada por uma moto ou bicicleta espertinha que quer se livrar do trânsito.

Que fique claro: tenho amigos ciclistas exemplares, assim como tento ser uma motorista do bem. Educação e respeito são bons e todos nós gostamos.

Ivis

mais amor e mais amor, e só.

Ivis

Anna, tb me incomoda muito esse dualismo que carro é mau e bike é bom. Tb tô querendo ir de bike pro trab, mas estou me organizando pra isso. Para ver se aguentava a distância, aproveitei a ciclofaixa de lazer do domingo e fui pedalar. Impressionante a quantidade de ciclistas “maus”. Que desrespeitam regras e não são nada cuidadosos. Por eu estar numa daquelas bicicletas alugadas do Itaú, senti ainda mais uma certa arrogância dos ciclistas que transformavam a ciclofaixa de lazer em pista de corrida.

mauro

Comprei uma bicicleta pra deixar de ser sedentário. Depois de andar um bom tempo tive que encostar a bike por quase um ano. Agora com o inferno do trânsito mesmo andadndo de ônibus resolvi pegar a bike pra ir pra faculdade e sair do sedentarismo.

Mesmo com essas coisas que acontecem da falta de respeito no trânsito, tenho cada vez mais ficado empolgado em pedalar. Inclusive criei um twitter como diário de bordo e pra acompanhar as novidades do pedal aqui em Recife. Por isso já estou acompanhando seu outro blog de bike.

Fernando

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