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o que eu aprendi sobre apropriação cultural


“Ah mas quem é você mulher branca classe média pra falar em apropriação cultural?!”

Calma, migas. Eu não vim cagar regra sobre o que é ou deixa de ser apropriação cultural. Eu só vim compartilhar um pouco do que eu aprendi sobre o assunto, depois de abrir uma discussão bem saudável em um post no meu Instagram e Facebook. Até então, o que eu tinha lido e ouvido das pessoas sobre isso era bem superficial, algo tipo “é da minha cultura e você não pode usar”. Mas não é isso, o buraco é bem mais embaixo. Mal comecei a escrever o post e já sei que ele vai ficar enorme e talvez cansativo. Mas eu te convido a vir comigo, baixar a guarda, e tentar absorver um pouco (bem pouco) do muito que é esse assunto.

turbante e apropriação culturalFoto: Victor Jucá

Fui passar uns dias no Festival de Inverno de Garanhuns, e em um dos dias eu resolvi sair de turbante. Gosto de usar, já usei várias vezes em Recife, acho lindo e, de quebra, aquece minhas orelhas no frio de lá. Recebi alguns elogios de como estava bonita a amarração que eu fiz, recebi uma crítica velada de uma amiga perguntando se eu tinha virado negra empoderada pra estar usando o turbante, mas o que mais me impressionou foi um grupo de mulheres negras que passaram e gritaram algumas coisas pra mim. Eram coisas tipo “esse nó na cabeça é algo muito mais importante do que você imagina” e alguns outros comentários que eu mal ouvi mas que sei que foram proferidos de forma agressiva. Eu confesso que fiquei bem triste com isso. Mas sei que por trás desse tapa que eu levei, haviam argumentos que eu não poderia alcançar sozinha. Por isso, postei essa foto pedindo a opinião das pessoas sobre o assunto e recebi os mais diversos feedbacks. Vou tentar organizar aqui a linha de pensamento pra gente começar.

Primeiro, eu sei que o lugar de fala é das mulheres negras e que a gente deve ouvir e absorver as informações. Eu acredito que todos podemos expressar nossas ideias e opiniões sobre isso, pois só crescemos debatendo, mas o que não podemos é julgar ou pormenorizar o que for dito por elas sobre este assunto.

Aprendi que não é sobre indivíduos, é sobre sociedade. Não podemos individualizar a discussão. Então não vamos aqui falar de casos isolados e nem vir com argumentos de “mas eu não sou assim…” ou “mas comigo é diferente…”. Não é sobre você, não é sobre mim, é sobre a sociedade na qual estamos inseridos. E, como todo caso, vão existir excessões. Mas aqui vamos falar do geral que é o que importa.

Aprendi que não é só sobre cultura, mas sim sobre a relação de oprimido e opressor. Ou seja, brancos são estruturalmente opressores, e negros são oprimidos. Não interessa se você é uma pessoa branca e diz que não é racista. Só por ser branca você está montada em um castelo de privilégios, quer você queira ou não. É como a relação de homens opressores e mulheres oprimidas. Não interessa se o homem é gay, militante LGBT, defensor de todas as causas feministas. Ele é homem e a sociedade aceita mais ele do que aceita as mulheres. Então a relação aqui é essa. Não vamos levantar a guarda e dizer “mas eu não sou opressora” porque, como disse acima, não é sobre você. É sobre a sociedade.

Aprendi que não é uma via de mão dupla. Não é apenas o trânsito de uma cultura pra outra. Isso pode ser uma troca. No entanto, exatamente por ser uma relação de privilégio envolvendo raça, classe ou religiosidade, que o uso de determinados símbolos por uma cultura dominante pode promover o esvaziamento dele para a sua cultura de origem. Ou seja, quando brancos usam símbolos afro, esses símbolos vão perdendo o seu sentido e o seu uso vai sendo deturpado. Quando um negro usa um símbolo de branco, não será esse seu uso que vai mudar o significado do símbolo. Exatamente porque o branco é dominante e tem esse poder de promover e alterar o sentido das coisas.

Aprendi que não é sobre quem inventou o turbante, quem usa primeiro, que cultura é “dona” de tal acessório. Então, não adianta vir com aula de história falando de onde surgiu o uso do turbante e o significado dele em cada sociedade. Estamos no Brasil e aqui a nossa cultura é negra, não é árabe, sabe? Se você é branco e é do candomblé, massa. Se você é branco e de família árabe, tudo bem. Mas você é minoria e aqui voltamos á pra cima: não é sobre indivíduos, é sobre sociedade.

Aprendi que não é sobre liberdade de usar/ fazer/ falar o que quiser. E também não é sobre proibir. É muito fácil falar que somos livres para fazer o que queremos quando, na verdade, a liberdade do outro pode nos oprimir. Os homens são livres pra falar o que quiserem para as mulheres? Mulheres são livres para falar o que quiserem para gays ou trans? Podemos sim falar o que quisermos, mas isso tem um peso e um preço. Então, aprendi que aqui é sobre fazer escolhas e sobre bom senso. Ninguém vai te proibir de nada, mas você é responsável pelos seus atos.

Aprendi que também é sobre empatia. É sobre tentar se colocar no lugar do outro, apesar de que nós privilegiados nunca vamos saber a dor e a luta de quem é oprimido, mas podemos tentar imaginar os seus incômodos e pensar o que podemos fazer para evitar ou minimizar essa dor. Essa relação começou a fazer muito mais sentido pra mim. Pensar no uso do turbante pela ótica da sororidade.

Aprendi que não é sobre a intenção de machucar. Quem pisa no pé do outro sem querer também precisa pedir desculpas, né? Afinal, você não quis, mas machucou a outra pessoa. E essa pessoa pode te desculpar, mas a dor dela não vai passar por isso. Então, mesmo que você não tenha a intensão de machucar, você vai terminar fazendo isso.

Aprendi que a sociedade gosta dos ícones negros, mas não gosta dos negros. Quando eu li isso me caiu um peso enorme nas costas. Porque estamos falando de símbolos de resistência e de luta que a sociedade ainda não aceita. Aceita em mim, que sou branca. Mas não aceita na preta, que continua sendo xingada na rua.

Aprendi que, na verdade, eu não fui xingada pelas mulheres negras que gritaram pra mim em Garanhuns. Elas não estavam falando comigo enquanto indivíduo, estavam gritando por uma sociedade branca que as oprime e que esvazia o sentido dos seus símbolos. E quando lembro da máxima “não podemos confundir a reação do oprimido com a violência do opressor“, tudo faz sentido pra mim.

Aprendi que, mesmo que eu defenda que temos uma sociedade para educar nas questões raciais, de gênero, de classe, e que só se educa com diálogo e com carinho, não foi assim que a sociedade foi construída. Sempre digo que na gritaria ninguém se entende, e tento com todas as minhas forças estabelecer diálogos sérios e sóbrios nas questões que envolvem machismo e feminismo, sem gritar para responder uma agressão. Mas diante de anos e séculos de opressão, não posso julgar a atitude de quem agora pode esbravejar para que a sociedade enxergue e respeite sua classe.

Aprendi que eu não preciso concordar com todos os argumentos que eu aprendi, mas também não posso julgar. Não é meu lugar de fala e não sou eu que vou tachar de “extremismo” ou dizer que é uma reação exagerada. Um homem não pode dizer que feminismo é extremo demais, então também não posso dizer isso das mulheres negras. Não tenho como me colocar no lugar do oprimido.

Aprendi que apesar de ser sobre sociedade e não sobre indivíduos, não é algo generalizado. Não são todas as mulheres negras que se incomodam com o uso do turbante e de outros símbolos por mulheres brancas, e que mesmo que se incomodem, muitas vezes não expressam isso. A minha foto do perfil do Facebook sou eu de turbante, e muitas as mulheres que comentaram que eu estava linda, que tinha arrasado e tudo mais, quando eu questionei sobre o uso do turbante tempos depois se colocaram contra. A maioria das mulheres negras que eu já tinha conversado antes de abrir o questionamento disseram não se importar, inclusive, são elas que trançam os cabelos das brancas, que ensinam as amarrações de turbante e pulverizam a utilização de outros símbolos pela sociedade.

Aprendi que a indústria da moda é muito mais cruel do que se pode imaginar. E a crueldade não está só na objetificação dos corpos, na imposição de um padrão de beleza quase inalcançável, mas também no esvaziamento do sentido de símbolos de luta e resistência, como turbantes, estampas afro e tantas coisas que a sociedade nunca aceitou em pretos e agora aceita em brancos.

Aprendi que não podemos julgar a ignorância social das pessoas. Muita gente não está por dentro dos debates sobre feminismo ou apropriação cultural ou outras lutas, sabe? Não podemos crer que, porque nós somos privilegiadas e temos acesso à informação, outras pessoas também tenham. Não podemos esperar que qualquer pessoa que sai na rua sabe exatamente que o que está vestindo ou falando tem um significado muito diferente para outras pessoas.

Aprendi que não será o fato de Anna Terra, indivíduo, mulher branca privilegiada de classe média, usar ou não usar o turbante que vai fazer diferença para a sociedade. Mas que, ao usar, eu não tenho como carregar uma placa dizendo “manas negras, eu entendo a luta de vocês e não estou usando isso para agredir, mas porque eu valorizo e compartilho dos seus ideais“. E que antes eu preciso pesar se a minha vontade de usar vale mais que a dor que eu posso causar em uma mulher negra militante.

Aprendi que, apesar de eu ter aprendido tanto, ainda não consegui formar uma opinião muito concreta sobre isso. Mas que consegui reunir muita informação válida sobre o assunto e que meus atos agora serão muito mais esclarecidos e pensados.

Aprendi também que tenho amigxs maravilhxs e muito pacientes para compartilhar suas ideias e explicar direitinho seus argumentos. Muito obrigada! <3

Aprendi muito mais ainda vendo esse vídeo, que convido vocês a assistir e refletir sobre.

Além disso, vou linkar aqui algumas outras referências bem interessantes sobre o assunto.

Canal Afro e Afins de Nátaly Neri.

Texto Apropriação cultural é um problema do sistema, não de indivíduos” da revista AzMina.

E, como fiz nas redes sociais, convido vocês a comentar suas opiniões sobre o assunto. Gostaria muito de ouvir cada vez mais gente falando, pensando e, principalmente, ouvido pessoas negras sobre esse tipo de conteúdo. :)


parede em duas cores


parede-em-duas-cores-3Fazia um tempão que eu queria fazer algo na parede que fica atrás da televisão. Era a única da minha sala que não tinha nada. Nenhum quadro, nada pendurado, nadica de nada. Tinha pensado em em papel de parede, mas não achei nenhum que me encantasse. Então pensei em colocar uma cor e ver qual é. Mas um dia, do nada, me veio essa imagem na cabeça, de pintar um triângulo na parede em duas cores. A primeira ideia era pintar o triângulo de cabeça pra baixo, mas quando eu coloquei as fitas não gostei muito… Então decidi que seria com a ponta pra cima mesmo. :)

Sobre as cores, eu queria trazer o verde e pensei em uma cor mais neutra pra não embaralhar tudo, já que minha sala é bem colorida nos elementos. Então pensei no cinza, mas sei que não é uma cor muito interessante, a vibração dela é meio baixa pro ambiente. Então pensei em colocar um tom mais clarinho e meio acinzentado do próprio verde. Quando estava pintando, começou a ficar meio azul hahaha :P Mas depois foi ficando mais de boa, principalmente quando entrou a segunda cor.

Vou colocar aqui um pouco do que foi o passo a passo da pintura, que fui compartilhando no Snapchat :) Eu tenho mas confesso que nunca uso, tenho pouca paciência hahaha Mas pra dias de projeto assim é massa ir transmitindo. Então, se quiserem: terraanna :D

parede-em-duas-cores-1A primeira coisa foi fazer a marcação do triângulo. Eu medi a largura da parede, dividi por dois e marquei o meio exatamente. Então peguei um barbante grande, grudei no teto com fita crepe pra ficar bem certinho nesse meio e estiquei até as pontas, pra ficar reto. Então com o barbante lá, coloquei a fita crepe seguindo. Com o mesmo barbante, estiquei pra outra ponta e fiz de novo depois com a crepe. Isolei também teto, chão, outras paredes e estava tudo pronto pra começar. :)parede-em-duas-cores-2Além de ser uma função, é uma diversão, né? Então coloquei uma playlist massa pra tocar, abri um vinho verde e comecei a pintar. :D

parede-em-duas-cores-4Comprei pouquinha tinta, aqueles 1/4 de lata, sabe? Mas como não tava ficando da cor que eu queria acho que me desesperei e passei umas 5 mãos de tinta. Aí terminou que ficou muito grosso hehehe Fica a dica pra passar menos. :P parede-em-duas-cores-5 parede-em-duas-cores-6Como diz o poeta: shit happens. Eu percebi que se eu fosse tirar a fita de vez, a tinta ia sair junto. Então só consegui pensar que eu tinha que passar um estilete pra soltar. Aí preparei a régua pra ir passando o estilete certinho, mas a régua escapuliu da minha mão e fez esse talho na parede já pronta. :( Mas tudo bem, tenho a sorte de não ser perfeccionista hehehe Então passei um pouco de massa corrida, esperei secar e pintei de novo por cima.

parede-em-duas-cores-7parede-em-duas-cores-10Apesar de ser bem atrapalhada e terminar sujando tudo hahaha Eu gostei do resultado do primeiro dia. Aí pra pintar a segunda cor, eu tinha que esperar secar bem essa. Deixei pro dia seguinte. :)

Eu fiquei com medo de colocar fita crepe em cima da parte que já tava pintada, porque como a tinta tava grossa na parede depois de passar 875765 mãos de tinta, achei que ia arrancar quando puxasse. E estava certa… Até tentei fazer no pincel sem precisar da crepe, mas tava ficando péssimo. Aí fui na fé e coloquei a crepe, dei menos mãos de tinta na segunda cor e tirei a crepe com ela ainda molhada sem grandes danos. A ponta do triângulo meio que soltou mas eu meio que colei ela de novo hahaha E isso aconteceu na beirada da parte de baixo tmb… Mas aí o rack cobre e tudo certo e nada errado. :Pparede-em-duas-cores-8 parede-em-duas-cores-9Claro que além da parede eu pintei o teto, o varão da cortina, o chão… Acho que só não pintei os gatos e Chica, fora isso… hahahah :P Eu adorei o resultado. Achei lindo, preencheu o que eu queria, deu cor! É a única parede colorida da minha casa!

Isso é bem impressionante, porque quando eu morava em Piedade minha casa era T O D A colorida! Cada ambiente tinha duas cores, era bem bonito. Mas nesse apartamento eu fui deixando as cores para os móveis e objetos, quadros e tal. Mas estava sentindo falta de uma parede colorida, e essa preencheu meu coração e meus olhos. E agora eu tô querendo pintar as outras hahaha :P

parede-em-duas-coresAdorei o resultado e a terapia de pintar, escolher, sujar, limpar, eu adoro! Pereirão mode on novamente. <3


dicas para trabalhar em cafeterias


Trabalhar de qualquer lugar é uma das melhores coisas de ser freelancer, na minha humilde opinião. Em alguns momentos, precisam ser lugares com internet e talvez uma tomada por perto. E como trabalhar em um ambiente agradável faz toda a diferença, as cafeterias são sempre uma boa pedida.

Mas, aqui pra nós, precisa rolar um bom senso nessa relação. Fico pensando naquela galera que vai pra cafeteria, pede um café espresso e passa uma tarde inteira trabalhando por lá. Pensando nisso, vim aqui deixar algumas dicas marotas. E assim, eu nem sou dona de café nem nada, então talvez os donos e funcionários tenham até mais dicas do que essas pra somar. Se tiverem, fiquem à vontade pra contribuir. :)

lalá café Oferecer internet gratuitamente não é um serviço obrigatório.

As redes wifi já viraram algo básico nos estabelecimentos comerciais. Mas, não custa lembrar, que não é obrigatório. Então, caso não tenha, ou mesmo que tenha os funcionários digam que você não pode usar, não reclame, não faça cara feia, não diga que é um absurdo. Pode ser apenas uma opção do lugar, e você também tem a opção de ficar ou procurar outro lugar.

são braz Consuma no lugar.

Não tô falando de pegar um cafezinho e passar a tarde inteira. O produto da cafeteria não é a internet ou a energia que você vai usar de favor. Eles trabalham com comes e bebes, e é isso que você deve consumir lá. Essa é uma das coisas que deve levar você até lá, inclusive. Não apenas pra você trabalhar em um lugar diferente a cada dia. Isso tem seu preço.

bogart café Não seja uma mesa ocupada com um computador.

A preferência é sempre de quem vai comer, correto? Então se você já comeu suas coisas e ainda está no ambiente, tenha o bom senso de olhar ao redor e ver se tem mesa desocupada pra quem chegar. Se o lugar estiver cheio e você for uma mesa com um computador, ou você come, ou você pede a conta e sai. Ficar é uma falta de respeito com as pessoas que chegam e também com o próprio estabelecimento.

organico 22 Não seja barulhento.

O ambiente da cafeteria é pra ser agradável para todos os presentes. Geralmente tem uma música ambiente, pessoas conversando. Então fique atento ao barulho que você produz enquanto fica no telefone ou se é alguma reunião com várias pessoas. A dica também vale para os barulhos do computador/ celular. Não passe vídeos, áudios e nem escute música pelas caixinhas, use fones. Não deixe habilitados os sons de aviso do computador, como whatsapp web ou outros ruídos. Não fique batendo caneta ou qualquer outra coisa fazendo barulhos repetitivos enquanto você pensa ou fala no telefone, eles são insuportáveis.

castigliani Agradeça e seja gentil.

Pode parecer besteira falar isso, mas é bem sério. Você ficar lá trabalhando é um favor que eles te fazem, sabe? Então agradecer, postar uma fotinho na internet pra divulgar o lugar, ser gentil com os atendentes, tudo isso é importante. Afinal, você deve querer voltar lá outro dia pra trabalhar, e a política da boa vizinhança é fundamental.

Em lugares como Rússia, Alemanha e Londres já existe há muitos anos uma cultura que está começando a chegar por aqui e já tem em São Paulo: ambientes que cobram pelo tempo que se passa lá dentro, e não pelos produtos. Então é um espaço onde essas dicas vão por água abaixo, afinal, o produto é outro. Você pega pelo tempo que fica lá e pode consumir as ouras coisas “de graça”, como café, água e biscoitos à vontade. É um modelo super interessante e válido pra quem busca ambientes legais e diferentes pra trabalhar.

Eu sou membro do coworking Impact Hub, e volta e meia vou trabalhar por lá, mas confesso que gosto de procurar lugares diferentes pra experimentar. Até porque eu amo café e amo comidinhas, então nada melhor que juntar o útil com a vontade de comer hahaha :P

Cafés legais pra trabalhar em Recife:

São Braz

Gosto muito do que tem na Praça de Casa Forte. Internet free, espaço ao ar livre (sem tomadas) ou com ar condicionado (com tomadas), mesas maiores pra reunião e um bolo de laranja que vou te contar…

Lalá Café e Loja Afetiva

Um oásis no meio de um caos no Espinheiro, além da internet free e dos espaços com e sem ar condicionado, eles são pet friendly e tem um café coado com cardamomo que olha…

Bogart Café

Internet free com rede aberta (evito usar redes sem senha por motivos de segurança dos dados, vale pesquisar sobre isso) espaço ao ar livre (sem tomadas) ou com ar condicionado (com tomadas), mesa redonda pra reunião e uma soda italiana de amora pra acompanhar qualquer coisa…

Livraria da Praça

Eu gosto do ambiente de livrarias, e é por isso que gosto de passar um tempinho trabalhando de lá. A internet é free e tem espaços aberto e no ar condicionado, mas não tem tomadas em nenhuma das opções. Por isso, só vá se o notebook estiver carregado. ;)

Orgânico 22

Uma delícia de lugar, de atendimento e de cardápio. Com internet free e os espaço ao ar livre (sem tomadas) ou com ar condicionado (com tomadas distantes da mesa, bom levar extensão), também é pet friendly e só serve café coado, nada de espresso, que vai muito bem com um bolo de maçã, canela e linhaça. Isso diz muito sobre o ritmo do lugar, que fica ao lado de um estúdio de tatuagem o que me fez sofrer trabalhando e ouvindo o barulhinho da máquina. <3

CaféCafé

Esse parece que é um café feito pra trabalhar, sempre que eu vou tá cheio de gente em reunião, nos computadores e tudo mais. Só tem lugar no ar condicionado e algumas mesas tem tomada perto. O cardápio do almoço é uma delícia, e os doces…

Bistrô 858

Além da internet ótima e dos ambientes ao ar livre (sem tomadas) ou com ar condicionado (com tomadas) e mesa de reunião, também é pet friendly e tem um cardápio bem grande desde o café da manhã até o jantar.

Galo Padeiro

Não é bem um café, é uma padaria super maravilhosa. Nunca fui lá exatamente pra trabalhar, então nem tô ligada nas tomadas. Mas é bem confortável, sei que tem internet free, mesinhas dentro e fora do ar condicionado e uma vitrine incrível de pães, doces e salgados, além do cardápio de café da manhã, almoço e jantar.

Café do Brejo

Também nunca trabalhei por lá, mas sei que tem internet free e é confortável e quietinho pra trabalhar com concentração, além de uma geléia de goiabada cascão…

Castigliani

O melhor café da cidade reabriu bem pertinho da minha casa, e eu tô saltitante! Ainda não tem internet, reabriu agorinha mesmo e tá em soft open, e eu nem vi se tem tomada também. Mas eu não podia deixar ele de fora dessa lista. Vale a pena ir até pra trabalhar do teu 3G na mesinha do lado de fora, comendo um croissant caprese na frente daquele neon lindimaravilhoso e depois tomando um café vienense ou um kalita ou um capuccino da casa ou qualquer coisa do cardápio que vai ser incrível. <3

Tenho certeza que tem vários outros lugares massa pra trabalhar por aqui, mas eu talvez não conheça ou não esteja lembrada. Então, quem tem uma boa indicação? :D


o que eu aprendi com o projeto na pele


projeto na pele anna terra 3Eu nunca tinha pensado muito sobre fazer fotos “sensuais”, sabe. Fotos assim, pra postar, pra olhar, pra mostrar. Já tive vontade, já fiz caseiras, mas vários motivos não me levavam a pensar em fazer parte de um projeto desses.

O primeiro ponto é a insegurança e insatisfação com o corpo. Minha vida é uma eterna sanfona na balança. Engordo, emagreço, engordo, emagreço não tanto, engordo mais, não consigo emagrecer. Eu já fui bem mais preocupada e paranóica com isso, na verdade. Hoje eu percebo que minha autoimagem era bem derrotada para o que eu era na época. Me danava a dietas, exercícios mil, e tudo com foco não na saúde, não no bem estar, não no cuidado, mas sim no corpo. Não tô dizendo que isso é errado não, tá? Até porque a estética e a vaidade fazem parte de algo muito maior que envolve autoestima e autoaceitação do que ser “frescura” como alguns podem achar. Mas a real é que essa busca pelo corpo não tava me fazendo bem, pelo contrário, tava me deixando mal por muito pouco.

De um tempo pra cá relaxei mais com isso. Tentei controlar minha compulsão alimentar de outras formas, procurei exercícios físicos que me dessem mais prazer do que fossem uma obrigação mortal, busquei me alimentar melhor sem neurose e, melhor de tudo, comecei a aceitar mais o meu corpo do jeito que ele é. Com dobras, com barriga, com celulite, com estria, com manchas, flácida, com ruga, inchada, mole, o que for. Sou eu, faz parte de mim e eu não posso negar isso. Eu não preciso esconder. Não é feio. Não é defeito. Esse é o ponto: não é defeito.

Nós, mulheres, somos massacradas a vida inteira com um padrão de beleza surreal imposto pela sociedade. Pelas revistas, pela propaganda, pelo cinema, pelo jornalismo, pela música, pela família, pelos parceiros, pelos amigos, por tudo que nos rodeia. Nas pequenas coisas vamos “aprendendo” que bonito é ser magra, inteira, durinha, bela, recatada e do lar. E só a gente sabe o quanto isso mexe com a cabeça e com a vida de cada uma de nós. O processo de autoaceitação é constante e demorado, e eu posso dizer que ainda não cheguei lá.

Hoje, me amo muito mais do que antes. Me curto, me olho com mais sutileza, me admiro mais, me toco, me exibo, me critico, me cuido. Hoje eu sei que essa sou eu, e que eu sou muito mais do que o meu corpo pode mostrar. Mas que ele faz parte de mim, cada pedacinho, da manchinha de nascença a tatuagem recém terminada. O que eu escolhi e o que eu não posso evitar, ou escolho não evitar. Essa é Anna Terra, e ela é linda.

Eu posso dizer que cresci com as pessoas me dizendo o quanto eu sou bonita. Desde criança, popularzinha no colégio, sucesso com os meninos na adolescência, nunca me faltaram elogios. Mas aqui dentro, eu nunca entendi, nunca visualizei o que as pessoas viam, nunca enxerguei. Não é drama, não é mimimi. É a construção sofrida de uma autoimagem deturpada. E hoje, com 30 anos, eu me acho mais bonita do que nunca. Sem aquele ar jovem que faz tão bem, mas com a segurança que empodera e diz que estou aqui pra viver a melhor década da minha vida.

E foi por isso que eu topei fazer parte do Projeto Na Pele. Esse projeto lindo, do casal amado Felipe Lorega e Fabi Araújo. É um projeto que não se resume a fotos sensuais. Na boa? Nunca me enxerguei nesses projetos que vejo por aí. Só parecem replicar os padrões de beleza mais ariscos, ou tentar fazer você se encaixar neles. Mas no Na Pele não. Não é só sobre o corpo, não é só sobre a mulher, não é só sobre tatuagem, não é só sobre sensualidade. O Projeto Na Pele é sobre um olhar que fisga a gente por dentro, que mostra as tatuagens dentro do nosso contexto, que mostra nosso corpo dentro do nosso conforto. É um projeto que cuida, que respeita e que faz um carinho danado na autoestima.

Aqui tem algumas fotos, e vocês podem ver o ensaio completo no site.
projeto na pele anna terra 2 projeto na pele anna terra projeto na pele anna terra 4 projeto na pele anna terra 5 projeto na pele anna terra 6 projeto na pele anna terra 7 projeto na pele anna terra 8 projeto na pele anna terra 9 projeto na pele anna terra 10Lembro que quando as fotos saíram, algumas pessoas me perguntaram porque publicar as fotos nas redes sociais, porque se mostrar. Diziam que as fotos estavam lindas mas que não precisava desse tipo de exposição. E eu entendo esse pensamento. Mas, pra mim, faz parte do processo de autoaceitação. Além disso, precisamos desconstruir os padrões de beleza. Precisamos mostrar que isso é lindo, que vida real é lindo. Tem muitas mulheres que precisam dessa força, que precisam desse tipo de projeto pra se enxergar melhor. Mesmo aquelas que não fizeram as fotos, tenho certeza que se sentem mais representadas quando vêem mulheres reais assim. Sem tanto glamour, sem photoshop, sem defeitos. É assim que a gente é. :)

O dia do ensaio foi incrível, um presente pra mim. Começamos a fotografar de manhã, entre caipirinhas, risadas, macacadas, música boa, cachorro, gato, brilho. Minha vida virou um carnaval, e eu por dentro era só alegria e cor. E por fora também. :P Passamos o dia juntos. Chegaram amigos, chegou meu namorado, comemos, bebemos, conversamos, relembramos os cliques, foi incrível.

A Felipe (Fifo, para os íntimos hehehe) eu só tenho a agradecer pelo carinho, respeito e cuidado. O seu olhar me fez muito bem. Me fez linda. Me fez leve. Me fez dar um largo passo rumo a minha autoaceitação. E cada vez que eu olho essas fotos eu abro um sorriso largo, e vejo que a gente botou mesmo pra fuder. Fabi, você foi incrível. Melhor produtora pra me acompanhar não poderia ter. Amiga, tiradora de onda, me deixou super confortável e ainda me ajudava a cobrir e mostrar as coisas todas hahaha <3 Victor, meu bem, você foi maravilhoso. Tenho orgulho de ter um namorado que me apoiou neste projeto, e que mais do que isso, gosta e valoriza cada pedacinho do meu corpo como ele é. E me vê além dele. Obrigada. <3

Afe, eu chega me emociono aqui. Engole o choro, Anna Terra! :) Mas é que tem coisas que mexem muito com a gente, sabe? E eu posso dizer que o Projeto Na Pele me fez um bem sem tamanho, e eu vou ser sempre grata por isso. <3

Vou deixar vocês com mais fotos de outros ensaios lindos, outros corpos lindos, outras tatuagens lindas, outras luzes lindas e principalmente: outras essências lindas que transbordam em cada foto. Só de olhar, dá pra sentir o clima dos cliques, imaginar a música que estava rolando, ouvir a gargalhada, imaginar a piada. Ah gente, como é bom se ver e se gostar. :)

projeto na pele raquel projeot na pele leonardo projeto na pele elisa projeto na pele renata projeto na pele ivan projeto na pele nathalia projeto na pele carol projeto na pele andré projeto na pele sarah projeto na pele malu Vida longa ao #ProjetoNaPele. <3

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