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quadros por escrito


Adorei esses quadros de tipografia. Encontrei no blog Little Miss Momma, que a querida comadre do Buteco Feminino me apresentou. São da Barn Owl Primitives, que começou a se interessar a fazer esses quadros por ter muita coisa para falar, mas as pessoas não tinham muita paciência para ouvir. Então ela começou a fazer criar sinalização com muitas coisas que as pessoas gostariam de dizer e de guardar. Mensagens positivas, bons modos à mesa, endereços importantes e tudo mais que você quiser falar. Achei super interessante, e muito bonito.


amor sem sexo é amizade


Eu sempre tenho a impressão de que tem uns 3 dias do amigo por ano. E estão sempre escrevendo as mesmas coisas, que amigo é a família que a gente escolhe, que o amor pode acabar mas a amizade continua, que amigo é pra essas coisas.

Hoje, enquanto tem um monte de gente se dando parabéns pelo Dia do Amigo, vou escrever um texto sobre amor. Porque pra mim a amizade é feita de amor. Sim, o mesmo amor que você sente por seu namorado ou por sua esposa. O amor é o mesmo, o que muda é que não tem tesão, não tem sexo, é só o mais puro amor.

Aquela vontade de ver o outro feliz, de fazer o outro feliz, de cuidar. Aquela vontade de sentar pra conversar, de fazer confissões e contar coisas que só vocês sabem. Aquela vontade de se ver, de sair, de fazer nada juntos. Esse é o amor da amizade.

Claro que os amores se misturam, e as vezes terminam em casamento. Mas enquanto for o mais puro amor, aquele querer bem sem querer em troca, é amizade. Porque existe amor além da amizade, mas não há no mundo uma amizade verdadeira sem o mais puro amor.


nossa casa de veraneio


A casa de Maria Farinha existe desde antes de mim, e é pouco o que eu sei da história dela. Sei que foi praça de muita alegria, de amor, de festas, e de um pouco de choro, afinal, era uma casa, e não só veraneio. Ela viu uma coisa que eu nunca vi, que foi meu pai e minha mãe. Juntos. Na verdade, ela era um lugar que unia as pessoas. Era a nossa casa de veraneio.
Essa casa conseguiu juntar meu irmão e minha irmã, que não são irmãos, de sangue. Juntou eu e o irmão do meu irmão, que é meu irmão de amor. Conseguiu juntar minha mãe e a mãe do meu irmão. Juntou meus dois lados, a família Oliveira e a família Miranda. Juntou amigos, conhecidos, namorados. Juntou feijoada com carangueijo, marisco e churrasco. Juntou jipe com fusca e uma jangadinha. Lá era um lugar que tinha o poder de unir. A nossa casa da praia.
Na verdade é uma casa na praia, bem na praia mesmo. Na maré cheia a água bate na muretinha, onde muitas vezes eu estava deitada pra receber os respingos salgados do mar. E como a lua nascia amarela feito um queijo bem na frente da casa e o vetinho era uma delícia, não era nenhum sacrifício ficar do lado de fora a noite inteira.
Lembro de estar na casa por várias épocas da minha vida. E tenho sempre lembranças muito boas. Lembro de ir pra praia com sacos de supermercado para catar marisco, e voltar com eles cheios para minha tia Moema cozinhar pra todo mundo. Eu nunca comi um marisco igual ao que minha tia fazia lá na nossa casa.
Lembro de ir pra lanchonete comer sanduíche e refrigerante, que era a grande programação jovem da noite. Lembro da minha única queda de cavalo, na rua da nossa casa. E lembro que voltei a montar no mesmo dia. Sim, eu andei muito a cavalo pela praia, em Maria Farinha. Lembro de ter amigos e paqueras de veraneio. De pegar três ônibus de linha carregando mala só pra curtir um fim de semana com a família.
Lembro de ir pra marina pegar o barquinho e ir pra Coroa do Avião comer um peixe. Lembro de andar te jet ski. Lembro de encalhar com o barquinho num banco de areia e, enquanto esperava o reboque, colocar as cadeiras pra fora, abrir o isopor e beber. Água ou refrigerante, enquanto os adultos bebiam o que interessava. Minhas lembranças da nossa casa.
Fazia muito tempo que eu não visitava a casa. Ela passou os últimos anos alugada. Era não era mais a minha casa de veraneio. Mas hoje, quando eu entreguei a chave ao novo proprietário, me vi fazendo isso com lágrimas nos olhos. Como eu estou agora. Achei até engraçado, depois de tratar de toda burocracia com a frieza que a situação pedia, me vi entregando mais do que as paredes da casa. Me vi entregando parte da minha lembrança, um cenário importante de bons momentos da minha vida. Me vi dando um abraço no senhor comprador, e desejando que ele vivesse com alegria naquela casa, que a energia que ela tem é de felicidade, e união.
E é assim que um novo ciclo começa para ela. Para a nossa casa de veraneio.


Bendita solidão – do Rainhas do Lar


Ilustração: Liza Siqueira

Estou tão afastada do meu blog preferido.
Estou tão afastada de tanta coisa.
Vamos ver se consigo me concentrar e retomar minha terapia.

Aqui um ótimo texto de um dos meus blogs preferidos, o Rainhas do Lar. Sim, eu sou uma pessoa que precisa ficar totalmente sozinha em minha casa de vez em quando.

Eu sou uma pessoa que precisa ficar totalmente sozinha em minha casa de vez em quando. Quando isso acontece e estou bem disposta como hoje, é o que costumo chamar de, com licença a Cazuza, festinha em mim mesma.

A casa ficou meio mofada depois de tanta chuva, e foi justo neste domingo solitário que o sol voltou a brilhar com força, mas sem calor… o dia é fresco e azul. Acordei com a algazarra dos periquitos na pitangueira, me espreguicei sem pressa e enrolei na cama por tanto tempo que nem saberia dizer quanto… quando enfim levantei, escancarei todas as portas e janelas, levei todas as almofadas e travesseiros e futons e edredons e mantas para tomarem sol na varanda…
Molhei as plantas m u i t o l e n t a m e n t e; procurei algum bichinho na coceira de Capitão Caverna e descobri manchas que poderia classificar como senis não fosse ele uma criança apesar dos 12 anos; aproveitei as acerolas, tão perecíveis, e fiz polpa; preparei caldos de camarão, frango e carne para algumas semanas; coloquei Erykah Badu para inspirar a criação de protótipos de buquês para um casamento que se aproxima; acendi um incenso de canela com laranja; fiquei feliz com o resultado dos buquês e resolvi tomar um vinho; me animei e evolui para Gnarls Barkley; dancei sozinha até ficar com “dor de facão”; tomei banho frio porque a resistência queimou e eu não tô nem aí. Fresquinha e feliz, leve pileque, sentei aqui para fazer este post e agora vou ali ver o que tem de bom para comer.

Eu sou uma pessoa que precisa ficar totalmente sozinha em minha casa de vez em quando.



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