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Ana Terra e Anna Terra


Ontem eu terminei de ler o livro Ana Terra, que minha mãe leu durante a gravidez, e dele tirou meu nome. Eu ainda não tinha lido, o exemplar que eu tinha era muito antigo e tinha páginas faltando, mas Carol resolveu esse problema me dando de presente essa nova edição.

Minha mãe escolheu o nome, e meu pai, para ter a sua participação, colocou o segundo “n”. É por isso que eu passo a vida inteira dizendo “Anna Terra, com dois enes”, quase como um novo sobrenome. Ah, eu também passo a vida explicando que Terra não é sobrenome, é nome mesmo. E que vem do livro do Erico Verissimo, onde a Ana Terra tem um ene só.

Já sofri muito com o instinto ruim das crianças no colégio, que me chamavam de Anna Barro, Anna Lama, Anna Marte, Anna Júpiter… Então eu passei a infância detestando o meu nome. Mas depois eu comecei a perceber que as pessoas não esqueciam do meu nome, e consequentemente de mim também não. Percebi que nenhum dos apelidos que tentaram me colocar, conseguiu pegar, porque meu nome sempre foi mais forte. E aos poucos fui começando a gostar de ser diferente.

O livro Ana Terra, é parte da obra O tempo e o vento, e foi lançado como romance à parte. A história se passa entre o século XVIII e XIV, no Rio Grande do Sul. A família Terra (sim, no livro é sobrenome) vive numa estância no interior gaúcho e leva uma vida difícil. Tira o sustento da colheita, calcula a passagem do tempo observando a natureza e vive sob constantes ameaças de saque e guerra.

O livro começa com a seguinte frase “Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando”, costumava dizer Ana Terra. E eu posso garantir que venta muito nesse livro.

Ana Terra é uma mulher muito forte, guerreira mesmo. Que enfrenta muitas e grandes dificuldades e agressões, mas sobrevive a tudo. É uma mulher que trabalha pesado, desde cuidar da colheita até ser parteira e cortar os cordões umbilicais com uma tesoura de jardim. Perde tudo e recomeça a vida. Vê guerras, casamentos, morte e nascimentos. Ana Terra é uma mulher de atitude, não espera que ninguém faça por ela. Igual a Anna Terra, que vos escreve.

E depois de ler esse livro, eu gosto ainda mais do meu nome. Obrigada, mãe.

Update

Mandei o post pra minha mãe e recebi a resposta por e-mail. Primeiro, eu chorei. Depois eu pensei que tinha que postar. Por fim, postei.

“Tudo verdade o que vc escreveu filha, inclusive, quando eu estava grávida (e sozinha e sofrendo muito…), as pessoas me perguntavam o sexo e eu dizia que era menina e ia se chamar Ana Terra (com um ene mesmo), os mais curiosos me perguntavam o por quê do nome e eu dizia li um livro sobre uma mulher muito forte que se chamava Ana Terra Camará… se minha filha passar a metade do sofrimento que tenho na alma ela tem que ser “no mímimo forte”, como a personagem. E assim esse nome me encantou e eu sonhava com uma mulher forte, enfrentando todas as adversidades da vida com muita raça. Assim mesmo, como eu fui e você é…

Ainda tem a variante do “Terra” ser telúrica…da terra, na melhor expressão da terra mesmo, e assim você foi adubada e nasceu esse encantamento de flor.


Com lágriams e carinho,

De nada filha

Mamis”


maleta para piquenique


Ontem, pelo twitter, a Carolina Medina me pediu dicas para um piquenique bom e lindo, e eu prontamente respondi que era fundamental uma toalha xadrez e uma cesta de vime. Mas quando eu vi essa maleta lá no CriaDesign eu pensei: ok, eu troco a cesta por essa maleta. :)

A Boxal produz essa “caixa de piquenique” com um papelão resistente, que pode ser usado mais de uma vez antes de ir para a reciclagem. Ela tem divisórias internas com espaço para uma garrafa de vinho e várias comidinhas, acho que o ideal para 2 pessoas. O kit inclui ainda quatro bandejas, talheres, copos, guardanapos e saco de lixo, tudo ao preço de US$35. Eu acho que é a versão urbana e moderna da tradicional cestinha.

E não é só a maleta que é linda. As fotos estão lindas, a produção fotográfica é linda, o site deles é lindo. É um bom gosto que não tem fim. Ainda bem :)



filmes nacionais em cartazes ilustrados


José Luís Benício é um ilustrador brasileiro, nascido em 1936 no Rio Grande do Sul. Iniciou sua carreira aos 16 anos como aprendiz de desenhista, na área de publicidade. Trabalhou em editoras e em agências de publicidade. Na década de 70 fez mais de 300 cartazes para o cinema brasileiro, incluíndo os trinta filmes dos Trabalhões e clássicos como Dona Flor e seus dois maridos. Hoje, eu descobri que foi ele quem ilustrou o cartaz do filme Ana Terra, baseado no livro de Érico Veríssimo, de onde minha mãe tirou o meu nome. Adorei as ilustras, adorei os cartazes.

Conheça mais o trabalho de Benício.



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