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a incrível tapioca de dona elisangela


Sem dúvidas a tapioca de dona Elisangela foi uma das melhores coisas da nossa ida a São Miguel dos Milagres. Na verdade, nós paramos lá pra tentar comprar cerveja, já que em todos os mercadinhos o estoque tinha acabado no ano novo e era dia 2 de janeiro. O preço do latão era R$2,50, ela fez por R$2 e a gente terminou parando pra comer uma tapioca.

Acostumada com aquelas feitas na frigideira, em cima do carvão, eu adorei a tapioca só de ver que ela era feita na chapa, sem preocupação de limitar o tamanho ou formato dela. Primeiro dona Elisangela pergunta: Prefere massa fina ou grossa? Se estiver com muita fome é melhor pedir da grossa que dá mais sustância, mas se quiser a fininha é mais crocante. Terminou sendo massa fina para as meninas e grossa para os meninos :P

Ela vai peneirando a goma na hora, e disse que tem que estar bem molhadinha pra dar o ponto certo. A tapioca vai tomando forma com os grãos da goma grudando. Então ela joga aquele coco ralado pela filha dela, que fica sentadinha só ralando coco, e vira ele pra chapa, pra dar uma queimadinha. Ela diz que isso é que dá o gosto de coco na tapioca.

Enquanto o pessoal pensava no sabor que ia pedir, ela perguntou: vocês conhecem a de cartola? Aí na mesma hora eu fiz: pronto, eu quero de cartola. E a decisão contagiou e terminou que todos pediram do mesmo sabor :P Com a massa pronta já com o coco, ela colocou bananas bem maduras pra fritar na chapa com manteiga, depois o queijo de coalho pra derreter e fazer quela casquinha deliciosa (eu babei nessa hora hahaha).

Com a banana e o queijo fritos, ela abre as massas, coloca o recheio, despeja uma generosa porção de leite condensado por cima, e povilha canela. Juro, não vai ter foto ou texto certo que traduza o sabor dessa taipoca. E como eu estava com a boca cheia d’água e atacada por uma fome incrível, já estava pensando em qual seria a minha segunda tapioca, mas Dona Elisangela alertou: Você não aguenta não, minha filha. Isso daqui é um almoço. E ela tava certa. Todos comemos de nos lambuzar, mas no final ninguém aguentava mais nada :P

Claro que o assunto na mesa se resumiu a mermos gemidos de hummmm, mas quando a gente terminou, percebeu que não precisava falar nada mesmo. O melhor elogio era o silêncio, a boca cheia e a cara de satisfação. Eu já comi muito a famosa tapioca do Alto da Sé, em Olinda. As não menos famosas tapiocas da orla de Maceió. Tapiocas gourmet e tudo mais. Então eu posso dizer com conhecimento de causa: a tapioca da Dona Elisangela foi a melhor que eu já comi na vida.

Porque além de tudo, foi feita com carinho, com atenção, com cuidado. Enquanto perparava tudo, Dona Elisangela sorria, falava de como tinha sido bom o movimento no fim do ano e que para trabalhar ela nunca estava cansada, que podia ser essa correria o resto da vida.

Enquanto a gente ainda lambia os dedos melecados de leite condensado, ela colocou pra gente uma cortesia que nem deu tempo de fotografar. Foram pequenos pedacinhos de goma só com coco, pra gente sentir o gosto da tapioca original :P~

Tem mais algumas fotos lá no Flickr :)

O Catinho da Tapioca fica em São Miguel dos Milagres, Alagoas, bem na estrada principal em frente a uma creche, que fica ao lado da pracinha. E saindo de lá a gente foi ao mirante de Tatuamunha, por indicação de Dona Elisangela, e essa foto não deixa a gente mentir como foi lindo.


lanche de férias: patê de salsicha


Eu sou dessas que tenta ter uma alimentação minimamente saudável. Procuro frutas e verduras orgânicas, não uso aqueles tabletes de caldo pronto pra cozinhar, controlo o sódio e blá blá blá. Mas tenho que confessar meu ponto fraco: salsicha. Sim, eu sei do que é feita e como é feita a salisicha. Sei que é nojentinho. Sei que não é saudável. E também sei que é uma delícia. Eu amo cachorro-quente de rua com aquela salischa de segunda. Eu amo macarrão com salsicha. Eu amo ralar a salischa pra rechear cachorro-quente de festa. Enfim, eu amo essa coisa nojentinha aí :P

E então, na preguiça das férias e buscando um petisquete pra acompanhar uma cervejinha, resolvi fazer uma mistureba junk food que pode parecer um nojinho mas que ficou muito bom :D Peguei salsicha, cortei em rodelas e joguei no copo do mixer. Juntei ketchup, mostarda e requeijão, temperei com pimenta e azeite e bati tudo. Não adianta fazer cara feia, podia ser pior… Podia ser com maionese :P

Para a torradinha eu peguei pães de forma, tirei a casca e cortei em quatro quadradinhos. Coloquei numa assadeira os quadradinhos e as cascas, reguei com azeite e queijo parmesão ralado e forno. Ficam crocantes e vão super bem com qualquer pasta ;)

Então se você não tem frescura, experimente que não vai se arrepender :P


depois de atravessar a balsa


Eu sei que o que todos esperam depois de uma semana em Japaratinga são fotos de praias lindas e tudo aquilo. Mas eu resolvi mostrar um lado para o qual pouca gente olha. As cidades de praia são geralmente muito pobres, vilas de pescadores que vão sendo invadidas pelo turismo. É onde você encontra muita gente que vive do que pesca e do que planta. É gente que pesca lagosta e polvo não pra colocar num cardápio de restaurante, mas pra colocar na panela porque é o que tem para alimentar a família toda. Quando tem.

São pessoas humildes, que vivem em pequenas vilas, em casas simples, as vezes até sem água encanada. São pessoas que convivem com turistas passeando em seus carrões, ficando hospedados nas pousadas de luxo que contrastam com suas casas de taipa. Pessoas que vivem da sazonalidade das temporadas, que dependem da maré e do clima para sobreviver. Que tomam banho de sabão e tudo dentro do Rio, porque é a água doce que tem. E a água de beber vem da cacimba pública da cidade.São pessoas que devemos respeitar quando visitamos a terra delas, e não simplesmente passar de óculos escuros por isso tudo e ir direto para a praia, curtir a água cristalina e a areia branquinha. Turismo pra mim tem todos esses lados. Vamos olhar mais por onde passamos.

Essas fotos eu tirei de dentro do carro, enquanto a gente atravessava as cidadezinhas que nós encontramos depois da balsa Japaratinga – Porto de Pedras. São várias vilas pequenas, que guardam lindas praias. É para ir de manhã cedo, pingando de praia em praia, e só voltar pra casa de noite, depois de um lindo pôr-do-sol :)


arroz preguiçoso de camarinhos


A foto não tá das melhores, porque foi tirada de noite e com a pressa da fome :P Mas foi tão fácil de fazer e tava tão gostoso, que achei digno para começar os posts das férias :)

Um parênteses sobre essa panela: eu não levei panelas para a casa que alugamos em Japaratinga, e uma das minhas alegrias foi ter essa linda panela por lá. Uma mistura de frigideira gigante com panela wok, que com certeza tem um nome específico que eu desconheço :P Gente, quero uma igual aqui em casa ontem. Muito boa :D Agora voltando…

Esse arroz não é digno de ser um arroz de camarããão, sabe. É um arroz de carmarinho, daqueles pequenininhos que a gente já compra se casca pra fazer molho. Eu digo que é um arroz perguiçoso porque pra ficar MUITO BOM, ele tinha que ser feito com camarões maiores, descascados na hora, com a casca e a cabeça trituradas e coadas duas vezes pra fazer um digno molho de camarão. Mas foi tudo na preguiça mesmo.

Na verdade, na verdade. A ideia inicial era esse camarinho ser um molho para o peixe que eu comprei, mas Paolo me convenceu a fazer as postas num dia e deixar o camarão pro outro. Aí ficou assim :P

Antes de tudo, eu dei uma escaldada nos camarinhos, pra eles não diminuírem taaaanto quando eu colocasse no molho. É só colocar uma água temperada (fiz com sal, pimenta, cúrcuma e tomilho) numa panela, quando estiver fervendo você joga os camarinhos e quando voltar a fervura você escorre e reserva um pouco da água. Então eu fiz um refogado de cebola, alho e tomates, coloquei um pouco de extrato de tomate e a água do camarão pra ir dando um ponto de molho. Aí é só colocar os camarinhos e o leite de coco, deixar dar uma fervida e pronto. O molho está ok. Então eu preparei um arroz branco só no alho poró, sal e pimenta e joguei dentro do molho, misturei, coloquei um parmesão ralado e voilá. Tava pronto, rápido e delícia :D



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