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70 anos de casados e uma super família


Se setenta anos de vida já é muita coisa, imaginem setenta anos de casados. Todos os dias sob o mesmo teto, na mesma cama. Dividindo os mesmos problemas, as mesmas alegrias, as mesmas dúvidas sobre a vida. Descobrindo um ao outro a cada dia que se passa, descobrindo juntos a vida, as pessoas, os oito filhos. Setenta anos de grandes mudanças, de crescimento, de amadurecimento e de muito, muito amor.

Há quem pense que 70 anos juntos é algo de quem casou numa época em que não era permitido se separar, ou que são 70 anos juntos por costume, porque sempre foi assim. Mas quem vê o casal Miranda se olhar, se preocupar um com o outro, se amar todos os dias, se surpreende. É o ciúme que minha avó tem do meu avô até hoje, é o cuidado dele com ela, é a preocupação dela com ele, é o carinho dele com ela. Não são apenas sete décadas de casados. São sete décadas de amor, de uma vida um para o outro. E isso, meus amigos, é coisa rara de se ver.

Vivi muitas férias e muitas festas na casa dos meus avós, em Juiz de Fora, e é de lá que eu tenho muito do meu conceito de família. Porque eu só fiz parte de 26, desses 70 anos de história, mas que, no final das contas, é a minha vida inteira vendo todo mundo se reunir na cozinha e na garagem da vó. Vendo meu vô voltar da pescaria com alguns muitos lambaris pra fritar. Vendo minha avó andar de um lado para o outro preocupada com quem já almoçou e quem ainda vai comer. Vendo meu avô fazer pão em formato de rosca e minha vó colocar em formato de jacaré para divertir os netos. Comendo a melhor palha italiana da história. Jogando baralho, empinando pipa, andando de patins, brincando de pega-pega, esconte-esconde, jogando iô-iô e fazendo tudo que uma criança precisa pra crescer feliz.

Aí o tempo vai passando e você vai entrando na turma que fica na garagem tomando uma cerveja enquanto vê a geração dos bisnetos brincarem, correrem e pularem exatamente como a gente fazia. E vê que, por tantas gerações que se passaram em alguns anos, a vô e o vô estavam sempre lá. Se preocupando com todo mundo, conversando, bebendo, jogando. Quem nunca tomou a cachaça com mel e limão do meu avô não sabe o que é remédio pra gripe. Que nunca comeu a cocada da vó não sabe o que é sobremesa. Porque mais do que estar na casa da vó, a gente estava com a vó, com o vô, e eles estão sempre com a gente. E é isso que faz essa família tão unida e tão bonita. A presença animada e feliz desse casal que a cada dia desses 70 anos de união aprendeu e ensinou uma lição sobre vida, amor, relacionamento e tudo junto.

Porque não interessa se eu moro em Recife, se meus primos estão espalhados em Juiz de Fora, Barbacena, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia. Porque não interessa se a gente passa tempos sem se ver até a próxima reunião de família. Porque não importa o tempo que a gente passe sem se falar. Uma coisa que eu aprendi com esse casal fantástico que são os meus avós, é que o sentimento de família está dentro da gente, e que nenhuma distância nem tempo é capaz de tirar. Então a gente vai, se reúne, bebe, brinca, discute, dá risada, como se a gente tivesse se visto ontem, e antes de ontem, e antes de antes de ontem, e fosse se ver amanhã de novo. E não tem foto, nem carta e nem os poemas que meu avô escreve até hoje que possam definir esse sentimento.

É um amor sem limites. Que dói quando é saudade, que sorri quando está junto, que chora quando é despedida e gargalha quando é encontro. É um amor que se alegra mesmo quando a felicidade não é nossa. Que se entristece mesmo na tristeza do outro. É um amor que se estica pelo Brasil. Que passa de mão em mão pelos 8 filhos, 23 netos, 14 bisnetos e 3 tataranetos. Que passa pelo tempo e que há 70 anos está sendo alimentado por essa família que eu tenho um enorme prazer de chamar de minha. Minha família Miranda.

Parabéns Vô Pedro e Vó Maria, pelas Bodas de Vinho, pelos 70 anos de casado, mas, principalmente, parabéns por serem o esteio dessa família tão incrível. Obrigada por me fazer Miranda. Por me fazer parte dessa história.

Isso é amor de verdade.


cores de sexta


paintGeralmente os posts das cores de sexta são feitos na sexta-feira, né. E também trazem cores pra gente ver, apreciar. Mas esse post é diferente em tudo. São as cores do meu coração de sexta-feira. Essas cores pra gente sentir aqui dentro.

Porque quando a gente está com o coração colorido, todo dia parece uma sexta-feira. Aquele dia que você faz planos pra, quando acabar as obrigações, abrir uma boa dose de prazer, de alegria, de amor mesmo. Quando a gente está com o coração colorido não tem inverno, nem quarta-feira, nem dia de chuva que faça a gente ficar cinza.

Nós somos artistas dos nossos corações, e só nós podemos escolher a cor que vamos pintar. As vezes a cor que escolhemos desbota um pouco, vai apagando. Mas então é quando devemos nos inspirar ainda mais para levar cores vivas e quentes pra dentro do peito.

Dizem que as cores trazem sensações, e isso é verdade. Cores que aguçam a criatividade, outras que exaltam os prazeres, outras que confortam. Algumas cores que esfriam, outras que aquecem. Algumas cores que a gente sente o gosto doce, outras azedas, outras que é melhor nem sentir. E o que existe dentro de nós se não as cores em forma de sentimentos?

Então, se a gente não pode domar nossos sentimentos selvagens, vamos ao menos escolher com que cor vamos pintar nossos corações. Vamos cobrir as manchas. Vamos renovar as tintas. Vamos ser artistas de nós mesmos e manter nossos corações cheios de cor. De vida.

Meu coração é colorido e meu dia é sexta porque eu amo. Vamos amar e colorir todos os dias. Todas as sextas.

<3


sentimentos selvagens não podem ser domados


coracaoOntem eu vi uma tatuagem que dizia que um coração selvagem não pode ser domado. E eu entendi. Não pode mesmo. Nada de alma tão selvagem como o coração pode ser domado um dia. E os sentimentos que vivem nele também não.

As vezes me pego tentando laçar sentimentos que cismam em fugir de minhas amarras das formas mais rebeldes. E termino me machucando. As vezes é aquele amor intenso demais pra caber só no peito, que termina escorrendo pelas palavras com mais velocidade do que você faria se ao menos tivesse alcançado as rédeas para frear.

As vezes é um ciúme incontrolável, inconsciente e imaturo. Que estampa no olhar a sua tristeza, e termina por escorrer pelos olhos sem conseguir se esconder.

As vezes é uma saudade instantânea, que dói demais para segurar os pensamentos que se perdem em tempos que não voltam mais. Mesmo que tenha sido ontem. Porque saudade não depende da data, e sim da intensidade com que as coisas acontecem.

Todos sentimentos possuem seu tom de selvageria. Aquela alegria incontida que acaba por escapar pelo canto da boca e mostrar os dentes quando você devia parecer concentrado. Aquele medo do que não se conhece. Aquele prazer que explode. Aquela incansável vontade de ser. Simplesmente ser.

Ser selvagem, como os sentimentos.

Foto


uma pitada de leveza


levezaA leveza é uma coisa tão difícil de descrever. Ao menos pra mim. Não é algo que a gente possa ver, pegar. Não é bem um sentimento. Não é algo que se deseje possuir. Mas é, sem dúvidas, uma coisa que a gente precisa ter na vida.

Colocar uma pitada de leveza no nosso dia faz com que a gente se sinta melhor. Seja parando um pouco pra respirar. Seja trocando uma palavra de carinho. Um beijo. Um abraço. Seja, simplesmente, olhando lá fora. Não existe uma fórmula para leveza. Pode estar na vista da sua janela, no seu café da manhã ou num momento de inspiração no meio da tarde.

É algo que a gente precisa quando sentimos aquele peso da vida, sabe? Aquele momento de estresse, aquele cansaço físico, aquela rotina, aquele sapato apertado. A gente sabe que está precisando de um momento de leveza quando até nos nossos pensamentos a gente consegue sentir o peso das coisas. E, as vezes, como pesa…

Se eu pudesse, eu encheria potes com doses diárias de leveza e distribuiria por aí. No trânsito, nas filas de banco, nas brigas de casais, nas salas de espera dos hospitais, nas reuniões de trabalho, nos telefonemas de cobrança, nos e-mails. Se eu pudesse, seria eu a própria leveza. Para visitar diariamente todos que carregam um peso maior do que podem aguentar. Se eu pudesse, tiraria a mão da frente dos olhos de todo mundo, porque as vezes a leveza está bem na nossa frente mas o peso do dia não nos deixa enxergar.

As vezes, você fica mais leve só de parar para escrever. Só de parar para ler. Para ouvir. Para comer. Para ver. Para amar.

Quando você deixa o pensamento sair vagando por aí. E muitas vezes tem a grata surpresa de encontrar alguma coisa linda. Ou alguém. E preencher um espaço que, mesmo com todo peso do mundo, continuava vazio. Um espaço que só pode ser preenchido por ela, a leveza da vida.

Então, se hoje eu pudesse dar um presente, seria uma pitada de leveza para cada um colocar no seu dia.

Bom dia, gente.



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