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uma palavra sobre tolerância


Faz um tempo que eu tenho pensado muito na palavra tolerância. Acho que é por estar pensando mais nas pessoas ao meu redor e vendo quanto elas são diferentes. Eu sou uma pessoa muito difícil de conviver, eu sei disso. E sei que exijo muita tolerância e paciência das pessoas. E por estar pensando mais sobre isso ultimamente, tenho me tornado, aos poucos, uma pessoa mais tolerante em vários sentidos.

Nós convivemos o tempo todo com pessoas diferentes da gente. Na escola, na faculdade, no trabalho. Ficamos, namoramos e casamos com pessoas diferentes da gente. Quando crescemos aprendemos que nossos pais são bem diferentes um do outro e totalmente diferentes da gente. Que nossos irmãos não são assim tão parecidos e começamos a perceber a diferença entre os primos, tios, avós. Como as pessoas são diferentes ainda que pareçam tão semelhantes.

E essas diferenças podem aflorar em vários momentos. Em diferentes situações. Pessoas que sempre foram amigas podem discordar de algo pequeno como sua opinião sobre gatos, ou sobre motociclistas, ou sobre aquele filme. E nós passamos a vida tendo que aceitar e conviver com essas diferenças.

As vezes nós podemos escolher com que diferenças nós queremos conviver. E assim nós nos juntamos com pessoas que são parecidas com a gente ou aquelas que nós aprendemos a gostar até dos “defeitos”, que muitas vezes são apenas diferenças toleradas. Mas as vezes nós temos que conviver diariamente com pessoas totalmente diferentes da gente, e que as vezes têm “defeitos” que nos incomodam a ponto de nos agredir. E que nada mais são do que diferenças que nós não toleramos.

E algumas delas nós vamos passar a vida sem conseguir tolerar mesmo, porque para isso nós teríamos que passar por cima de princípios que são mais fortes do que nós. Mas, as vezes, tudo é uma questão de reflexão. E quando a gente para pra pensar, de preferência num momento feliz e de cabeça fria, a gente vê que muitas coisas podem ser facilmente toleráveis. Que essas diferenças sempre vão existir mas que elas não precisam nos agredir tanto assim. Afinal, nós também somos portadores de “defeitos” pelos quais somos irredutíveis. E nós também sugamos uma boa dose da tolerência das pessoas ao nosso redor.

As vezes precisamos da tolerância para suprir uma expectativa. Já viram quantas vezes nós pensamos “mas não podia ter sido desse jeito?” ou “mas porque ela não falou assim…”. E isso tudo é reflexo de uma expectativa pessoal que nós criamos em torno de uma conversa, de uma situação. E nem sempre as coisas acontecem ou as pessoas falam como a gente quer ou esperava. E isso não quer dizer que essas coisas aconteceram errado, foi apenas diferente. E a sabedoria está em diferenciar e tolerar isso para o seu próprio bem.

E pensando sobre isso, descobri que essa é a palavra mágica da convivência. Porque pra conviver em harmonia a gente não precisa amar todo mundo ao nosso redor, mas a gente precisa respeitar. E o princípio do respeito está em tolerar as diferenças.

Então, por hoje, pare 5 minutos e olhe as pessoas ao seu redor. Você vai conseguir rapidamente apontar um ou dois defeitos de cada uma delas. E você também vai poder ver que é capaz de tolerar esses defeitos no dia a dia. Em prol da boa convivência, da boa vizinhança, da boa risada que faz o nosso dia ser mais feliz. Porque pessoas tolerantes sorriem mais, vocês sabiam? Não? Então experimentem tolerar mais os “defeitos” das pessoas com quem você convive e veja por você mesmo.

Porque a tolerância é a chave das pequenas doses de alegria do dia a dia.


sobre ir contra, ou além, do esperado


Quando a gente passa por um momento de mudança na nossa vida, ele vira também um momento de reflexão e balanço, né? E se tudo isso for na virada do ano então, aí é que a gente começa a pensar, filosofar, colocar coisas na balança. As vezes esses pensamentos não duram nem até o carnaval, quanto mais virarem de fato resoluções para a nossa vida. Mas refletir sempre vale a pena.

Ontem quando eu vi o IdeaFixa compartilhando uma foto no Facebook e dizendo que essa seria a coisa mais linda que eu veria durante o dia, ao clicar eu tive que concordar. Era essa sequência de fotos que eu curti, compartilhei, enviei por e-mail, mandei para amigos e tudo.into the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildinto the wildOlhando assim parece um lindo ensaio de uma garotinha européia com bichos selvagens treinados ou algo assim, né. Mas na verdade essa menina linda é a Tippi Degré, filha de um casal de fotógrafos franceses. Ela nasceu e cresceu na África, e não era uma turista de passagem. Os pais dela escolheram essa infância pra ela. Na natureza, com os animais, entre as coisas selvagens, cruas e verdadeiras. Na cultura local de onde ela nasceu.

Sim, essas fotos não são só bonitas. São verdadeiras, intensas e, porque não, intrigantes. Eu não estou aqui para dizer o que é certo ou errado. Mas pra pensar que, poxa, tem gente que faz diferente e isso pode ser lindo. Sinceramente, eu me emocionei com as fotos e sim, tive uma pitada de inveja dessa menininha. Como disse minha amiga Lu Aires, a gente já tem todo o sistema certinho na cabeça, mas tem tanta gente que vive fora dele.

E foi quando eu parei pra pensar e refletir sobre isso. A gente quer tanta coisa mas termina acomodado fazendo o “certo” que é estudar, se formar, trabalhar, ganhar dinheiro, casar, ter filhos. Muitas vezes somos felizes assim. Fazemos o que gostamos, convivemos com pessoas que gostamos. Mas talvez seja uma acomodação que nós gostamos. Se a gente parar pra pensar, acho que sempre queremos viajar mais, fotografar mais, comer mais, andar mais, se exercitar mais, cantar mais, sair mais, dançar mais. Sempre tem alguma coisa a mais que a gente gostaria de fazer e termina passando batido na nossa rotina de acordar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, dormir. E a gente se conforma com pequenas fatias de prazer que cabem num happy hour, num sábado ou numa viagem de férias de uns dez dias para um ano inteiro de trabalho.

E toda essa reflexão casou muito bem com um vídeo que meu amigo e chefe Maurício compartilhou, que questiona “e se o dinheiro não existisse”. E vai muito pelo lado de fazer mais o que se gosta e o que dá prazer.

Juntando essas duas reflexões, eu pensei que as vezes pra fazer o que realmente gostamos e queremos, a gente precisa sair um pouco desse sistema que estamos acostumados. Que herdamos de pai e mãe, e do vizinho, e das pessoas ao nosso redor. Porque tem gente indo contra e fazendo além. E sendo muito feliz.

Eu sei que eu vou terminar de escrever esse texto e voltar para a minha rotina diária. Mas com um pequeno espinho na minha cadeira que vai ficar me incomodando e me fazendo pensar “o que eu poderia fazer para ir além e ser mais feliz?”. E eu espero que essa reflexão ajude vocês a buscar a felicidade e, quem sabe, perder o medo de fazer diferente.

Bom fim de semana, gente. :)


sobre a naturalidade das coisas


Eu já escrevi aqui sobre a leveza e a sua importância para a vida da gente. E outra coisa que eu acho super importante e que caminha de mãos dadas com essa tal de leveza, é a naturalidade.

Deixar as coisas acontecerem naturalmente pode parecer simples, mas as vezes é muito mais difícil do que planejar, organizar e agendar tudo. A gente vive o tempo todo programando o salário pra pagar as contas, programando o fim de semana pra ver os amigos e a família, programando os horários pra encaixar a academia e um passeio com o cachorro, programando as férias, a viagem, a pauta do dia. A gente programa e planeja tanto as coisas, que agir com naturalidade está virando artigo de luxo.

E é um luxo que todo mundo merece, e o melhor, pode ter. Se dê ao luxo de acordar sem despertador um dia e passar a semana inteira sem marcar nada pro sábado. Se der vontade de ir à praia, vá. Se não der, fique em casa. Se der vontade de visitar um amigo, ligue. Se não der, veja um filme. Se der vontade de sair, saia. Se não der, peça uma pizza. E simplesmente vá se deixando levar. Ter um dia inteiro para agir com naturalidade é o primeiro passo para uma vida mais natural de forma geral.

Não planejar uma viagem, apenas viajar. Não planejar as compras, apenas ir pro supermercado. Não planejar o almoço, apenas abrir a geladeira. Não planejar a roupa que vai usar, apenas vestir. Não planejar um post pro blog, apenas escrever. Não planejar o casamento, apenas deixar o amor mover a gente.

E foi justo isso que me motivou a escrever esse texto hoje. Ontem, quando eu publiquei sobre o meu pedido de casamento, algumas pessoas se assustaram. Como se fosse algo de repente. No susto. E tenho certeza que muita gente se perguntou se era certo, se ia dar certo. E tudo que eu posso dizer é que foi natural. Duas pessoas que se amam, maduras, independentes e que querem ficar juntas, pagar as contas juntas, dormir e acordar juntas, brigar e continuar juntas. É mais simples e natural do que muita gente pensa. E acho que isso sim é um motivo pra dar certo. Porque as vezes a gente planeja tanto que quando vai realizar já passou aquele friozinho, aquela surpresa, aquele prazer.

Por isso que pra mim esse amor natural vale mais do que qualquer evento, qualquer vestido, qualquer cerimônia, qualquer festança. Porque vai no ritmo da vida. E eu sou assim. Uma pessoa que pula algumas etapas pra viver outras mais intensamente. Sem se preocupar com rótulos sociais nem nada. Apenas sendo natural e acontecendo, com força e vontade. Naturalmente como a vida deve ser.

E que seja naturalmente leve e feliz. Sempre. <3


sobre saudade e escolhas


Vai chegando o fim do ano e a gente vai ficando meio pensativo, né? E quando a gente tá fora de casa vai pensando ainda mais coisas. E eu tenho pensado muito sobre saudade.

Eu viajo de férias para matar a saudade do pai, do irmão, dos primos, da família. Mas é só sair de casa pra outra saudade começar. Saudade da casa, da filha, do amor, da mãe. Foi só sair de férias que eu fiquei com saudade dos amigos do trabalho, das amigas que não encontrei pra confraternizar. Fico até com saudade da academia, do blog, do meu carro. Será que eu sou meio a louca da saudade?

Mas se a gente parar pra pensar, a saudade é um pouco questão de escolha. Claro que isso não inclui a saudade de quem já não pode mais estar perto da gente, mas geralmente é assim. A gente escolhe viajar, escolhe a cidade que vai morar, escolhe o tempo que vai passar fora, escolhe se vai ou se fica. Mesmo que as vezes a gente não tenha muitas opções e a saudade seja uma consequência, nós fazemos escolhas diariamente e nossa vida inteira é fruto delas. Logo, a saudade também.

E acho que encarar a saudade como uma escolha me fez sofrer um pouco menos, afinal, é meio que “tô sentindo porque eu quero”. Não sei se isso funciona com mais gente além de mim, que sou meio que perturbada com a saudade desde sempre, já que sou fruto de uma familia que mora muito longe. Mas se funcionar, eu deixaria essa reflexão para o final do ano. Ver as escolhas que serão feitas, a saudade que será fruto delas e tocar a vida pra frente sendo mais feliz. Mais leve.

Porque saudade é uma coisa que pesa no coração da gente, mas que não pode atrapalhar nossa caminhada.

Então que o fim do ano seja leve, feliz, de boas escolhas e menos saudade pra doer. :)



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